Jornal O Estado do Triângulo - Sacramento
Edição nº 1771 - 26 de Março de 2021

Enem 2014: De Sacramento 529 prestaram o exame

Edição nº 1440 - 14 Novembro 2014

O último final de semana, dias 8 e 9, foi de provas para mais de 8,5 milhões de  inscritos no Exame Nacional do Ensino Médio (Enem) de 2014, que  cresceu 21,6% em relação ao ano passado e atingiu a marca de 8.721.946 inscritos. Os dados foram divulgados pelo Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira (Inep), órgão federal que tem a  função de promover estudos, pesquisas e avaliações a respeito do Sistema Educacional Brasileiro.

De Sacramento, em torno de 529 alunos prestaram o exame. Segundo informações das escolas que ministram o ensino médio na cidade, o maior número de alunos foi da Escola Coronel, 410; o Colégio Rousseau, 60; Barão da Rifaina, 42; Jaguarinha, 05 e Quenta Sol, 12.  

De acordo com os dados do Inep, do total de inscrições, 58,11% são mulheres e 41,88% homens. Os pagantes somam 26,48% e os isentos são, 16,33% oriundos da rede pública, e 57,17% com carência comprovada. Do total de inscritos, 57,91% se declararam negros, 37,7% brancos, 2,15% amarelos, 0,62% índios e 1,59% optaram por não declarar. 85% dos inscritos estão na faixa etária de 16 a 29 anos. 15,5 mil pessoas acima de 60 anos se inscreveram para fazer o Exame. De acordo com o INEP, desde 2009, o número de inscritos dessa faixa etária mais que triplicou. Em 2009, houve 4,6 mil inscritos.

A região Sudeste foi a que mais teve candidatos inscritos (35,27%), seguida da Região Nordeste (32,99%), Sul (11,97%), Norte (10,89%) e Centro-Oeste (8,85%). São Paulo foi o estado com o maior número de inscritos, 1.324.486; seguido pelo Estado de  Minas Gerais, com 979.259. 

 

Programas em que a nota do Enem é utilizada para o ingresso

A nota do Enem pode ser utilizada para ingresso nos seguintes programas: 

1. Ciências sem Fronteira : para quem está cursando o nível superior e queira concorrer a bolsas para universidades estrangeiras; 

2. Certificação do Ensino Médio: diploma para quem ainda não concluiu o 2º grau; 

3. Prouni (Programa Universidade para Todos), que seleciona candidatos oriundos de escolas públicas ou bolsistas em particulares,  para bolsas em instituições particulares de ensino superior; 

4. Sisu (Sistema de Seleção Unificada), que seleciona candidatos para vagas em instituições públicas de ensino superior; 

5. Sisutec (Sistema de Seleção Unificada da Educação Profissional e Tecnológica), que oferece vagas gratuitas em cursos técnicos em instituições públicas e privadas de ensino superior profissional e tecnológica e, 

 

6. FIES (Fundo de Financiamento Estudantil), que financia até 100% da mensalidade). 

 

A expectativa de sacramentanos no Enem

O ET acompanhou a saída de sacramentanos, no sábado e no domingo para o Enem na cidade de Uberaba. Na bagagem muita expectativa...

Marcos Ricardo de Souza, que concluiu o ensino médio em 2004, já fez as provas em anos anteriores,  voltou agora decidido. “Pretendo ingressar numa faculdade, porque hoje o governo oferece muitas bolsas e quero correr atrás do meu sonho, no ramo do Agronegócio ou Markting”.

 Manu Cristina Borges Almeida, que cursa o terceiro ano do ensino médio, viveu a experiência pela segunda vez.  “Meu sonho é Arquitetura, por isso estou correndo atrás de uma vaga. No primeiro Enem, fiquei muito nervosa, este ano estou mais tranquila e espero uma nota melhor que a do ano passado, acredito que estou bem preparada”, diz  ao lado do namorado, que completa: “Falei pra tirar total em redação, que ela é muito boa”. 

Lorena Louise Vieira Almeida, 18, estudante do terceiro ano, enfrentou o Enem pela terceira vez pretende cursar Pedagogia. “Pedagogia é meu sonho. Nos exames anteriores eu estava mais 'light', já este ano, não sei se é porque a gente está terminando o Colegial,  estou mais tensa, embora eu me sinta preparada e vou conseguir...”. 

Bruno Borges Fonseca, estudante do terceiro ano, fez o exame pela segunda vez e elogia a Escola Coronel na preparação. “A preparação foi  boa, mas fora dela não me dediquei muito, mas tenho um foco Tecnologia da Informação, por sentir que me adapto bem nessa área. No ano passado, achei mais fácil, não tive problemas, mas este ano, acho que fui mal, no primeiro dia”. 

Josué Paes Proença, é digamos, um dos mais experientes da turma a fazer o Enem e avalia tudo com muito otimismo. “Está sendo muito bom este convívio com  os jovens e, quando a gente descobre que é possível sonhar, independente de idade, a gente descobre uma nova faceta da vida. Em 2012, fiz o Enem e obtive mais de 70% de rendimento, mas não foi possível aproveitar a nota, porque estava em Rondônia. Agora, volto para a segunda experiência,  esperando o mesmo resultado ou mais e poder me matricular no curso de engenharia de Minas ou Mecatrônica”.

Autodidata, Proença faz a preparação em casa, sem ingressar em cursinhos e sem auxílio de professores. “Sou um autodidata. Meu filho faz cursinho em Uberlândia, me repassa o material e mando ver nos estudos e acredito muito no meu conhecimento, porque não há fórmulas. Cursinhos hoje é conhecimento e interpretação dos textos e enunciados. Estou confiante”.

 O motorista João Carlos de Melo, Divisa, há mais de dez anos leva estudantes para o Enem e este ano não foi diferente, levou 140 pessoas para Uberaba, dois ônibus  e dois micros. Resumo meu trabalho nesse decênio como uma “boa causa e minha torcida é para que todos saiam bem”.

 

Os ônibus partiram da Rodoviária às 9h30; chegada a Uberaba às 10h45, almoço no restaurante Cheiro Verde e, log após, inicia a distribuição nas escolas. “Para facilitar o destino, os candidatos são distribuídos nos ônibus pela proximidade dos locais de provas. Este ano temos 13 locais diferentes de provas, mas sempre dá tudo certo. Temos tempo suficiente, porém, não pode haver incidente se não a coisa aperta. Felizmente, nesses anos todos  nunca houve problemas, mas apesar da experiência não podemos arriscar”, pondera João Divisa. 

 

Professores avaliam provas

Na avaliação de professores de renomados colégios e cursinhos, o Enem 2014 abordou assuntos complexos e o destaque em termos de complexidade foi a prova de matemática, que exigiu grande diversidade de conhecimentos dos alunos. Nas palavras do professor Eduardo Figueiredo, do Colégio Objetivo, de São Paulo, por exemplo,  “este ano o Enem não facilitou”. 

Uma das mudanças verificadas foi um nível maior de exigência das perguntas, isto é, um maior aprofundamento em relação a assuntos polêmicos: “Todos os anos havia questões fáceis, criadas para ajudar aqueles que tenham como objetivo concluir o Ensino Médio utilizando o Enem. Este ano todos os assuntos foram complexos. Só foi fácil para quem estudou muito”, afirma, mas destaca que em contraposição,  a prova de Português foi eleita como a mais fácil do Enem. 

Segundo o professor  Figueiredo, a prova trouxe outras diferenças em relação às anteriores, por exemplo, o aumento no tamanho dos textos nos enunciados e a escolha de tópicos para a elaboração das perguntas. De acordo com ele, “a prova foi composta por 20% de questões específicas de literatura”. A tendência chama a atenção, uma vez que o Enem não cobra a leitura de obras específicas, diferentemente dos demais vestibulares.

 

O que pegou, na opinião de professores foi o tema redação. Ao contrário do que todos esperavam - um tema relacionado mais diretamente à política, como os 50 anos do Golpe Militar,  as manifestações de 2013, a crise da água, os casos de ebola, a Copa do Mundo,  o Programa Mais Médicos ou a questão da seca - a proposta foi sobre a regulamentação da publicidade voltada ao público infantil, tema que não ocupou pouco espaço na mídia.