Jornal O Estado do Triângulo - Sacramento
Edição nº 1771 - 26 de Março de 2021

PC prende quatro envolvidos na morte de lambreta

Edição nº 1469 - 12 Junho 2015

Andreazo Anchieta da Silva, 28, vulgo Macaquinho, de Conquista; Paulo Sérgio Castro Freire, 20, de Araxá;   Rafael de Carvalho, 21, de Ribeirão Preto e Vânia Aparecida de Paula, 32, de Sacramento estão presos por envolvimento no assassinato do empresário,  Paulo Cesar Martins Lobato, Lambreta, 62, no dia 4 de fevereiro último. Agenor Anselmo da Costa, 44, de Sacramento, que emprestou a arma aos autores, está em liberdade, mas já tem pedido de prisão decretada no inquérito, já concluído e entregue à Justiça. A notícia da prisão dos quatro envolvidos, que na época estavam todos residindo na cidade, foi dada nesta quarta-feira 10 pelos delegados Cezar Felipe Colombari da Silva (Regional) e Rafael Jorge (Sacramento) em entrevista coletiva, às 10h30 da manhã, na Depol local. 

Quatro meses de investigação
A morte de Lambreta, por volta das 20h, do dia 4 de fevereiro último, vítima de um tiro na garganta, desferido por Paulo Sérgio Castro Freire, 20, de Araxá, dentro da  Mercearia Lobato,  chocou a cidade. A partir de então, tornou-se uma incógnita pela falta de imagens das câmeras internas do comércio, e a ausência de testemunha que pudesse reconhecer ou mesmo mostrar as características faciais dos autores. A única testemunha, BCS, funcionário de um bar próximo, que naquele momento  chegava  à mercearia, disse à PM que fugiu logo que ouviu o disparo, conforme noticiou o ET ao cobrir na época a tragédia.
“- Uma testemunha, BCS, 31, chegava à mercearia, no momento do fato e declarou à PM, que eram dois indivíduos, ambos de bermudas, um branco e outro mais escuro, mas devido ao seu estado emocional não soube dar mais detalhes naquele momento.  A câmera de filmagem da mercearia não gravou a ação...”, registrou o ET ao cobrir a reportagem na época.
A investigação, segundo o delegado Rafael Jorge, começou a partir do nada. “Num primeiro momento, não tínhamos  nenhum elemento que nos levasse a algum suspeito.  As câmeras não estavam  funcionando e não tinha testemunha. Nossa investigação partiu do nada”, disse. 
 Esse “nada”, na verdade, era apenas a imagem de  um Fox preto que saiu acelerado da rua próxima ao local do crime (rua Afonso Pena, rua do almoxarifado), conforme registro de uma câmara externa de uma mercearia em frente. “A partir das imagens desse veículo, começamos a monitorá-lo e seguir a pista, até a sua apreensão, porque estava em situação irregular. A sua proprietária, Vânia Aparecida de Paula, com base em indícios e o fato de ser imprescindível para prosseguimento das investigações, teve sua prisão temporária decretada”, disse mais o delegado.
No interrogatório ao delegado Rafael, Vânia confessou que havia emprestado o veículo para Andreazo Anchieta, o Macaquinho, que pegou Paulo Sérgio na intenção de praticar o assalto. “De posse do carro e da arma, que eles conseguiram com outro comparsa, Agenor Anselmo da Costa, 44, de Sacramento, foram para a mercearia. Macaquinho ficou no carro, estacionado na rua paralela à mercearia e Rafael ficou na porta vigiando. Paulo Sérgio adentrou o estabelecimento, rendeu  o  Lambreta e o levou para o fundo da mercearia, onde desferiu o tiro”, relatou.
Os assaltantes não levaram nada e, conforme o delegado, os autores disseram nos depoimentos que ficaram “assustados com o tiro e saíram correndo”. O delegado Cezar Felipe completa, destacando que “não houve uma reação de Lambreta, talvez um simples gesto de Lambreta tenha provocado a reação do bandido”, e aproveita para fazer um alerta:
“- É o que eu sempre digo nas entrevistas, que bandido, às vezes, está com mais medo que a própria vítima. Ele vai com a arma e com o dedo no gatilho e, diante de qualquer gesto da vítima, por menor que seja, o leva a atirar”, observou Cezar Felipe, deixando claro que o que aconteceu na Mercearia Lobato foi um crime tipificado como latrocínio.   “O que houve ali foi um crime de roubo, que culminou com a morte da vítima, portanto latrocínio, não tem nada de acerto de contas como se cogitou por aí”. 
 “De acordo com a súmula 610, do STF – explicou mais o delegado - há crime de latrocínio quando o homicídio se consuma, ainda que não realize o agente a subtração de bens da vítima, isto é, se a intenção era roubar e causou a morte, independente de levar alguma coisa, é latrocínio, julgado como crime contra o patrimônio, por um juiz singular (Não vai a júri popular, o próprio juiz determina a pena - grifo nosso), cuja condenação varia entre  20 a 30 anos de reclusão”. 
Dos quatro presos, apenas Rafael de Carvalho está preso em Sacramento. Vânia Aparecida de Paula está presa em Uberaba; Andreazo Anchieta da Silva (Macaquinho) está preso em Franca, depois de ser preso em Pedregulho por roubo de uma caminhonete, e Paulo Sérgio Castro Freire está preso em Araxá, por tráfico de drogas.
 “- Agenor esteve preso, mas foi solto, porque, até então, era por porte de arma, agora que ficou provado que ele emprestou a arma para a prática do latrocínio, ele foi associado ao inquérito policial e concluída sua participação. Exceto ele, que ainda se encontra em liberdade, todas as demais pessoas têm envolvimento com tráfico de drogas e todos estavam residindo em Sacramento na época do crime”, informou o delegando, revelando como prendeu também o namorado de Vânia.
“- Durante as investigações conseguimos prender o namorado da Vânia com 1,2 kg de maconha, em  Conquista. Ou seja, a investigação pulverizou o tráfico de drogas, roubo de veículo e finalmente o latrocínio, o que significa que alguns vão responder também pela prática de outros crimes”. 

Delegado Regional elogia e agradece equipe 
Ao finalizar a coletiva, o delegado regional, Cezar Felipe Colombari da Silva, reconhecendo que foi o caso mais difícil de sua carreira, destacou e elogiou o trabalho de equipe da polícia civil e de parceiros. "Em nove anos de profissão, foi o maior sacrifício de minha vida, e foi onde vi minha polícia trabalhar de forma efetiva e com tanto empenho na apuração desse caso”, disse, agradecendo o trabalho de todos os  envolvidos. 
“- O agradecimento da Delegacia Regional pelo empenho e dedicação  dos policiais da Delegacia de Sacramento, na pessoa de seu titular, o delegado Rafael Jorge e dos investigadores Diego Lemos, Eduardo Marques e Raphael Fonseca Rodrigues; e  Douglas Silveira,  de Conquista, que foram fundamentais na construção de todo esse quebra cabeça. Trabalharam dia e noite, finais de semana, feriados. O meu respeito e agradecimento a eles por terem dado essa resposta à sociedade, isso só engrandece nossa instituição”, reconheceu. 
Por fim, estendeu seus agradecimentos aos parceiros da Polícia Civil. “Parceiros, tivemos muitos: a Delegacia de Conquista, na pessoa do Delegado Tiago Cruz, extremamente importante na identificação de integrantes da quadrilha;  o Ministério Público e o Judiciário de Sacramento, muito ágeis e atentos aos pedidos feitos pela Polícia Civil, o que facilitou nossas investigações. Agradecer, em especial, o agente penitenciário Arnaldo, que auxiliou na última peça do quebra-cabeça. A todos, muito obrigado”, concluiu.
O inquérito está concluído e remetido à Justiça.  E de acordo com os delegados, o trabalho da Polícia Civil terminou,  a não ser que o Ministério Público requisite outras informações. E, diante de tanta impunidade, ao ser questionado sobre o que espera da Justiça,  o delegado regional, acredita na justiça. 
"Sacramento é privilegiada, temos  um Promotor de Justiça extremamente atuante, um juiz que é parceiro,  caneta pesada. As falhas da legislação penal , acreditamos, serão supridas  pelo trabalho ministerial e judicial sempre feito com muito bem feito. Acredito que po rum bom tempo estas pessoas sejam tiradas de circulação e que não voltarão  a fazer mal, não".