Jornal O Estado do Triângulo - Sacramento
Edição nº 1783- 18 de junho de 2021

Batemos continência à Sargento Edna

Edição nº 1662 - 15 de Fevereiro de 2019

A 1º Sgto PM Edna Aparecida dos Santos Almeida recebeu dos amigos de farda da 184ª Companhia de Sacramento uma comovente homenagem no último dia 6, conforme ato publicado no dia anterior, com direito a flores e a um troféu entregue pelo comandante da tropa, Ten. Milton Maffessone Jr, que assumiu também este mês o comando da Cia. No jargão militar, a Sargento Edna foi transferida para a Reserva, diferente do cidadão civil que se aposenta. Foram 26 anos de efetivo e relevantes serviços nos quadros da Polícia Militar de Minas Gerais. 

Natural de Embu (SP) ingressou na PMMG aos 21 anos, no dia 1º de abril 1993 e ao longo de sua carreira passou por diversas cidades, até chegar a Sacramento no início de 2003, portanto há 16 anos. E aqui, na cidade que aprendeu amar, na cidade que a reconheceu como cidadã sacramentana, encerra sua brilhante carreira.  Edna recebeu o ET em sua residência, onde, simpaticamente, fez uma síntese  de sua trajetória. 

Embora paulista, Edna se declara 'muito mais mineira'. Eu apenas nasci no estado de São Paulo. Permaneci em minha cidade natal, Embu, até os sete anos, quando me mudei com a família para Uberaba. A partir de então, minha vida foi nas Minas Gerais. A profissão não veio de uma vocação familiar, mas de um anúncio no rádio. 

“A gente ouvia no rádio, que ao completar 18 anos, o serviço militar era obrigatório e eu falava pra minha mãe, que podia ter alistamento para mulher também, porque eu queria ser militar. Naquela época, a gente nem sabia que já havia mulheres militares”, conta, recordando que aquele sonho permaneceu na sua cabeça.

“Em Uberaba, fiz os meus estudos, sempre em escola pública e já na adolescência descobri que havia mulheres na polícia. Foi quando decidi: é isso que eu quero ser. Concluí o segundo grau e ingressei na PMMG em Uberaba, onde fiz o curso de soldado, em 1994. No início do ano seguinte, fui destacada para Araxá, mas em setembro do mesmo ano, fui mandada para Frutal. Em 1995, fiz o curso de cabo em Araxá, retornei a Frutal e lá permaneci até dezembro de 2002. Em janeiro de 2003, cheguei a Sacramento. Em 2010, fiz o curso de sargento e aqui termino a minha carreira” , resume, contando sua história na sala de jantar, numa bela casa que, para ela parece enorme, pelo tempo vivido e passado nos quartéis. 

Para Edna, uma mulher esguia, alta, bem cuidada, porte atlético como o dela, não é passagem garantida para a carreira militar, como levou a crer o repórter. “O que ajuda muito não é o físico, mas a postura moral que a pessoa tem diante das situações. O jeito firme de ser que determina o bom policial, Tenho colegas baixinhas, e que são super respeitadas, não pela estatura, mas pela postura moral que adotam”, exemplifica, a exemplo da juíza de futebol, em jogo recente, que enfrentou  o jogador grandalhão e fez valer sua autoridade”.

Edna admite que na vida policial também é assim. “A maioria das situações a gente enfrenta é assim mesmo. O exemplo da juíza, em foto que viralizou na internet é bem o que eu disse. Ela o enfrentou, fez valer a sua autoridade,  não pela estatura, mas pela postura que ela adotou diante daquela situação. Nesses 26 anos de carreira, em muitas situações, não tive problemas maiores, devido à postura adotada. Se a gente está ali para fazer cumprir a lei, ela tem que ser cumprida”. 

Situação de risco, de acordo com Edna, é constante. “Desde que saímos de casa, seja policial militar ou civil ou federal enfrentamos riscos. Falou que é polícia já existe um risco a mais. A partir do momento em que vestimos uma farda e saímos de casa, é como se tivéssemos um alvo nas costas. Trabalhamos muito com a proteção de Deus e graças a também a Ele moramos numa região tranquila...”

E aposentando-se, Edna deixa um recadinho para as mulheres, sobretudo àquelas que têm vontade de ingressar na polícia: “Vale muito a pena! Toda profissão que a gente abraça porque gosta, por que é o seu sonho, é muito gratificante. A gente é mais feliz. Eu sou uma mulher feliz, realizada na carreira. Fiz por amor, por paixão,  por gostar da profissão. Então, quem gosta, corra atrás, porque a gente é feliz fazendo o que gosta. Não façam por questão financeira, mas por amor”, aconselha. 

Afirma mais a sargento que encara a reserva com alegria. “Vou pra reserva com o coração cheio de alegria, deixando verdadeiros irmãos na polícia, amigos que fiz durante a caminhada e, para mim, vão ficar as saudades. O meu relacionamento com a polícia militar foi uma paixão intensa, defendi muito a instituição, vesti a farda com muito orgulho e não me arrependo de nada. Vou ficar com saudades? Vou,  mas estou saindo com a certeza do dever cumprido.

 Sargento Edna é casada com subtenente, Vicente  Almeida, pais de três filhos: Bruno, milita rem Campinas (SP), Diego que também trabalha na área de segurança em Uberaba e João Henrique, residente em Sacramento.  “Os meninos não nasceram em Sacramento, mas o coração é sacramentano. Já eu, sou sacramentana de coração e por Titulo de Cidadania Honorária. Gosto muito daqui.” 

No último dia de trabalho, bem nas últimas horas, Edna foi surpreendida com uma festa pelos colegas da PMMG. “Quase no fim do expediente, me chamaram, eu até pensei que fosse alguma coisa administrativa e ao chegar, a surpresa. Estavam todos lá, com bolo, salgados, refrigerantes e eu fiquei muito emocionada, porque foram muitas palavras de carinho e uma placa que recebi. Foi muito bonito e emocionante”, afirma e não descarta a possibilidade de ser reconvocada. 

“O militar, enquanto está na reserva, ele pode ser reconvocado pelo Estado ou ele pode pedir para voltar à ativa,  como fez o subtenente Almeida, ele pediu para voltar. Mas eu vou curtir um pouco a vida, porque desde os 14 anos sempre trabalhei. Para mim, ficar dentro de casa, está sendo uma novidade e tanto. Por enquanto vou descansar um pouco e depois o tempo dirá...”.