Jornal O Estado do Triângulo - Sacramento
Edição nº 1771 - 26 de Março de 2021

Moção contra prefeito faz base governista abandonar plenário pela porta dos fundos

Edição nº 1470 - 19 de Junho 2015

Tudo começou quando, na ausência do presidente, e do vice, Rafael Scalon Cordeiro, a mesa foi formada pelo primeiro secretário,  Leandro Roberto Araújo (Leandro Desemboque) que assumiu a presidência, nomeando como vice-presidente ad hoc, o vereador José Maria, e o vereador secretário Luiz Alberto. 

Por volta das 22h, com a apresentação de uma Moção de Repúdio (foto ao lado) ao prefeito Bruno Scalon Cordeiro (veja no box)  contra “o caos em que se encontra o serviço público de Saúde no município”, José Maria pediu a  suspensão da sessão por dois minutos, momento em que os vereadores Leandro Desemboque e Luiz Alberto fugiram, sorrateiramente, pela porta dos fundos e o próprio autor do requerimento, José Maria, passando pelos presentes, também abandonou a reunião pela porta da frente.

Os três vereadores da base governista fizeram de bobos o pequeno público que assistia à sessão e os vereadores da oposição que aguardavam os dois minutos para reinício da sessão: Cleber Rosa da Cunha, Márcio Luiz de Freitas, Matheus Fonseca Bizinoto e Pedro Teodoro Rodrigues de Resende, autores da Moção de Repúdio. 

 

Regimento interno da casa prevê moções de repúdio

O Regimento Interno da casa reconhece como legítima a apresentação por qualquer um dos vereadores de moções, conforme o artigo 192. “Moções são proposições da Câmara a favor ou contra determinado assunto ou de pesar: § 1º As moções podem ser de: I - protesto; II - repúdio; III - apoio; IV - pesar por falecimento; V - congratulações ou louvor. § 2º As moções serão lidas, discutidas e votadas na fase do grande expediente da mesma sessão de sua apresentação”. 

Diz mais o RI, no seu artigo 120, que a sessão só pode ser encerrada antes da hora regimental nos seguintes casos: I - por falta de quorum regimental para o prosseguimento dos trabalhos; II - em caráter excepcional, em qualquer fase dos trabalhos, por motivo de luto nacional, pelo falecimento de autoridade ou alta personalidade ou ocorrência de calamidade pública, mediante requerimento subscrito por, no mínimo, um terço dos vereadores; III - tumulto grave”. 

Entrevistado por Gustavo Maluf, da RS, o vereador Leandro Desemboque, que presidiu a sessão e fugiu pela porta dos fundos, justificou - se é que existe justificativa para um ato semelhante - o seguinte: “A saída dos vereadores foi uma manobra regimental, que está dentro da lei e que a Moção de Repúdio não interessava aos vereadores e não geraria qualquer prejuízo à população de Sacramento. E que os três vereadores estão com a consciência tranquila”.

 

Vereadores de oposição lavram Boletim de Ocorrência 

Os quatro vereadores da base governista permaneceram no plenário da Câmara até às 23h15, conforme horário regimental: “Art.  125 - As sessões ordinárias realizar-se-ão às segundas- -feiras de cada semana, e cada uma não excederá de quatro horas de trabalho, salvo prorrogação única de trinta minutos, iniciando-se às 19 horas e 15 minutos no edifício da Câmara”. A seguir, acionaram a Polícia Militar e registraram um Boletim de Ocorrência. 

 

A fuga dos vereadores teve grande repercussão nas redes sociais e nas ruas da cidade na terça-feira 16. Em cada esquina, filas,  supermercados, enfim, o comentário foi geral. A fuga dos edis indignou a população e foi um prato cheio nas redes sociais, foram centenas de comentários, inclusive de gente nunca vista mostrando indignação, vídeos cobrando explicações e muitas piadas. Confira na coluna De Olho na Rede.

 

Dr. Pedro 'É preciso mudar os rumos da política de Sacramento'

Falando sobre o episódio, o vereador Pedro Teodoro, afirmou o seguinte: ‘‘Fiquei indignado com a atitude tomada pelos vereadore, Leandro Araújo (Desemboque), que assumiu o cargo como Presidente interino, o vereador Dr. José Maria Sobrinho, que assumiu o cargo de vice-presidente convidado pelo Presidente em oficio, Leandro, e assumindo a Secretaria o vereador Luiz Alberto, que se evadiram da sala de sessões da Câmara Municipal, por não concordarem em colocar em votação a Moção de Repudio ao Prefeito Municipal Bruno Scalon Cordeiro, assinada pelos vereadores Marcio Marzola, Matheus Bizinoto, Dr. Pedro Teodoro e Cleber Cunha. 

Esta moção ao Senhor Prefeito nada mais é do que o nosso repúdio e descontentamento sobre a real situação da Saúde em nosso município, que se encontra caótica, pela falta de médicos, medicamentos, dificuldade de liberação de exames médicos e a falta de talonário de receituário nos postos de saúde. 

Já na Santa Casa de Misericórdia de Sacramento, faltam Médico Ortopedista, Anestesistas e Pediatras, assim, praticamente, não nascendo mais crianças em Sacramento. Tudo isto é comprovado pela população, que inconformada por duas vezes quebraram a porta do Pronto Socorro, lavrando ainda, vários boletins de ocorrência por falta de atendimento PS. 

A situação está tão critica que é difícil acreditar que faltam materiais de limpeza e até papel higiênico nos postos de saúde. Pergunto aos vereadores que se ausentaram da sessão: 

“- Vocês foram eleitos para defender a população, ou defender as mazelas do prefeito?”

Essa atitude tomada fere o decoro parlamentar, por desrespeitar os vereadores presentes, as pessoas que estavam no plenário da câmara e os ouvintes da radio transmissora da reunião.

Acrescente-se a isso, que o vereador Leandro Araújo (Desemboque), suspendeu a sessão por dois minutos e não mais retornou; portanto, não finalizou os trabalhos e não fechou, contrariando o regimento interno da Câmara Municipal.

Além de que, no Regimento Interno da Câmara, no Art. 192. § 2° consta que: “As Moções serão lidas, discutidas e votadas na fase do grande expediente da mesma sessão de sua apresentação”, novamente o presidente em exercício não cumpriu o que determina o regimento. 

 

Por ações como essa, é que a descrença nos políticos aumenta a cada dia; mas, nós, vereadores da oposição, estamos fazendo de tudo para mudar essa imagem e traçar novos rumos para a política Sacramentana, fiscalizando todos os atos da administração municipal.

Vereador Matheus pede desculpas aos ouvintes e à população
Na manhã da terça-feira 16, o vereador Matheus Fonseca Bizinoto (foto), entrevistado pela  Rádio Sacramento pediu desculpas à população. Filho do ex-vereador Maurílio Juvêncio Bizinoto, disse que assustou com a atitude dos vereadores José Maria, Luiz Alberto e Leandro Desemboque. 
“- Nunca imaginei que chegaria a uma situação de ver três vereadores da Mesa Diretora, se evadindo do plenário, e deixando, não só nós vereadores da oposição, como também a população a mercê, sem saber o que aconteceu. Suspenderam a sessão por dois minutos para uma reunião da Mesa Diretora e até agora não voltaram. Isso muito me entristece, porque ali é uma Casa de Leis, uma casa de respeito...”, refletindo sobre o trabalho da oposição, que também ajuda o prefeito a governar, até mesmo quando apresenta uma moção de repúdio. 
“- Nós, vereadores de oposição, fizemos essa moção de repúdio para acordar o prefeito. A população vem vendo e lendo pela imprensas e redes sociais as medalhas ganhas pelo governo, pelo trabalho da Casa do Idoso, medalha não sei de onde... Mas, enfim, nós fizemos esse requerimento pra mostrar a ele que seu governo não está bonito, como ele vem mostrando à população. Isso não machuca ninguém, não. Isso é um alerta, um 'puxão de orelha', no entanto os vereadores da base governista agiram com uma falta de respeito muito grande... Estou muito indignado, envergonhado com essa situação e, por mais que nós da oposição,  não tenhamos culpa nenhuma,  peço desculpas pelo que aconteceu naquela casa de leis”.