Jornal O Estado do Triângulo - Sacramento
Edição nº 1737 - 24 de julho de 2020

Gêmeos separados desde o nascimento se reencontram virtualmente após 23 anos

Edição nº1733 - 26 de Junho de 2020

Tomaz Maranhão (direita), que mora em Fortaleza, e Gabriel Ferreira (esquerda), que mora em Uberaba são gêmeos idênticos, que não sabiam do paradeiro um do outro até se encontrarem virtualmente no início deste mês e, nessa quinta-feira 25, através de conversas por vídeo chamadas combinaram se ver pessoalmente.

 

Tudo começou em 25 junho de 1997, quando a cearense Liduína deu à luz gêmeos idênticos, na periferia de Fortaleza.  Como não tinha condições de criá-los, ela e o companheiro, pai dos dois meninos, tomaram então a difícil decisão de entregá-los para adoção, poucos dias após o nascimento. Adotados por famílias diferentes, Tomaz, na capital cearense; Gabriel, em Uberaba, os irmãos se conheceram virtualmente no início de junho. Coincidentemente, ambos fotógrafos, o reencontro só foi possível graças a uma fotografia.

Adotado por Socorro Maranhão, anos depois Tomaz foi apresentado a sua mãe biológica, e dela ganhou a imagem que indicaria um caminho importante. “Nos encontramos na minha casa. Foi bem forte pra mim, pois foi a primeira vez em que eu vi alguém tão parecido comigo", afirmou Tomaz, sobre o reencontro com a mãe. "Ganhei dela dois presentes: o nome e a foto do aniversário de um ano do meu irmão, que ela recebeu da pessoa que o levou. Ela foi muito importante nessa busca, por me dar nome e rosto de quem estava com ele”, comentou Tomaz.

Ao longo dos anos, inúmeras foram as vezes em que Tomaz – que trabalha como assessor da coordenação geral do Museu da Fotografia de Fortaleza – recorreu às redes sociais para procurar o irmão, mas não teve sucesso em nenhuma delas.

Até que, no dia  1º de junho de 2020, ele teve um estalo: atrás da fotografia que Liduína (mãe biológica) havia lhe dado, havia o nome da mãe adotiva de Gabriel. E foi a partir daí que ele resolveu reiniciar as buscas no Facebook. Em menos de 30 minutos, localizou o perfil de Vanda, após filtrar por cidade e identificação nominal. 

“Meu coração parecia saltar do peito, eu suava, até que vendo as fotos dessa senhora, me encontrei, me vi numa imagem com um senhor, do lado de um fusca. Eu entrei em pânico, pois não acreditava que aquilo estava acontecendo e que eu era tão parecido com ele. E ele comigo”, relata Tomaz. 

O contato com a família adotiva do irmão se deu por intermédio de uma policial civil, Nívia, que falou com a mãe adotiva do irmão. Gabriel, que não tinha nenhuma pista do irmão até esta data, ficou sabendo que havia sido encontrado por Tomaz por meio de uma ligação da mãe adotiva durante o expediente. “Para mim, foi um grande choque, tive que me sentar e parar para raciocinar o que estava acontecendo. Minha cabeça ficou a um milhão e eu não conseguia acreditar nisso. Entrei em contato com ele pelo Facebook...”, relata Gabriel.

A primeira videochamada dos gêmeos foi feita durante o intervalo do trabalho de Gabriel. “Não sabíamos o que fazer nem o que falar um para o outro. Ficamos chocados com a nossa semelhança, e confesso que estava um pouco assustado com ela. Mas foi um misto de sentimentos tão grande, que eu me sentia anestesiado e com uma paz interior, um alívio enorme...”, confessou Gabriel.

Agora, os irmãos sonham com um abraço presencial, que ainda não foi possível por causa da pandemia do novo coronavírus. “A minha vida inteira senti falta de mim mesmo, era um sentimento de perda. O achado do Gabriel me deu um novo ar de vida. Me fez ver que mesmo diante de toda situação crítica e triste que nos encontramos, há esperança", diz Tomaz. "Nosso maior sonho agora é sentir o poder do nosso abraço, poder materializar o nosso encontro. Sentir nossos corações que foram gerados juntinhos, mas que, por situações da vida, foram separados".

O reencontro dos dois com a mãe biológica, Liduína, por vídeo chamada, também já aconteceu. “Fiquei muito feliz em poder estar vendo quem me gerou e conhecer a minha raiz. Pedi que ela sentisse paz em seu coração, pois o ato de nos entregar para a adoção foi heróico e mostrou que realmente queria nos ver bem e com saúde, como o sentimento de qualquer mãe que ama seus filhos”, reconhece Gabriel, acreditando que o irmão o ajudou a tornar este ano o melhor de toda sua vida.

“Este aniversário será inesquecível para mim, pois foi o maior e melhor presente que eu poderia receber”, conclui. 

 

 (Fonte: https://g1.globo.com/ce/ceara/)