Jornal O Estado do Triângulo - Sacramento
Edição nº 1742 - 28 de agosto de 2020

Matheus Leone, aluno Nota 10: Sacramentano brilha no vestibular

Edição nº 1460 - 10 Abril 2015

Matheus Leone Borges 18 é um daqueles jovens que podem ser chamados de 'menino prodígio', pela sua dedicação e prazer pela leitura, pesquisa e estudos. A 'prova dos 9' está estampada no resultado dos últimos vestibulares. Matheus poderia escolher a sala de qualquer uma destas universidades para sua vida acadêmica: Unifei, Usp, Unesp ou Unicamp, onde se assentou para cursar Engenharia Mecânica. 

 Filho de Ronaldo Borges e Maira Gerolim Leone, Matheus cresceu em meio a livros e desde criança se dedica à leitura. “Sempre estudou muito. E Matheus cresceu numa época em que eu cursava Direito e vivia rodeada de livros, acredito que  isso o tenha influenciado, estava sempre estava com um livro na mão. Nunca deu trabalho,  nunca precisamos  mandá-lo ler, estudar, fazer tarefas, impor horários de estudo”, revela a mãe.

 O pré-escolar foi feito na Escola Infantil Sílvia Vieira, até então a única a oferecer o curso na cidade. A partir do 1º ano ingressou no Colégio Rousseau onde estudou por 11 anos, até concluir o ensino médio, revelando-se como um dos melhores alunos que passou pelo colégio.   

“- Sempre gostei de ler, estudar, pesquisar, por mim mesmo. Sempre gostei muito de todas as matérias, mas as minhas preferidas eram as exatas, tanto que estou cursando Engenharia Mecânica.  A Matemática, a Física sempre me despertaram interesse pelo raciocínio, a lógica, enfim a maneira como devem ser compreendidas. Mas ainda assim, sempre me dediquei muito à Biologia, Literatura, enfim a todas as matérias”, relata, em entrevista quando retornou a Sacramento, nos feriados da Semana Santa, depois de dois meses de estudo na Unicamp.

Some-se aos conteúdos escolares, a paixão por filmes e músicas. “Matheus não espera nem o filme chegar, baixa tudo e assiste de todos”, conta o pai Ronaldo.   

 

Desde o sétimo ano, Matheus já sabia o que queria

A decisão pelo curso de Engenharia Mecânica não veio por acaso, desde o sétimo ano ele já sabia que carreira seguir. “Eu já pensava muito na Engenharia  Mecânica ou Mecatrônica. Embora tenha sido aprovado para Mecatrônica na USP, decidi pela Mecânica. 

Desde o primeiro ano do ensino médio Matheus vem prestando vestibulares e o Enem como treineiro e obtendo excelentes resultados. “Sempre fiz vestibulares na área de exatas, inclusive, alguns vestibulares não permitem a escolha de cursos para treineiros, eles disponibilizam três áreas, humanas, biológicas e exatas e eu optava sempre pela área de exatas. Além disso, eu fiz três vezes o Enem e, no segundo ano, já dava para ingressar na universidade”, recorda. 

Nos últimos vestibulares, após concluir o 3º Colegial, Matheus foi aprovado nas provas da Unesp, USP, Unicamp e Enem. “Pelo Enem conquistei o primeiro lugar na Universidade Federal de Itajubá (UNIFEI), mas eu queria a Unicamp, onde passei na primeira chamada”, diz, informando outras aprovações: “Passei na primeira chamada também na Unesp, em 7º lugar; na primeira chamada na USP para o curso de Mecatrônica, minha segunda opção e, depois, na terceira chamada para o curso de Engenharia Mecânica”. 

De acordo com o hoje aluno da Unicamp, o processo não o estressou, como acontece a muitos estudantes às vésperas dos exames. “Não deixei de viver meu dia a dia de forma saudável. Eu tinha tempo para a leitura que eu gosto, para meus filmes, minhas músicas, televisão, os amigos. Eu sabia que não adiantaria nada e nem me faria bem ficar só em cima dos livros. Ia além do que me ensinavam através da leitura de outros livros, jornais, filmes, internet”, aconselha.

Razão ter passado apenas por uma ansiedade natural no momento das provas. “Nada, porém, que me prejudicasse, apesar de o vestibular ser uma prova de resistência e psicológica. A gente fica lá quatro,  cinco horas, então é uma prova cansativa,  a pessoa tem que estar preparada para isso e vi gente chorar, se desesperar  antes, durante e depois das provas...”, explica.

 

O sonho de ir para o exterior

Já proficiente na língua inglesa, Matheus já está de olho no Ciência sem Fronteira, programa do governo federal que leva universitários a cursos e estágios no exterior. “Pretendo ir para a Alemanha, referência mundial em Engenharia de todas as áreas e, para isso, já me matriculei no curso de Alemão, na expectativa de que o programa continue. Se Deus quiser, vou conseguir”, diz mais, otimista. 


Elogio ao Colégio Rousseau

A exceção do 'prezinho', Matheus estudou 11 anos no Colégio Rousseau, a quem elogia muito. “O Rousseau me ajudou muito, os professores são gabaritados, receptivos, nos orientavam bem na preparação, nos questionamentos sobre carreiras, cursos”, afirma. Mas ainda assim acredita que falta nas escolas de modo geral, o lúdico e a arte de um modo geral, a “caixa de brinquedos”, citada por Rubem Alves.  

“- Essas atividades lúdicas e de formação artística, espiritual não são muito valorizadas no Colegial, valorizam mais a preparação para o vestibular. E acho que são importantes, porque elas preparam melhor o lado humano, o emocional,  trabalham a comunicação,  ajudam a relaxar  e são coisas que a gente faz mais por prazer que por obrigação, que por nota como uma prova”, avalia. 

 

Matheus e seus gostos

Encerrando o bate papo, Matheus foi pego num ping-pong: 

Esportes: Huuuummm. Difícil. Acredito que o vôlei.  

O Rousseau na sua vida: Incentivo.

O bom professor: Incentivo duplo.

A internet na vida estudantil: um meio de ser mais. 

Conteúdo ou formação: formação. 

Livro preferido: Vários. Ficção, aventura, fantasia.  

Autor: Neil Gaiman. 

Filme: Laranja Mecânica, dirigido por Stanley Kubrick. 

A Unicamp na sua vida: Futuro e oportunidade. 

Sacramento: O lar. Sempre vai ser casa. 

Os pais: Incentivo, ajuda, amor...

Seus irmãos: É difícil de descrever. São irmãos. 

Amigo: Um ombro para toda hora. 

Deus: A razão de tudo.