Jornal O Estado do Triângulo - Sacramento
Edição nº 1748 - 09 de Outubro de 2020

Saudades...

Edição nº 1356 - 05 Abril 2013

Cinco perdas marcaram a vida de muitos sacramentanos no último final de semana, e todos de alguma forma deixam suas histórias de vida. Monika Lage, 52; Ademar Melo, 28 (veja na PM em Ação); Dadá Rodrigues, 59; Nelson de Almeida  Lima, 48, e José Alfredo Dias, 69. Conheça suas biografias.

 

Monika Lage

 

A coordenadora do Projeto Germinar, Monika Edith Dufner Lage morreu às 9h30 da manhã do dia 15 de março, aos 52 anos, em sua residência, rodeada pelo esposo, filhas, a irmã e vizinhos que tinham por ela uma grande amizade. Velada por um grande número de amigos, representantes de entidades sociais beneficiadas pelo projeto e funcionários da Minas Agromercantil, foi enterrada no Cemitério São Francisco de Assis, depois de culto proferido pela Profa. Alzira Bessa França Amui. 

Descendente de alemães, filha de Alberto Dufner Filho e Hildegard Kruger, Monika nasceu em São Paulo no dia 31/03/61.  Casada com  Luiz Augusto Lage, funcionário da Minas Agromercantil, eram pais de  duas filhas, Irys e Larissa. A família mudou-se para Sacramento em janeiro de 2004 e aqui se destacou pelos trabalhos sociais a que se dedicava, especialmente o Projeto Germinar, da empresa Minas Agromercantil.

Fundado em 2006, o projeto foi criado pela empresa com o objetivo de minimizar as diferenças e melhorar as relações sociais entre os menos favorecidos. “E foi graças ao trabalho voluntário da amiga e companheira Monika, graças à sua boa vontade, desprendimento, sua benevolência, prestando uma enorme colaboração na liderança de todas suas ações, que o projeto caminhou tão bem durante todo esse tempo”, reconhece agradecido o funcionário Marcelo Ferreira Bianchini.

“- Nessa caminhada liderada por Monika – diz mais Marcelo - podemos destacar mais de seis mil  atendimentos, que  tiveram o seu empenho, dedicação, para que tudo acontecesse a tempo e a hora, no trato ao seu semelhante”. 

Mas o trabalho voluntário de Monika não se restringiu só às atividades na Minas Agromercantil, ela foi uma obstinada  em outros projetos sociais da cidade. De acordo com os colaboradores do Projeto Germinar, tudo isso, a fez uma mulher guerreira, pois onde passava deixava os frutos da amizade. “Víamos em você um desprendimento cada vez mais apurado, pois quanto mais se empenhava na força ao próximo, mais o seu rol de amizade aumentava; daí nosso agradecimento a você,  Monika, por termos tido a grande oportunidade de trabalharmos juntos”, reconhecem agradecidos os funcionários da empresa.

Monika, o marido e as filhas adotaram Sacramento como sua terra e se tornaram atuantes na sociedade. Por indicação do vereador Pedro Teodoro Rodrigues Rezende, no início de fevereiro, Monika receberia o Titulo Honorífico de Cidadã Sacramentana, mas não teve tempo para isso. Mas com certeza, suas ações na cidade ficarão para sempre nos corações de todos aqueles que a conheceram, sobretudo daqueles que foram beneficiados com o seu trabalho e dedicação. 

 

Nelson de Almeida

 

Nelson de Almeida Lima morreu no Hospital A. C. Camargo, em  São Paulo,  na madrugada do domingo, 31. Trasladado para Sacramento, seu corpo foi velado no Velório Mauricio Bonatti a partir das 12h e sepultado ás 16h, após bênçãos e culto proferidas pelos irmãos de fé, Reginaldo Reis e Olavo Luiz Miguel, da Igreja Casa de Oração. Nelson deixa, além da esposa, a sacramentana Beatriz Araújo e três filhos, além dos irmãos, Elton e Rosângela e seus irmãos com quem conviveu na Vila Alexandre Simpson.

De acordo com Giovanni Fernandes da Silva, um de seus contemporâneos da Vila, Nelson era uma criança de três anos quando sua mãe o deixou, junto com o irmão Elton, na instituição. “Menino vivo, alegre, brincalhão, bom de bola. Seguiu conosco até a morte de Mr. William, quando passou a morar na Creche Alexandre Simpson, com Da.Cristina. Seu primeiro emprego foi na antiga fábrica Pestalozzi, como cortador de couro, e ficou uns tempos em Franca, até radicar-se em Sacramento com a esposa Beatriz. Mas nunca perdeu o contato com seus irmãos de fé, da igreja e lá da vila”, lembrou.

De acordo com o cunhado, o empresário Jaime Eduardo Araújo, há dois anos, Nelson vinha se submetendo a um tratamento contra um câncer. “Ele foi operado em São Paulo, há dois anos, uma cirurgia muito delicada que durou nove horas. Ficou bom, continuou com o tratamento, mas nos últimos três meses seu estado de saúde complicou. Até que teve que ser internado, mas não resistiu, uma semana depois, veio a óbito, no mesmo hospital, em São Paulo”. 

 

Dadá Rodrigues

 

Diria o poeta: o céu ganhou dois artistas, um do palco; outro, da cavalgada. Dadá Rodrigues, 59, morreu às 4h30 da manhã do domingo, 31, na Santa Casa de Misericórdia, depois de ser internado no sábado, por volta das 13h. Após ser embalsamado em Araxá, Dadá foi velado na Casa do Artista da Cia de Teatro Movimento Cênico, no domingo, até às 14h da segunda-feira, quando foi trasladado para Itapecerica da Serra (SP), onde foi cremado na quarta-feira, 3, às 10h. 

Ele nasceu Odair Papaiz, 59, mas tornou-se conhecido mesmo como Dadá Rodrigues, nome que adotou artisticamente como ator, cenógrafo, diretor e professor da arte de interpretar. 

Bancário aposentado do Banespa, Dadá, e a esposa Rose Del Carmen, nome artístico da economiária Roseli Aparecida Vanni Papaiz, chegaram a Sacramento em setembro de 2008, depois de tentar a vida por quatro meses na cidade de Rifaina, onde mora seu  único filho, Canauê. 

O casal tinha um único objetivo: investir na cultura teatral na região.  “Dadá sempre mexeu com teatro, sempre gostou, eu comecei com ele, depois debandei pra música. No início, ele intercalava o teatro com as atividades de bancário do Banespa. Em 1993, ele teve um AVC, ficou vários dias em coma, internado ao deixar o hospital, aposentou-se do banco e passou a dedicar-se à arte  que sempre amou. Cansados de cidade grande, decidimos sair em busca de algum lugar. Vimos para Rifaina a convite de Canauê. Mas não deu e,  sacramento, veio como que uma intuição divina, até porque somos espíritas”. 

Na cidade, Dadá começou a buscar apoios para investir num grupo de teatro, o que só se consolidou no início de 2009, com o curso implantado no Galpão Cultural da Escola Coronel, espaço cedido pelo então diretor Fábio Luiz Sebastião. Em setembro de 2011, Dadá foi vítima de um AVC isquêmico de bulbo. 

“No dia 24 de setembro inauguramos a sede da Companhia de Teatro e, no dia 25, ele teve o AVC. Ficou no hospital São Marcos, em Uberaba, quase dois meses. Em 14 de novembro, ele teve alta e voltamos para Sacramento, passando a viver sob meus cuidados e profissionais da saúde, enfermeira, três técnicas  de enfermagem, fisioterapeuta, fonoaudióloga, e amigos”, conta Rose, afirmando que durante todo esse tempo Dadá permaneceu lúcido. “Dadá não viveu em estado vegetativo, ele era lúcido, sabia de tudo e de todos, e nunca reclamou”, afirma.

Rose conta ainda que Dadá era muito forte, 17 anos antes   teve um AVC. “Paralisou o lado direito e, em um ano, com os exercícios de teatro, ele se recuperou”.

Dadá teve uma grande história de vida. Um momento ímpar de alegria para ele no mês de março (08/03), foi receber a visita do jornalista Audálio Dantas, que lançou sua mais recente obra, As duas guerras de Vlado Herzog, em Sacramento. 

A história de militância política, nos tempos difíceis da ditadura no país, uniu os dois profissionais em uma das prisões do Doi-Codi, em São Paulo. Dadá era um dos presos na cela ao lado, onde Vladimir Herzog foi torturado e morto pelos militares.

“- Audálio foi visitá-lo, conversou com ele, recordou fatos, como o da liberação dos presos políticos para participar do ato ecumênico em homenagem a Vlado, na Catedral da Sé. Todos eles de camisas de mangas compridas para encobrir as marcas de tortura...”, recorda Rose. 

E de fato, somos testemunhas de que Dadá se comunicava pelo olhar, sempre brilhante, límpido e sorridente. Nós o recebemos várias vezes na redação do ET para uma informação, uma notícia sobre seu grupo e um papo gostoso. Durante este um ano e meio de sua vivência acamada, a Cia de Teatro não parou os trabalhos no palco, apresentando a peça Bailei na Curva; Cantos da Liberdade, Gritos da Opressão  e alguns folhetins, dentre outros. 

O estado de saúde agravou no sábado, por volta das 12h, Dadá foi internado e veio a óbito às 4h35 da manhã do domingo.  Seu corpo foi velado na Casa do Artista, um velório surreal, com músicas de MPB, declamação de poesias e pequenas peças improvisadas. Sobre seu corpo, as máscaras, símbolos do teatro, a roupa de um de seus personagens e debaixo do féretro os seus sapatos. 

Na saída para Itapecerica da Serra, várias canções, dentre elas, Amor de Índio, de Roupa Nova, na voz de Júlio Pucci e os demais presentes.  

De São Paulo, na terça-feira, 2,  Rose ligou para informar que por sugestão do vice-prefeito, Geraldo Carvalho, com a aprovação dos demais membros da Cia de Teatro, o grupo passa a ser denominado  Cia de Teatro Chão Palco Dadá Rodrigues.

 

José Alfredo

 

José Alfredo Dias, 69, morreu na noite do domingo, 31, no Hospital Hélio Angotti, onde fazia tratamento contra um câncer nos ossos há quase três anos e encontrava-se internado desde a quinta-feira, 27. Trasladado pra Sacramento, José Alfredo foi velado por muitos familiares, amigos e conhecidos, e sepultado na segunda-feira, 1º, às 16 h.   

José Alfredo foi notícia no ET no mês de março, por ocasião da visita (22/03) da visita da filha, jornalista Suzy Costa, residente em Fortaleza. José Alfredo era a mais pura felicidade. Na oportunidade, recordou sua temporada no Mato Grosso, na década de 1960 e depois no Acre, onde conheceu a atual esposa, de 45 anos de união, Nilva Nunes. Retornando a Sacramento com a família, a esposa e a filha Cintia, José Alfredo fincou pé nas suas terras de origem. Aqui nasceram os outros filhos, criou a família, que conviveram com Suzy, nos tempos do curso de Jornalismo em Uberaba. O amor à terra e às  raízes foi o forte na vida de José Alfredo, um apaixonado por cavalos, sobretudo os muares. Foi um dos grandes muladeiros do município, que se encantava pelos animais vistosos  nos desfiles e cavalgadas por onde passava.

Montado numa mula, por 18 anos foi peregrino de Nossa Senhora d´Abadia, em Romaria (Água Suja) com o grupo Cavaleiros de Nossa Senhora. Por uma vez, foi ao Santuário Nacional de Aparecida, em visita à padroeira, Nossa Senhora Aparecida. A última viagem foi em 2010, depois não pôde mais montar pela doença. “Com orgulho exibia as fotos com os amigos e toda sua traia de montaria, que fez questão de guardar e cuidar. Ele limpa, lustra os arreios, os estribos e fica aí olhando. Ele não pôde montar mais, desde que adoeceu há três anos”, recordou ao ET a esposa Nilva.

 José Alfredo foi sepultado vestindo a camisa vermelha e preta do uniforme do grupo de muladeiros. “Ele fez esse pedido, disse que queria ser sepultado com o uniforme”, informou Nilva. Ele deixa a esposa Nilva, os filhos Suzy, Cíntia, Valeska, Amilton (Terezinha), Alexandre (Josy), Salomão (Ivete), netos e inúmeros amigos.