Jornal O Estado do Triângulo - Sacramento
Edição nº 1777 - 07 de Maio de 2021

Perder faz parte do processo democrático

Edição nº 1122 - 6 Outubro 2008

Nobuhiro Karashima - Dr. Biro

ET – Biro, vamos começar assim, fazendo uma análise do resultado da eleição, como você aceita o resultado?

Biro – Bom, a gente aceita com maturidade, serenidade. A opção que o povo de Sacramento fez, não é? Mas aceitar com maturidade e serenidade não quer dizer aceitar com facilidade. É difícil perder, porque a gente perdeu muito. A gente não perdeu só as eleições, porque nós temos sonhos, sabe? Então, praticamente, nós perdemos nossos sonhos, de realizar nossos sonhos. Uma coisa que nós cometemos um erro, é de não ter conseguido transformar os nosso sonhos, transmitir os nossos sonhos para que fossem também sonhos do nosso povo. Não é verdade? A gente sonhava com uma cidade muito mais rica, a gente sonhava com uma família muito estruturada, profissionalmente. A gente sonhava com oportunidades de crescimento espiritual, crescimento social e financeiro também... Mas nós perdemos nosso sonhos. E são outros os sonhos da nossa comunidade e, portanto, a gente tem de aceitar com maturidade e serenidade, mas eu vou repetir, mas não com facilidade.


ET – O jornal ET publicou há um mês uma pesquisa da Instituto Veritá te dando uma vantagem de dez pontos. O que aconteceu que sua coligação não conseguiu segurar aquele resultado?

Biro – Evidentemente, cometemos alguns erros. Uma vitória ou uma derrota é a somatória de pequenos acertos ou pequenos erros. E o pessoal do PMDB teve um discurso, para o povo, mais eficiente. Nossa coligação queria fazer o povo sonhar e o povo não estava a fim de sonhar, o povo estava a fim de ter uma oportunidade. O grande problema da maioria de nossa população é que vê todas as portas fechadas. E são difíceis as oportunidades de crescer de uma forma intelectual ou de uma forma financeira. E no pedido de uma oportunidade, de nosso adversário, naquele momento, o que o povo ouvia, era como se fosse um pedido de oportunidade para ele. 


ET – Mas os seus sonhos não eram também oportunidades para todos?

Biro – Eram, mas o povo se identificou mais com a mensagem de nosso adversário. Igualzinho, quando a gente torcia para o Ayrton Senna. Quando o Ayrton Senna estava no cop-pit do seu carro não era só ele, era a gente também. Então, o pessoal identificou muito com o pedido dessa oportunidade de nosso adversário. E é isso o que o pessoal precisa, uma luz, uma oportunidade e seria exatamente isso o que a gente gostaria de fazer, criar oportunidades para todos. Então, isso aí é uma questão psicológica. As pessoas absorveram muito bem o discurso de nosso adversário. E o nosso discurso não foi absorvido. As pessoas não conseguiram sonhar os nossos sonhos.


ET – Quando você fala de pequenos erros, que erros seriam esses?

Biro – Número de candidatos a vereador, por exemplo. Precisaríamos de uma coligação mais ampla. Nós tínhamos 15 candidatos a vereador contra 40 de cada uma das outras coligações. Portanto, tinham muito mais representantes. A falha de nossa captação de recursos. A gente trabalhou com muito pouco dinheiro. E, também o modo como a gente escreveu nosso discurso. Nós erramos bastante no modo como a gente quis transmitir nossa mensagem. Nós não conseguimos nos fazer entender através da revista, através do jornal, do rádio, através, às vezes, do nosso próprio discurso. Em termos de campanha, eu acho que nossa campanha foi, estrategicamente, adequada, o que falhou foi a comunicação entre a gente e o povo. 


ET – Falando de povo, você tem aí, também, toda essa massa que te apoiou, que quis sonhar com você os seus sonhos. O que você tem pra falar para esses seus eleitores?

Biro – Os meus amigos, companheiros, irmãos... Eu acho muito interessante uma coisa: as amizades se consolidam muito mais nas derrotas do que nas vitórias. Eu acho isso muito interessante. Hoje eu conheço muito mais gente. Eu nunca tinha feito uma campanha tão próxima ao povo, tão olho no olho, tão assim, quase uma cumplicidade, quase uma negociação, uma troca de informações. Eu estou falando complicado de novo e, provavelmente, muita gente não vai entender (risos). 


ET _ Não, tá bom, você tá falando de companheirismo, companheiro vem do italiano, 'companius', ou algo assim, aquele que compartilha o pão...

Biro – Então, o que eu falo é que conheci e convivi muito mais com as pessoas. E essas pessoas que confiaram em mim, além da confiança que elas me transmitiram, elas também me transmitiram informação, que me fez crescer como político e como pessoa. A solidariedade que eu tive dos meus companheiros mais próximos e de todos aqueles que confiaram em mim, fizeram-me ver o homem muito melhor do que eu imaginava. E, por isso, eu só tenho por essas pessoas, por esses companheiros um agradecimento profundo e a certeza de que os nomes dessas pessoas não estão marcados na minha agenda, estão marcados no meu coração. Agradeço a todos com a maior sinceridade, a maior gratidão e o maior amor que eu possa conseguir. Foi nessa campanha que, pela primeira vez, eu disse que amava o povo e, realmente, eu amo esses meus companheiros. 


ET – O que mais te magoou na campanha?

Biro – Ahh! Na verdade, depois que passou tudo, são coisas assim... E ganhei tanta coisa que a mágoa já se foi, sabe? Nem a derrota, pois esse negócio de perder a eleição pra mim, três palitos. Não me abate, sabe? Porque dentro do processo democrático, a gente tem que aceitar as coisas... Mas o que, agora, não é mágoa, não. O que me indignou muito foram os métodos heterodoxos de meus adversários de fazer campanha. Métodos que não estão dentro do manual de bons políticos... E nós vamos pular essa partezinha, porque eu gosto de falar é de coisas boas (risos).


ET – Bom, então, falando de coisas boas, o que mais te fez feliz?

Biro – Pessoalmente, meu crescimento emocional, intelectual, sabe? Aprendi muito com o povo e o que mais me deixou feliz mesmo é que eu não tenho mais agenda no bolso, na mesa, eu tenho agenda no coração. E nessa relação que eu tive com a nossa comunidade, eu conheci pessoas fantásticas, pessoas que me ensinaram gratidão. Hoje sou muito grato a essas pessoas. Esse sentimento de gratidão é uma coisa que enriquece e me enobrece, porque a minha busca não é riqueza, é sabedoria. E, com certeza, eu saio muito mais sábio, eu saio muito mais gente, eu saio muito maior em todos os aspectos, do que quando eu entrei nessa campanha. 


ET – O que o Biro vai fazer agora?

Biro – O Biro agora vai tocar as suas cinco firmas, que por conta da campanha ficaram todas paradas e serão agora reativadas. Mesmo porque elas têm uma expectativa de realizações fantásticas. São firmas sobre questões ambientais, sobre energia... Eu estou querendo ficar rico, vou experimentar ficar rico. Se eu não gostar eu largo. 


ET – Pra terminar, essa derrota significa desistir de seus sonhos políticos?

 

Biro – Nunca! Quero continuar contando com todos os meus amigos. É uma coisa interessante, todas as pessoas que trabalharam comigo, a exceção das meninas que foram contratadas, foram voluntárias. Nossos companheiros foram todos voluntários, todos trabalhando por um sonho. Então, quer dizer, nós perdemos a oportunidade de estar materializando esses sonhos. E se hoje eu conto com todo mundo, porque hoje nós terminamos uma campanha, amanhã nós estaremos começando outra. Uma derrota não implica que a gente tenha de abandonar todo o processo político de nossa cidade, uma cidade que a gente quer que cresça e que seja melhor. Então, é assim, hoje, dia 5, sofremos esta derrota; amanhã, dia 6, continuaremos na batalha, na política, e com um objetivo bem claro: daqui a quatro anos, eu ou algum companheiro nosso, vai nos representar. Nós vamos estar de novo na política e queremos contar com todas essas pessoas que confiaram na gente este ano. 

 

Joaquim Rosa Pinheiro

ET – Como o Sr. está aceitando o resultado da eleição?

Joaquim - O resultado de qualquer eleição representa o que a população deseja naquele momento e como captou as mensagens que lhe foram passadas. Da nossa parte, temos a certeza de que nossas propostas eram plenamente realizáveis e a consciência de que administramos bem e alavancamos progresso para Sacramento neste nosso atual mandato. Como homem público e cidadão, respeitamos a democracia. Esperamos que a população de Sacramento não se decepcione com a opção feita ontem, mas não temos dúvidas de que o nosso programa de governo era o mais bem elaborado e o que apresentava as melhores propostas para a comunidade. 

 

ET – Que análise o Sr. pode fazer sobre a campanha do 25, onde foi que erraram?

Joaquim - Fizemos uma campanha de alto nível, séria e responsável e de respeito tanto aos adversários como à sociedade. Não há que se falar em erros ou acertos de campanha. Cada grupo tem as suas estratégias. A nossa foi a de mostrar nossas realizações como prefeito – e foram muitas e importantes. Fomos ao mesmo tempo prefeito e candidato, não quisemos abrir mão de exercer todos os dias o mandato que termina em 31 de dezembro. De forma que o tempo para estar junto ao eleitor foi menor que a dos outros candidatos. Além do mais, e todos sabem, muitas mentiras e polêmicas foram criadas por nossos adversários no sentido de tentar enfraquecer-nos e confundir a opinião pública. 

 

ET – Falando nessas polêmicas, o que mais o magoou durante a campanha?

Joaquim -  Não somos de carregar mágoas vida afora, mas espero que um dia as campanhas possam ser mais positivas, mais verdadeiras e que os candidatos se preocupem em levar suas mensagens aos eleitores ao invés de buscarem criar fantasmas para confundir o meio de campo.


ET – Então, o que mais o deixou feliz?

Joaquim -  As felicidades foram enormes: a receptividade do eleitor, o reconhecimento de nosso Governo, o exercício da democracia, o comprometimento de nossa equipe, o apoio da família e dos amigos, a tranqüilidade mantida durante todo o processo mesmo com tantas pressões.

 

ET – O sr. reconhece a receptividade do eleitor, o que o Sr. teria a dizer para esses eleitores que o apoiaram?

Joaquim – Agradecer a cada um dos nossos eleitores, porque cada voto que recebemos foi o voto de quem acredita num projeto político baseado na verdade. Nossos votos foram votos de quem realmente apóia a nossa forma de fazer política, foram votos realmente espontâneos.

 

ET – A três meses do final de seu mandato, com várias obras em andamento, como o Sr. espera termina-lo?

 

Joaquim - Vamos terminar este nosso mandato com a mesma seriedade com que o fizemos até agora. Não somos revanchistas e temos o pleno discernimento de que o mandato que termina em 31 dezembro faz parte da procuração outorgada pela sociedade de Sacramento há quatro anos. Sempre procuramos administrar pensando no melhor para a nossa cidade e este será o espírito que norteará a nossa atividade como prefeito até o último dia da nossa Administração.