Jornal O Estado do Triângulo - Sacramento
Edição nº 1771 - 26 de Março de 2021

Sacramento, Sacramento, ‘sempre storto’...

Edição nº 1470 - 19 de Junho 2015

Lá pelos idos de 1970, uma Câmara formada por talentosos homens públicos, entre eles, os advogados, Jamil Salim Leme, José Alberto Bernardes Borges, Sérgio Antônio Rezende, Heldiberto Castanheira, José Arthur Barbosa Afonso e Dr. Dedé (Hermócrates Corrêa); José Pinto Valada, o Peque, Walter Fonseca e os dois autores do entrevero: Aziz Antônio dos Santos e Olavo Bernardão, protagonizou um espetáculo na casa que, talvez, tenha sido a primeira fuga daquele histórico paço municipal. 

Lá pelas tantas, um desentendimento entre Azizinho e Olavo levou o plenário a debandar-se com cenas cinematográficas. Tudo começou quando, no calor da discussão, Olavo Bernardão foi até o carro e adentrou o plenário com um berro 44 e meteu um tiro na barriga do Azizinho, provocando uma revoada de políticos para tudo quanto era canto do paço. O futuro presidente do Tribunal de Justiça de Minas Gerais, o eminente desembargador, hoje aposentado, Sergio Rezende, nosso Serginho, no vigor de sua juventude, saltou do plenário para a rua passando incólume pela alta janela.

Embora os tempos hoje sejam outros. Bem mais amenos, sem tiros nem fumaça,  nossos edis continuam debandando, agora por uma simples moção de repúdio. O que não aconteceria diante de uma violência maior? 

Analisando todo aquele circo, me vem algumas conjecturas cá com meus botões. Tem razão o vereador Leandro. O jogo da base governista, embora tenha sido de uma atitude extremamente vergonhosa e sem caráter, sem falar que foi de uma deselegância incomum para com os colegas e com o público presente, foi sem dúvida astucioso. 

Como eram apenas três vereadores, iriam, na certa, perder a votação de uma simples moção de repúdio - o que não seria nada demais, conforme o próprio Leandro Desemboque justificou: “A moção não geraria qualquer prejuízo à população de Sacramento”. E poderiam, como fazem os homens sensatos, deixar registrado nos anais da casa, as razões porque não votariam pela aprovação da moção. Ao contrário, optaram pela estultice. 

Ao invés do argumento, os três vereadores preferiram fazer o jogo da astúcia e de bobos o plenário e o público: como a sessão não foi encerrada, nem houve ocorrência dos itens I e II do RI, entende-se, salvo aí os juízos da douta corte jurisdicional, a sessão continua em aberto. Na reunião da próxima segunda-feira 22, com a bancada completa, podem derrotar a moção. Mas fica a pecha de terem cometido “um atentado contra a DEMOCRACIA”, assim mesmo, em caixa alta, como definiu em rede social, o ex-colega de casa, José Basso De Santi Vieira, o Fofão.

E quem sai perdendo? Diante da situação financeira do governo, a saúde vai continuar capenga nestes e nos próximos anos; como deu B.O., os vereadores 'fujões', sem maiores consequências, vão parar na página policial; e o vereador Rafael Cordeiro, que não tinha nada a ver com a história, foi obrigado a interromper sua lua-de-mel para votar contra a moção, na próxima segunda-feira. Meu Deus, por uma simples moção de repúdio!! 

Me vem à tona uma história que ouvia sempre com prazer, do saudoso farmacêutico Herculano Almeida. Ao passar pela Farmácia Esperança (que nome mais lindo tem essa farmácia!) para uma conversa com o amigo proprietário, naquele idílio dos causos de antigamente, sem pressa nem compromissos, o carroceiro Adamo Recidive, olhando na direção da rua Major Lima e vendo o Hotel do Comércio totalmente fora de esquadro, em relação à rua, no seu bom italiano, já antevia o que seria esta cidade: “Sacramento, Sacramento, sempre storto!”. (WJS)