Jornal O Estado do Triângulo - Sacramento
Edição nº 1727 - 15 de Maio de 2020

Histórias de romaria

Edição nº 1427 - 15 Agosto 2014

Fôssemos reunir em livro as históricas contadas pelos romeiros, teríamos belíssima crônicas. Veja a história do romeiro Jose Humberto de Souza , o Gasolina, 63, completando este ano a 19ª romaria a pé a Água Suja.

‘‘Comecei no Grupo do Porquinho... No meu início de caminhada éramos quatro companheiros:  Toim Venâncio, Vaguinho, Zé Guarda  e eu e o Toró no apoio. A primeira caminhada foi  espontânea, não era promessa, fomos para conhecer. E fomos daqui lá debaixo de  chuva. Já, a partir dos anos seguintes, no meu caso, por exemplo, foi  promessa. Posso dizer que recebi um milagre de Nossa Senhora”, afirma. 

Durante três anos, Gasolina percorreu os 150 km levando um cruz de 1,40 m x 1,10m,  pesando 27kg e meio. “Fui agradecer uma  graça muito grande que alcancei.  A promessa foi feita para meu filho, Pedro Paulo, que hoje caminha comigo. No momento do  parto, ele engoliu líquido da bolsa e os médicos não deram esperança, ele estava desenganado. Então,  eu pedi a Nossa Senhora D´Abadia que salvasse 'ele' e foi coisa de momento, ele melhorou”, recorda emocionado. “E durante três anos carreguei aquela cruz. Eu ia tranquilo, sossegado e feliz. Não tive sequer um ferimento no ombro, uma luxação, nada... Inclusive uma vez, um moço daqui de Sacramento que ia desistir, ia voltar, no segundo dia. Ele estava no Posto Triângulo, esperando a condução pra voltar e eu passei. Ao me ver, ele recobrou as forças e continuou a caminhada. Isso pra mim foi muito bom”. 

Outro fato estranho aconteceu quando Pedro Paulo completou quatro anos. “Eu estava saindo para a  romaria e ele falou: 'Pai,  você não tem lugar para  ficar, mas em frente à igreja há um senhor que tem  uma casinha simples. Ele tem muito ciúme de uns cachorros que tem lá, mas se não mexer com eles, ele deixa o senhor ficar lá'. Eu respondi que estava bem, mas não pensei mais naquilo. E olha o que aconteceu”, narra com a voz meio embargada. “No que eu visitei a Santinha e ia descendo as escadas de volta, logo que cheguei embaixo, um senhor me parou e me ofereceu a sua casa. Ele disse:  'É uma casinha simples, mas vocês podem ficar lá. Só não gosto que mexam com meus cachorros'. Veja bem, meu filho tinha quatro anos, nunca tinha ido a Romaria...”

Aos 63 anos, Gasolina diz que ainda vai continuar a caminhada.   “Tem gente que fala que não temos mais idade para isso, mas é muito bom. Vamos bem, sem nenhum problema, isso é muito honroso pra nós, acho que é o que  Nossa Senhora está nos propondo e acredito que mais pessoas deveriam ir nessa peregrinação”.  

O grupo do Gasolina contou com 14 integrantes este ano, 12 fizeram toda a caminhada a pé. E, para completar a felicidade de Gasolina, a participação dos dois filhos  na trajetória. “Eu com 63 anos,  vejo meus filhos, Pedro Paulo e Guilherme,  caminhando comigo, sorridentes,  alegres, com o mesmo  fim, é bom demais”.