Jornal O Estado do Triângulo - Sacramento
Edição nº 1742 - 28 de agosto de 2020

Padres são suspensos de atividades ministeriais

Edição nº 1742 - 28 de agosto de 2020

A jornalista Gê Alves informou no programa que um mandado de busca e apreensão na casa do padre, na rua Walquerianas, na Chácara das Orquídeas, foi cumprido pela polícia judiciária. No local foram apreendidos vários bens, entre eles, um lustre, dois castiçais, crucifixo, oratório, imagens, cadeira, armário, casos de plantas, móveis, entre outros bens, que foram depositados em favor da Paróquia de Nossa Senhora de Lourdes.

De acordo com a emissora, a descoberta da apropriação aconteceu a partir de uma divulgação, feita pelo próprio sacerdote ao vender peças pela internet. “Foi quando algumas pessoas reconheceram as peças como sendo objetos pertencentes à paróquia de Conquista”, anunciou a radialista. 

Ainda segundo os jornalistas, o padre já vinha sendo alvo de várias suspeitas de atos incompatíveis com sua função sacerdotal, o que também contribuiu para a suspensão de suas atividades ministeriais. A Diocese de Blumenau, onde se encontrava Pe. Sandro, passando férias nas casas de seus familiares, foi também informada sobre o decreto, pois Pe Sandro estaria presidindo atividades religiosas naquela cidade. 

Além de pároco em Conquista, Pe Sandro trabalhou também nas cidades de Sacramento e Prata.


Padre Robson, reitor do Santuário do Divino Pai Eterno

Foi com tristeza e decepção que católicos de todo o Brasil assistiram a uma reportagem veiculada pela rede Globo nesse domingo 23, no programa Fantástico, revelando que o padre redentorista, Robson de Oliveira Pereira (foto), reitor do Santuário do Divino Pai Eterno e coordenador da Associação Filhos do Pai Eterno (Afipe), foi alvo da Operação Vendilhões, que investiga o uso de pelo menos R$ 120 milhões para a compra de artigos de luxo. As investigações conduzidas pelo Ministério Público de Goiás apontam que a Afipe, movimentou R$ 2 bilhões em dez anos. As diligências mostraram o recebimento de R$ 20 milhões em doações por mês e descobriram que parte dos recursos foi empregada na compra de fazendas e de uma casa de praia.

Em setembro do ano passado, dois representantes do Vaticano estiveram em Trindade para investigar a Afipe. A movimentação financeira em larga escala chamou atenção da Cúpula da Igreja Católica. 

Acatando o pedido do MP, a juíza Placidina Pires, da Vara de Feitos Relativos a Organizações Criminosas e Lavagem de Capitais, determinou a busca e apreensão em 16 endereços ligados ao Pe Robson, inclusive na TV Pai Eterno, que transmite missas lideradas por ele em todo o país. A magistrada não atendeu o pedido de prisão do sacerdote.

Durante apuração do caso, o Ministério Público descobriu que a Afipe, responsável pela administração do Santuário Basílica de Trindade, negociava com empresas que tinham os mesmos donos e estavam localizadas no mesmo endereço da associação.

Entre as movimentações suspeitas com uso do dinheiro de fiéis está a compra de uma fazenda, em Abadiânia (aquela mesma do médium João de Deus, condenado a 40 anos de prisão), por R$ 6 milhões, e de uma casa de praia, avaliada em R$ 2 milhões. 

As negociações envolveram as empresas WKS Empreendimentos Imobiliários, Via Maia Administradora de Bens, KD Administradora de Bens e Terra Nobre Administradora de Bens, que têm as mesmas pessoas em seu quadro de sócios e todas se localizam em um único prédio em Goiânia. De acordo com o Ministério Público, a KD Administradoras de Bens recebeu dezenas de pagamentos da Afipe, por meio de imóveis. Em todas as negociações, a entidade ligada à igreja teve prejuízos.

Em uma das situações, a Afipe teria vendido uma residência por R$ 1,35 milhão, mas o local estava avaliado em R$ 2 milhões e chegou a ser hipotecado por R$ 7,35 milhões. A Fazenda Serenata e Monjolinho, em Abadiânia, teria sido comprada pelo valor de R$ 6,3 milhões, em 17 de março de 2016, e vendida, três anos depois, para a empresa Terra Nobre, pelo mesmo valor.

 “Os promotores de Justiça sustentaram a existência de indícios da prática de crimes de apropriação indébita, organização criminosa e lavagem ou ocultação de bens, direitos e valores pelos investigados”, descreve parte do despacho que autorizou a operação.

Os recursos recebidos através de campanha, seriam para a construção de uma segunda basílica, obra orçada em R$ 100 milhões, que deveria ficar pronta em 2022, mas foi adiada para 2026, com um novo orçamento, R$ 1,2 bilhão.

O advogado Pedro Paulo Medeiros, que atua na defesa do padre, afirmou que os imóveis citados na denúncia do MP fazem parte das aplicações da Afipe, cujo lucros foram destinados à construção da nova Basílica, à compra da TV Pai Eterno e de rádios e à construção de igrejas.

Afastamento de atividades

O afastamento de Pe Robson da Afipe foi comunicado pela Arquidiocese de Goiânia, através de nota assinada pelo arcebispo Dom Washington Cruz, informando que a associação irá contratar uma “empresa idônea de auditoria externa, no sentido de ser realizada ampla e profunda apuração de documentos e dados relativos à Afipe”.

Mas diante da repercussão da operação do Ministério Público de Goiás que investiga os crimes de organização criminosa, lavagem de dinheiro, apropriação indébita, falsificação de documentos e sonegação fiscal na Basílica do Divino Pai Eterno, a Arquidiocese de Goiânia decidiu suspender, temporariamente, o uso de ordens do reitor. Com isso, o sacerdote fica proibido de celebrar missas e fazer pregações.

No decreto publicado no domingo 23, dom Washington Cruz, justifica que o objetivo, é tutelar os fiéis e garantir a imparcialidade das investigações e que a suspensão tem caráter administrativo e não penal.

A Arquidiocese de Goiânia e a Província dos Missionários Redentoristas de Goiás, a congregação de Pe Robson, logo que souberam da operação disseram em nota que receberam com surpresa e aceitaram com humildade os atos praticados pelas autoridades judiciárias do Estado de Goiás. Diz ainda a nota que as duas instituições estão abertas para apurar, com transparência, quaisquer denúncias em desfavor de seus membros. Mas que confiam também no trabalho evangelizador de cada um de seus sacerdotes e que querem os esclarecimentos de todos os fatos.

Neste domingo, a Congregação do Santíssimo Redentor voltou a informar que, “na intenção de proteger a boa reputação da Igreja quanto a do Revmo. Pe Robson, ele está proibido de exercer qualquer ato de ministério sacerdotal, inclusive, entre outros, o de celebrar missas, a absolvição de pecados e a pregação. E também fica proibido de participar, realizar e protagonizar programas de televisão, rádio ou internet”.

 

Pe. Robson diz que vai provar sua inocência

O choque foi maior, porque Pe Robson é uma das grandes estrelas virtuais da Igreja Católica no país. Só no facebook são 3,9 milhões de seguidores. Após a operação do Ministério Público e diante das acusações, o religioso pediu afastamento da Afipe. Ele nega as acusações e diz que vai provar a sua inocência.   

“Sempre estive e continuo à disposição do Ministério Público. Por isso, esse meu pedido de afastamento vai me permitir colaborar com as apurações da melhor forma e com total transparência para que seja confirmado que toda doação que fazemos ao Pai Eterno -  terços rezados, dinheiro doado, tempo, carinho, trabalho empregado na evangelização - foi toda, repito, toda empregada na própria associação Afipe, em favor da evangelização”, disse em vídeo publicado na internet.  Para padre Robson, ele vem passando por uma 'provação'. “O meu caminho nessa missão evangelizadora nunca foi fácil. Desde o início, como você bem sabe, sempre carreguei muitas cruzes”, completou.