Jornal O Estado do Triângulo - Sacramento
Edição nº 1777 - 07 de Maio de 2021

Irmã Dulce dos Pobres será canonizada neste domingo

Edição nº 1696 - 11 de Outubro de 2019

A baiana, Irmã Dulce (Maria Rita de Sousa Brito Lopes Pontes), será canonizada neste domingo 13, em celebração presida pelo Papa Francisco, no Vaticano. Primeira mulher nascida no Brasil a se tornar santa, vai receber o nome de Santa Dulce dos Pobres. Beatificada em 2011, pelo Papa Bento XVI, irmã Dulce é conhecida como Beata Dulce dos Pobres,  Bem-Aventurada Dulce dos Pobres e Anjo Bom da Bahia pelas grandes ações de caridade e assistência que fez  para quem mais precisava, obras que praticava desde muito jovem. 

Irmã Dulce se torna santa apenas 27 anos após seu falecimento. Só a santificação do papa João Paulo II, nove após sua morte, e de madre Teresa de Calcutá, 19 anos após o falecimento, exigiram menos tempo. Irmã Dulce será a primeira santa nascida no Brasil, que até agora só tem um santo brasileiro de nascimento, Santo Antônio de Sant'Ana Galvão, o Frei Galvão.


 Irmã Dulce: uma vida a serviço dos necessitados

Irmã Dulce, filha de Dulce Maria de Souza Brito e do dentista e professor da Universidade Federal da Bahia, Augusto Lopes Pontes, nasceu em Salvador em 26/5/1914, cidade onde também em 13/3/1992 ganhou notoriedade por suas obras de caridade e de assistência aos pobres e necessitados desde muito cedo, já manifestando vontade de ingressar na vida religiosa. 

Aos 13 anos, por ser muito jovem foi recusada pelo Convento de Santa Clara do Desterro  em Salvador. Em 1933, ingressou na Congregação das Irmãs Missionárias da Imaculada Conceição da Mãe de Deus, no Convento de Nossa Senhora do Carmo, em São Cristóvão (Sergipe) e um ano depois, recebeu o hábito, tornou-se freira e adotou, em homenagem à sua mãe, o nome de Irmã Dulce.

Já como freira, retornou a Salvador no início do ano de 1934,  começou  a  lecionar colégio mantido pela sua congregação, na Cidade Baixa e iniciou o trabalho de  assistência às comunidades pobres da região. Fundou, com Frei Hildebrando Kruthanp, a União Operária São Francisco (1936) e o Círculo Operário da Bahia (1939), ambos  tinham  como finalidade a difusão das cooperativas e a promoção social dos operários, bem como a  defesa dos seus direitos.

 Em maio de 1939, inaugurou o Colégio Santo Antônio, para a educação dos operários e seus filhos. O Colégio hoje é o Centro Educacional Santo Antonio (CESA) que atende crianças e jovens de 3 a 17 anos  de famílias de baixa renda. Ali os jovens estudam em período integral do 1º ao 8º ano,  têm acesso a cursos profissionalizantes, acesso à arte, educação, inclusão digital, atividades esportivas, assistência odontológica, alimentação, uniforme  e material escolar gratuitos.

 Ainda em 1939, para abrigar doentes que que se encontravam nas ruas, Irmã Dulce invadiu cinco casas na Ilha do Rato, em Salvador, mas acabaram expulsos. Depois de peregrinar durante uma década, obteve autorização para transformar em albergue o galinheiro do Convento de Santo Antônio. O então galinheiro que se tornou o Albergue Santo Antônio, deu lugar ao Hospital Santo Antônio inaugurado em 1980, um moderno, centro de um complexo médico, social e educacional.  O atendimento médico conta com especialização geriátrica, cirúrgica, hospital infantil, centro de atendimento e tratamento de alcoolismo,  clínica feminina, unidade de coleta e transfusão de sangue, laboratórios e um centro de reabilitação e prevenção de deficiências, dentre outras especialidades. 

Em 1959, Irmã Dulce fundou a entidade Obras Sociais Irmã Dulce (OSID), instituição filantrópica privada, sem fins lucrativos, que hoje, além do CESA e o Hospital Antônio,  é composta por outros  15 núcleos, inclusive o Memorial Irmã Dulce (MID), inaugurado em 1993, um ano após a sua morte. O Memorial é uma exposição permanente sobre o legado de amor e caridade da religiosa, reunindo mais de 800 peças,  que ajudam a preservar e manter vivos seus ideais.