Jornal O Estado do Triângulo - Sacramento
Edição nº 1771 - 26 de Março de 2021

Mais um sacramentano morre de acidente

Edição nº 1462 - 24 Abril 2015

Mais uma vez a cidade se entristece com a morte de outro jovem vítima de acidente. Wellington Marques Silva 24, mais conhecido como Fumaça, morreu na madrugada do dia 18 último, por volta das 2h20, na MG-190. De acordo com o BO, ao chegar no local, a PM encontrou os  ocupantes do caminhão-prancha,  Ford Cargo 816 S, placas HIV-0077,  de Frutal,  envolvido no acidente, que deram sua versão sobre o ocorrido.

De acordo com o condutor, MMAJ, que seguia de Frutal para Sacramento,  na altura do Km 181, da MG-190,  próximo à microondas, o veículo Fiat Palio ElX, placas GWV-3001, de Sacramento, que seguia em sentido contrário, invadiu abruptamente a contramão de direção atingindo frontalmente o caminhão. M.  relatou que ainda tentou desviar para evitar o acidente, porém, sem êxito. O condutor do Fiat Palio, Wellington Marques Silva, morreu no local, que foi isolado, até a chegada do perito, Marcelo Tomamik e o  auxiliar de necropsia, Hudson Fiuza. Como não foram localizados os documentos de Wellington, a identificação foi feita por um tio, CAS, e, em seguida, o corpo foi encaminhado ao IML de Araxá. O caminhão-prancha com a caminhonete que estava sendo removida pelo auto socorro, foram liberados para os proprietários e o Fiat Pálio foi removido para o pátio do Auto Socorro Ribeiro.

 

Família em choque vive o drama da perda

O ET visitou a família de Wellington, na manhã da segunda-feira 20, que se encontrava reunida na casa dos avós, José Alexandre e Filomena, com quem Wellington morava desde os oito anos. De acordo com o pai, José Geraldo da Silva, Geraldão, a família só foi localizada através de uma conta de energia que estava no carro. “Eles ligaram no vizinho, que veio aqui chamar, meu irmão foi pra lá e deparou com aquela cena...”, conta Geraldão, ainda emocionado, informando que ficou sabendo do ocorrido três horas depois.  “Só fiquei sabendo às 5h20, depois que meu irmão foi lá e viu tudo, foi que avisou”. 

De acordo com Geraldão, seu pai José Alexandre ouviu quando Wellington chegou em casa de madrugada.  “Papai viu quando ele chegou e deitou pouco antes das duas horas da manhã, mas não o viu sair. Ninguém sabe o que aconteceu, onde ele estava indo, se alguém ligou... Como o carro estragou demais, o  celular também ficou bastante danificado, com a tela escurecida, não dando pra saber se alguém ligou pra ele. Já mandamos pro conserto e falaram que tem jeito de recuperar. Queremos  saber se alguém o chamou de madrugada... Ele iria trabalhar no sábado às 7 da manhã. 

De acordo com Geraldão, antes de chegar em casa, Fumaça estava na companhia de amigos e de uma sobrinha em um bar. Por volta das 2h, segundo a sobrinha, o tio a levou até em casa, dizendo que iria dormir, fato que a família confirma. “Papai estava acordado.  Ouviu quando ele chegou e ouviu quando ele entrou para o seu quarto e fechou a porta, mas não o viu saindo”, narra o pai Geraldão, intrigado com o que  teria acontecido. “Não sei se alguém ligou para ele, dando motivo para aquela saída repentina, vamos ver através do celular depois que estiver consertado. São muitas perguntas sem respostas”. 

Jovem muito trabalhador,  desportista, batuqueiro de carnaval, a morte de Wellington foi um baque para todos, a família e os amigos. “Era um menino muito alegre, brincalhão, muito trabalhador, ficou trabalhando comigo em Uberaba três anos, retornamos e continuamos a trabalhar juntos, mas aí ele decidiu ir para o supermercado...”, afirma o pai, destacando que o velocímetro levado pela perícia havia travado nos 110 Km/h.

O fato do motorista do caminhão ter afirmado que Wellington foi indo com seu carro ao encontro do caminhão, a ponto de tentar desviar para o acostamento, levou a questionamentos sobre a hipótese de suicídio, o que é descartado por todos que conheciam o jovem, a começar pelo pai, Geraldão.

“- Jamais, ele não tinha o mínimo motivo para um ato desse, era um muito alegre, de bem com a vida, com a família, cheio de amigos, gostava de viver, era feliz, estava fazendo planos de trocar o carro, voltar a estudar. Como todo jovem, ele bebia, mas nunca de cair ou passar mal e uma coisa curiosa é que se ele ficasse bêbado, ele não dirigia, ficava no local da festa, deixava o carro”.

 O corpo de Wellington foi velado por apenas duas horas, das 13 às 15h, em urna lacrada, com a presença da família e uma grande quantidade de pessoas e de amigos que lamentavam, às lágrimas, a sua morte. 

A tia Irany, que conviveu todos esses anos com Wellington também lembra sua alegria  e brincadeiras, tendo-o mais como um filho. “Wellington era como um filho para mim, para o papai e mamãe. Ele não era sobrinho nem neto, era um filho. Muito alegre, brincalhão. Estamos como vocês viram aí , estamos  nos segurando na fé para suportar a perda, o vazio que fica”, revela, numa referência à missa pela TV, que a família reunida assistia na sala, no momento da chegada dos repórteres. 

Ainda profundamente chocado, mas resignado na fé, o pai Geraldo agradece a Deus e aos amigos.  “É uma dor muito grande, não tem como descrever. Nessa hora só Deus pra dar forças. Wellington era um bom filho para mim, para mãe dele, a Débora, e para meus pais, era um bom amigo e querido por todos. E  é isso  que nos conforta muito,  os amigos, sobretudo dele. Se não fosse a presença de  Deus e dos amigos, a nos acolher, a gente não agüentaria...”, reconhece o pai. 

 

Wellington era um apaixonado pelo carnaval, tocava repinique, que aprendeu com o pai, Gerald, quando mestre da Unidos do Areão e tocaram juntos na escola por quase dez anos. No esporte também fazia a diferença, no último Copão de Férias integrava a equipe Benefit Prime e, agora, no Amadorão, por ruptura de ligamento era treinador da equipe Pizzaria Giovana/Depósito São José, mas joga mesmo é na posição de zagueiro.

 

A solidariedade dos patrões e amigos

Para Cleomar Cardoso de Oliveira, do Supermercado Bom Preço, onde Fumaça trabalhava, foi um susto receber a notícia do funcionário. “Um rapaz muito trabalhador, responsável, alegre, que ia completar um ano de serviço aqui em maio. Nunca faltou um dia de serviço. Era só alegria aqui e será uma perda muito grande e o pior é que ninguém sabe o que aconteceu. Alguém deve tê-lo chamado e ele só pode ter cochilado...”, afirma emocionado, e completa: “É uma perda grande para a família, a empresa, os amigos.  Nessa hora não há muito o que fazer,  a não ser estar presente e dar força. Aqui nessa região do Perpétuo Socorro, Paulo Cervato, todos se conhecem, é muita união. Eu fiquei com a família, nossa equipe abriu o supermercado pela manhã, porque tínhamos  compromissos,  mas fechamos às 12h e fomos todos para  o último adeus, porque Wellington era muito querido por todos”.