Jornal O Estado do Triângulo - Sacramento
Edição nº1733 - 26 de Junho de 2020

Viva Santo Antônio! São João! São Pedro!

Edição nº 1731 - 12 de Junho de 2020

No mês de junho, a Igreja Católica celebra a festa de três grandes santos: Santo Antônio (dia 13), São João Batista (dia 24) e São Pedro (dia 29). Essas festividades, trazidas para o Brasil pelos colonizadores portugueses, ficaram popularmente conhecidas como Festas Juninas e são comemoradas Brasil a fora com fogueiras, rezas, mastros, roupas e comidas típicas, dança, simpatias, enfim uma gama de atividades para animar os festejos, nas escolas, nas praças e ruas, sem contar algumas de repercussão nacional, especialmente no Nordeste, promovidas pelas secretarias de culturas. Porém, este ano não serão realizadas em decorrência da pandemia. 

 

Mas a Igreja, sim, manterá a tradição das celebrações. Exemplo disso é a tradicional celebração da trezena de Santo Antônio, na Igreja de Santo Antônio, este ano transferida para a Basílica do Santíssimo Sacramento por conta da transmissão online devido à pandemia.

Sobre os santos juninos, diz o missionário redentorista Padre Camilo Junior que, antes de assumir sua forma cristã, as festas juninas tiveram origem pagã no hemisfério norte, onde se festejava, em junho, o solstício (momento em que o Sol, durante seu movimento aparente na esfera celeste, atinge a maior declinação em latitude, medida a partir da linha do equador. Os solstícios ocorrem duas vezes por ano: em junho e dezembro. O dia e hora exatos variam de um ano para outro) de verão, para comemorar o início das colheitas. Com a expansão do Cristianismo, elas foram ganhando novo significado e nova roupagem, tornando-se celebração da festa de São João, chamada de festa joanina (de João) e, nela, Santo Antônio e São Pedro passaram a ser também celebrados.


Quem são os santos juninos

 

Santo Antônio nasceu em Lisboa (Portugal), em 1195, e faleceu em Pádua (Itália), no dia 13 de junho de 1231. Foi primeiramente religioso agostiniano e, depois, tornou-se franciscano. Chegou a conhecer São Francisco de Assis e com ele conviveu por um tempo. São Francisco o nomeou responsável pela formação dos frades, diante de sua grande capacidade intelectual e seu conhecimento teológico. É o santo junino com maior apelo popular. 'É chamado do Santo dos Pobres' e também muito procurado como santo casamenteiro, por ter ajudado moças pobres a conseguirem os dotes para o casamento.

São João Batista, cujo nome João significa 'Deus dá a graça', foi o precursor de Jesus, o grande arauto do Evangelho ao anunciar o Messias ainda no ventre de sua mãe, Isabel, quando esta recebeu a visita de Maria em sua casa (Lc 1,39-43). Ele foi o único profeta a anunciar a chegada do Messias e a mostrá-lo no meio do povo. João batizou Jesus no rio Jordão, o próprio autor do batismo. Foi ele quem apontou Jesus, proclamando-o Cordeiro de Deus, aquele que tira o pecado do mundo (Jo 1,29). No dia 24 de junho, celebramos seu nascimento. Ele é o único dos Santos que tem o dia do nascimento e o dia da morte celebrados, pois os demais santos têm apenas o dia da morte rememorado.

São Pedro foi um dos apóstolos, o primeiro a ser chamado por Jesus, com seu irmão André (Lc 6,14). Jesus o convidou para deixar o barco na praia, ir caminhar com Ele, pois o faria pescador de homens. Pedro prontamente deixou tudo e passou a caminhar com Jesus. Foi o primeiro a professar a fé no Cristo, quando disse: 'Eu sei que tu és o Messias, o filho do Deus vivo' (Mt 16,16) – sobre esse testemunho de fé, Jesus edificou sua Igreja. Pedro foi morto e crucificado de cabeça para baixo.

Padre Camilo Junior nos conta também sobre a tradição da entrega do pão no dia de Santo Antônio: “Ele tinha enorme compaixão pelos pobres e sentia, como frade franciscano, a fome dos pobres. Certa vez, no convento onde ele vivia, distribuiu todos os pães para os pobres. Quando o frade padeiro foi buscá-los para a refeição, levou um grande susto, pois não havia nenhum pão no cesto. Ao contar o fato para Santo Antônio, este o mandou voltar e verificar se os pães realmente não estavam lá. O frade ficou surpreso, pois encontrou o cesto cheio de pães.

Por isso, até hoje, existe a grande devoção popular de abençoar o pãozinho de Santo Antônio, que os fiéis levam e colocam na vasilha de trigo, arroz ou de outro alimento na casa, na confiança de que Santo Antônio nunca deixará o pão de cada dia faltar sobre as mesas. Os pães distribuídos no dia de Santo Antônio também nos ensinam a importância da partilha. Se o amor de Cristo continuar tocando nosso coração, como tocou o coração de Santo Antônio, aprenderemos que o pão não pode ser só meu, mas nosso; só assim haverá pão para todos”.

 

Quando Santo Antônio não é só o santo casamenteiro

 

Na imensidão do Brasil, as mais diversas peculiaridades podem ser encontradas, inclusive o lugar onde Santo Antônio não é tão lembrado por ser aquele que une os casais, mas sim como o Santo Padroeiro dos Caminhoneiros, cuja tradição começou no Estado de Sergipe, em uma cidade chamada Itabaiana, pelo fato da Igreja Matriz do local ser dedicada a Santo Antônio. 

Em Itabaiana, Capital Nacional dos Caminhoneiros, existe quase um caminhão para cada 10 habitantes. A cidade que também tem o comércio e a agricultura como um dos pilares da economia, tem população com mais de 95 mil pessoas, segundo dados do Instituto Brasileiro de Geografia e estatística (IBGE) e cerca de 10 mil caminhoneiros em atividade. Por lá, todo mundo tem um parente ou algum amigo na estrada.

Para celebrar os reis das rodovias deste país, a comunidade local, que está localizada há 58 km da capital do Estado, Aracaju, escolheu um trabalho extra para o santo. Ele é mais procurado para interceder pelos caminhoneiros do que pelos namorados. Em Itabaiana, anualmente, nos 13 dias que antecedem o dia do santo, 13 de junho, acontece a trezena de Santo Antônio, seguida pela Festa, que está na sua 54ª edição. O tema da festa  deste ano é: “Santo Antônio, vocação e serviço" e o lema: "Eis que estou à porta e bato" (Ap.3-20).