Jornal O Estado do Triângulo - Sacramento
Edição nº 1783- 18 de junho de 2021

Assim nasce uma estrela

Edição nº 1686 - 02 de agosto de 2019

Era meados do ano 1978. Numa tarde de domingo, uma turma de amigos, na Rua das Flores (hoje Manoel Soares), que acabara de receber calçamento de paralelepípedo.  Na região das casas do dona Ridugela, Dona Leontina, dona Fiíca e Dona Ozana, vivíamos nossa fase de adolescência, alguns já chegando na fase adulta. Com o calçamento, o futebol de rua começava e mudar de ares. Já não era na terra bruta. Embora ainda houvesse muita areia, usada para rejuntar a pavimentação.

Eis que no meio de um toque de bola aqui e outro acolá, surge uma brilhante ideia.  Já que gostávamos de brincar de futebol, chegara a hora de montarmos um time organizado. Não quero ser injusto, pois alguns nomes podem faltar. Mas, creio que naquele dia estávamos lá, Luiz, Lau, Fabinho, Ivan, Marcos Pires, Joãozinho, Silvestre, Saulo, Diorega, Dissin, João Bosco, e eu, Marciano. 

Conseguimos consenso e decidimos montar nossa agremiação. Naquela época, eu lia um gibi que contava uma estória parecida com a nossa história. Nela tinha um time de futebol chamado Estrela. Com uma rapaziada organizada, não só para jogar futebol, mas também para praticar o bem. Foi aí que sugeri que usássemos o mesmo nome. No que foi prontamente aceito. 

 Também fui agraciado com a nobre missão, de ser o tesoureiro. Sim, era preciso dinheiro para montar um time. Precisávamos ter um uniforme. Todos, apesar da dificuldade, semanalmente acertavam um valor previamente acordado. Logo conseguimos o capital. De forma aleatória, encontramos o nosso “jogo” de camisas. Na loja de esportes do Paulistinha. A cor escolhida das camisas, foi o grená. Parecida com a do Juventus, de São Paulo. Os calções e os meiões eram azuis. A mãe do Diorega e do Dissin, nos ajudou a colar os números.

O próximo passo foi arranjar um campo, para que pudéssemos mandar nossos jogos. Encontramos um terreno, logo atrás do antigo Laticínio Ilasa (hoje Unidade II do Scala). Com muito empenho e mobilização, roçamos aquela área. Arrumamos alguns bambus, e com eles fizemos nossas balizas.  Com um saco de cal e um barbante, fizemos a demarcação do campo. Coisa de gente grande. Assim, estava inaugurado o Estrelão.

Foram grandes embates. O time começou a ficar conhecido e reconhecido. Especialmente pelo nosso foco e organização. Não poderia ser diferente. Era um grupo de jovens, de origem humilde. Mas, com orientação familiar exemplar. O Estrela não foi somente um time de futebol Era um grupo de pessoas do bem. Por isto deu tão certo. 

O tempo foi passando. Os jovens rapazes já estavam galopando para a fase adulta. Alguns já estavam em busca de grandes desafios. Já precisavam buscar, novos horizontes em outras cidades. Lembro-me que o Luiz foi o primeiro da turma, que se mudou. Não sei precisar a data, nem o adversário, mas o Estrela, “fechou as portas” em 1980. Acredito que a partida foi realizada no campo do Seminário (hoje, início da rodovia que liga Sacramento a Conquista).

Depois de 40 anos, num feito mágico, a equipe se reuniu em 27/07/2019. Por uma ideia do Fabinho, Ivan e Wanyr, que de forma magistral e em tempo recorde, organizaram o evento. Mobilizamos, entre ex-atletas e familiares, cerca de 60 pessoas. Evento muito bem organizado. Comida farta e música de qualidade. Também com muito humor.  O Zeca esteve lá para nos prestigiar. Como sabemos que pessoas do bem, pensam e praticam coisas boas, em breve estaremos juntos novamente. Com as bênçãos de Deus e Maria Santíssima. 

 

(De Uberlândia, Jornalista Marciano 

Corrêa – 29 de julho de 2019).