Jornal O Estado do Triângulo - Sacramento
Edição nº 1771 - 26 de Março de 2021

Os contadores de histórias

Edição nº 1729 - 29 de Maio de 2020

Como professor da EE Cel. José Afonso de Ameida já escrevi e montei com os colegas várias e lindíssimas coroações a nossa padroeira, Na. Sra. do Patrocínio do Santíssimo Sacramento. “Velhos tempos, belos dias...”. Mas como jornalista e profissional de imprensa foi a primeira vez, o que muito nos honrou, juntamente com os demais veículos de comunicação de massa da cidade. Carinhosamente, em nome d'O Estado do Triângulo, agradeço ao pároco Pe. Ricardo Fidelis pelo convite e, à Nossa Senhora, as graças advindas. 

Fomos convidados com alguns outros jornalistas e comunicadores da imprensa escrita, falada e virtual da cidade, para coroar Na. Sra. do Patrocínio do Santíssimo Sacramento, nesta data tão especial, quando a cidade está completando 200 anos de existência e 39º ano de coroação da Padroeira de Sacramento.

Neste dia, 24 de maio, celebramos também o Dia Mundial das Comunicações e o 54º Dia das Comunicações Sociais, sob o tema 'A vida faz-se de histórias', quando cita o livro de Êxodus: “E aqui o Senhor dá a Moisés o sentido de todos estes sinais: “Para que possas contar e fixar na memória do teu filho e do filho do teu filho...”

A esta mulher, a quem Deus depositou essa confiança, um grupo de profissionais de nossa cidade, participando agradecida deste momento, lembra de todos os veículos de comunicação existentes, hoje, e nos últimos 200 anos em nossa cidade, e pede: Maria, Senhora do Patrocínio do Santíssimo Sacramento, faz-nos os gritadores da Paz, da verdade e do amor ao próximo, como o foi o Grande Arauto da Rádio Aparecida, Pe. Victor Coelho de Almeida.

Uma data, sem dúvida, histórica para a população desta terra como para a Igreja, pois a cidade nasceu no dia 24 de agosto de 1820, quando o vigário do Desemboque, Cgo. Hermógenes Cassimiro de Araújo Brunswick, “o homem mais notável do Sertão da Farinha Podre”, na expressão do escritor Borges Sampaio, fincou a pedra fundamental da Capela com o Orago do Santíssimo Sacramento, apresentado pelo Patrocínio de Maria.

- “De humilde capela surgiste sob o manto da Virgem Maria”, diz a poesia de Célia Bianchi que se tornou o Hino Oficial de Sacramento, graças a decreto do então prefeito, Dr José Alberto Bernardes Borges, em 1981. 

Desde aquele longínquo ano de 1820, assinalam os livros de Tombo da Igreja, capelães e vigários que vieram após Hermógenes: Pe Antônio Lisboa Lima, Vigário Paixão, Pe Pedro Santa Cruz, Cônego Julião Nunes, Monsenhor Fleury Curado e Mons. Saul Amaral que, em 1971, entregou a Paróquia aos missionários  da Congregação do Santíssimo Redentor.

A presença redentorista à frente da paróquia inicia-se com Pe Gil Barreto Ribeiro, seguido por Pe Júlio Negrizzolo, Pe Marques, Pe Carrilho, Pe Costa, Pe Vicente e Pe Inácio de Medeiros, o último pároco redentorista da então Igreja Matriz de Na. Sra. do Patrocínio do Santísimo Sacramento, quando a Paróquia retorna, a partir de janeiro de 1996, depois de 25 anos, ao clero diocesano com os párocos: Mons. Levy Fidelis, Mons. Valmir, Pe Sérgio, Pe Jaime e o atual, Pe Ricardo Fidelis.

Cada um deles construindo uma história de devoção a Nossa Senhora do Patrocínio do Santíssimo Sacramento. Cada um, com seu carisma e modo peculiar, sua luta, sua devoção e espiritualidade, envolvendo a comunidade para o que o Papa Francisco chama de construir uma 'Igreja em Saída', traduzida pelo Santo Padre, como:

“Uma Igreja-movimento, aberta ao diálogo universal, com outras Igrejas, religiões e ideologias.

Uma Igreja-povo de Deus, fazendo de todos irmãos e irmãs, uma imensa comunidade fraternal.

Uma Igreja-pastor que anda no meio do povo, com cheiro de ovelha e misericordiosa. 

Uma Igreja de práticas surpreendentes e do encontro afetuoso com as pessoas para além de sua inscrição religiosa, moral ou ideológica. 

Uma Igreja-que vai aos pobres, conversa com eles, abraça-os e os defende.

Uma Igreja da revolução da ternura, da misericórdia e do cuidado.

Uma Igreja-compromisso com a justiça social e com a libertação dos oprimidos.

Uma Igreja-alegria do evangelho e de esperança ainda para esse mundo.

Uma Igreja-mundo, sensível ao problema da ecologia e do futuro da Casa Comum, a mãe Terra, livre da poluição que mata, livre da devastação das florestas, causa maior de todas as pandemias.

Uma Igreja que vê em Jesus, o filho misericordioso do Pai, seu amor incondicional, de misericórdia e de compaixão para que dele receba sua inesgotável energia humanizadora”. 

Esta é a mensagem que nós, comunicadores, homens e mulheres da imprensa e das redes sociais sonhamos para o mundo, para o País e para Sacramento. Uma mensagem ecumênica, não apenas endereçada às Igrejas católicas, mas às protestantes, anglicanas e evangélicas, espíritas, judaicas e muçulmanas...

Uma cidade onde Nossa Senhora seja a guardiã de todos esses valores constitucionais e democráticos que garantem aos jornalistas a liberdade de expressão, jamais abrindo mão de seu código de ética e  da verdade factual, dever número 1 daqueles profissionais que trabalham com a notícia. No dizer do Papa Paulo VI, que a imprensa “corresponda à grande esperança do gênero humano e aos desígnios divinos (...) e se exaltem a verdade e o bem”. 

Termino com a oração que Francisco Bergoglio proferiu no Dia Internacional das Comunicações Sociais, 24 de maio, dia escolhido para os profissionais da imprensa sacramentana coroarem, como convidados, a padroeira: 

“Ó Maria, mulher e mãe, Vós tecestes no seio a Palavra divina, Vós narrastes com a vossa vida as magníficas obras de Deus. Ouvi as nossas histórias, guardai-as no vosso coração e fazei vossas também as histórias que ninguém quer escutar. Ensinai-nos a reconhecer o fio bom que guia a história. Olhai o cúmulo de nós em que se emaranhou a nossa vida, paralisando a nossa memória. Pelas vossas mãos delicadas, todos os nós podem ser desatados. Mulher do Espírito, Mãe da confiança, inspirai-nos também a nós. Ajudai-nos a construir histórias de paz, histórias de futuro. E indicai-nos o caminho para as percorrermos juntos”. (WJS)