Jornal O Estado do Triângulo - Sacramento
Edição nº 1771 - 26 de Março de 2021

Delfinópolis, o segundo maior produtor de banana no Estado, cria selo coletivo

Edição nº 1735 - 03 de Julho de 2020

A história da produção de banana em Delfinópolis começou em 1993. Naquele ano, desanimado com os baixos preços do café, um pequeno grupo de produtores resolveu investir no plantio da fruta como alternativa de renda.  Inicialmente, foram plantados 20 hectares. O início foi muito difícil, tanto do domínio das técnicas de condução da lavoura, como na comercialização.  Além dos agricultores, o trabalho envolveu a Emater-MG, vinculada à Secretaria de Estado de Agricultura, Pecuária e Abastecimento (Seapa), e a prefeitura municipal. 

Com a persistência dos produtores, aliada às condições favoráveis da região, o cultivo da fruta prosperou. A textura do solo, a topografia, o clima quente e a disponibilidade de água para irrigação se mostraram ideais para a produção de banana. Atualmente, Delfinópolis é o segundo maior produtor de banana de Minas Gerais, com aproximadamente 150 agricultores envolvidos na atividade, que é o carro-chefe do setor agropecuário do município. 

Em 2019, a produção foi de 80 mil toneladas. A área ocupada com a bananicultura em Delfinópolis está em torno de 3,6 mil hectares, principalmente com a banana prata-anã. De acordo com a Emater-MG, neste ano, a estimativa é que a cadeia produtiva da fruta movimente R$ 100 milhões no município. 

A mais recente conquista dos bananicultores de Delfinópolis foi a obtenção da marca coletiva “Banana de Delfinópolis”, registrada no Instituto Nacional de Propriedade Industrial (Inpi). A marca de produtos ou serviços provenientes de uma empresa representa uma coletividade. Esse é o caso de Delfinópolis. 

O processo para a obtenção da marca coletiva foi uma articulação do Sebrae, Associação dos Produtores de Banana de Delfinópolis e Região (Adelba) e Emater-MG. 

Todos os produtores de banana da Adelba têm direito de utilização da marca coletiva. Mas para usar o selo na hora de comercializar a fruta, é preciso seguir os padrões estabelecidos relacionados a defeitos e danos que podem acontecer no campo e na hora da colheita, beneficiamento e embalagem. Existem também regras de apresentação da fruta, transporte e rastreabilidade.    Entre os critérios estabelecidos, a banana que recebe o selo não pode ter manchas causadas por queimaduras do sol ou por insetos como gafanhotos e traças. Frutos malformados também estão vetados.  As bananas devem ser lavadas e as caixas de madeira para embalagem são proibidas. A fruta só pode ser acondicionada em caixas de papelão ou plástico. A padronização das bananas para recebimento do selo também estabelece a homogeneidade do tamanho da fruta, com calibre e comprimento mínimos. A rastreabilidade deve ser garantida e informada na etiqueta. O transporte precisa ser feito em caminhões limpos e adequados para este tipo de mercadoria. 

A banana de Delfinópolis e região é vendida atualmente para os estados de São Paulo, Rio de Janeiro, Santa Catarina e Rio Grande do Sul, além de cidades mineiras como Belo Horizonte e cidades do interior.  

Como segundo maior produtor de banana do Estado, Delfinópolis se tornou referência de encontros e eventos técnicos ligados à produção de banana.  Desde 2011, o município recebe uma etapa anual do Circuito Frutificaminas, promovido pela Emater-MG. E, desde 2017,  o município realiza a  Feira da Banana, uma parceria entre Emater-MG, prefeitura, Sebrae e a Adelba. A feira, que este ano foi suspensa por causa da pandemia da Covid-19, reúne exposição de máquinas, equipamentos e insumos, além de palestras, mesas redondas e dia de campo.

 

          (Fonte: Emater-MG)