Jornal O Estado do Triângulo - Sacramento
Edição nº 1783- 18 de junho de 2021

Um brinde à Escola Coronel!

Edição nº 1389 - 22 Novembro 2013

Brindei com alegria e gratidão os 80 anos da Escola Coronel, nos primeiros minutos do dia 15 de Novembro, consagrado ao 124º aniversário da  Proclamação da República. Escolha feliz da diretora Mônica Almeida ao unir Educação e República. Ambas meio rotas, claudicantes e vilipendiadas, mas é difícil escolher palavras mais belas. Talvez, comparadas a liberdade e amor... que, no fundo, as completam. República é a liberdade que temos de escolher nossos governantes... Pena que muitas vezes damos com o burro n'água e nos lambrecamos todo. Sobre Educação e Amor, lembro o grande Rubem Alves: “Não acredito que exista coisa mais bela que ser um educador (...) o educador e seus discípulos estão ligados por laços de amor”.

Ainda outro dia, na casa de Tutuce e Julinho, tive o privilégio de ser convidado para me reencontrar com ex-alunos que festejavam seu cinquentenário. Foi um baque, pois ao invés de me sentir sexy, como nos belos anos 70, me vi sex-agenário.  Desculpando o trocadilho chulo, me senti em casa no meio daqueles jovens cinquentões.  Foi com a idade que tenho hoje, que Umberco Eco escreveu 'O nome da rosa'.  

Na oportunidade, por um momento, me fiz educador. Tirei alguns versos de Vinícius e afirmei que a Educação foi sempre na minha vida uma razão a mais para viver com entusiasmo e esperança. E cada vez que me reencontrava com uma ex-turma me abrasava o coração uma lembrança arrebatadora da minha escola querida. 

Falei àqueles meninos que, por ser educador, tive o privilégio de estudar com Pe. Prata, Santino Gomes de Mattos, Eduardo e Paulo Rodrigues... Como educador, fui, de Paulo Freire, filho da Pedagogia do Oprimido; da didática reflexiológica de Hans Aebli; de Dewey, Piaget... 

Por ser educador, tive a coragem de  cantar 'Prá não dizer que não falei de flores', 'Apesar de Você'... De formar a corrente contra a opressão, a tortura e a morte nos anos de chumbo, de estar em Ibiúna, de ser preso e de sonhar com Guevara por um mundo sem ricos e pobres...

Por ser educador, eu falei àqueles jovens, hoje, empresários, mestres, médicos, jornalistas, transbordados de sabedoria, que vi Brigite Bardot nua no Cine Capitólio. Me deleitei com Gina Lollobrigida, Sophia Loren, Marlon Brando, Paul Newman, Claudia Cardinalle...  Soltei gritos de goals de Pelé, Garrincha e Vavá... Falei que cantei com Roberto Carlos, Wanderleia, Beatles e Rolling Stones...

Por ser educador, finalizei, confessando àquele adorável turma do Paulo Roberto (Pacu), que aprendi com eles e com o tempo uma lição eterna: A Educação não se mede pelo conhecimento, mas pelo amor, amizade, cidadania, pela construção de um mundo mais solidário.

Brindo com tanta alegria os 80 anos da Escola Coronel, querida Mônica. Jamais poderia faltar àquela festa! Como sou feliz e grato por vivenciar ali dentro daquelas salas, naqueles corredores, galpões e debaixo de um frondoso e florido Flamboyant, 42 anos de magistério. 

Aguardo que a próxima não seja a dos 90, mas a dos 85. Pois espero não estar tão gagá a ponto de deixar de ir.

Ave, César! Feliz 80 anos, Coronel! 

(WJS)