Jornal O Estado do Triângulo - Sacramento
Edição nº 1771 - 26 de Março de 2021

A medida do amor

Edição nº 1119 - 21 Setembro de 2008

A vida humana na terra é uma batalha, dizia Jó (Jo 71). Nessa batalha há momentos em que temos que fugir. Há outros em que é preciso atacar e enfrentar fortemente as situações. Fugir, nem sempre é covardia. Pode ser estratégia para atrair o inimigo para o próprio campo. S. Filipe Néri dizia que, em certos casos, quem vence são as pernas. Esta batalha, de que fala Jó, continua. É a batalha do amor. Quanto mais queremos amar, mas temos que ter uma estratégia para equilibrar nossas atitudes. Estamos refletindo sobre a virtude da temperança. Nada como uma comida bem temperada! Nada como uma vida com temperança! S. Paulo é muito claro: “Tudo é permitido, mas nem tudo convém! Tudo é permitido, mas não me deixarei escravizar por coisa alguma” (!Cor 6,12). O Catecismo explica: “A temperança é a virtude moral que modera a atração pelos prazeres e procura o equilíbrio no uso dos bens criados. Assegura o domínio da vontade sobre os instintos e mantém os desejos dentro dos limites da honestidade” (Catecismo 1809). Maior lutador é aquele que sabe vencer a si mesmo, sendo dono de seus instintos, vontades e metas. Tudo o que há em nós e no mundo é bom. Os prazeres são bons, as paixões são boas, as vantagens da vida são boas. Basta domesticar as feras que elas farão o espetáculo de nossa vida. Basta equilibrar a partir do amor, quer dizer, não ferir ninguém nem nos separar de Deus e dos irmãos. Sejam questões íntimas ou políticas ou sociais. Trata-se da reta orientação. Bebida é boa! Meu pai diz: “Você pode beber a pinga, mas não deixe a pinga beber você”. O Catecismo continua: A pessoa temperante orienta para o bem seus apetites sensíveis, guarda a discrição e 'não se deixa levar a seguir a paixões do coração'(Eco 5,2)” (Catecismo 1809). 

 

Renúncias que nascem do amor 

A guerra primeira é consigo mesmo. O pecado original deixou marcas profundas em nós. São as concupiscências, os desejos e as tendências más. É bom! Imaginemos se não tivéssemos com o que lutar! Que tédio seria a vida! É o exercício que estimula nosso corpo, tanto físico como psicológico e espiritual. Para isso é necessária a renúncia: perder para ganhar. Quando se fala de penitência, mortificação, jejum, devemos pensar não numa dimensão de castigo ou de sofrimento, mas de alegre perda para ganhar mais. É preciso inclusive o método, a persistência, a constância e disciplina. Podem ser perdas voluntárias. Nada que prejudique! Pois já seria um desequilíbrio. Se, na vida nacional fosse dominada a ganância, haveria abundância para todos. 

 

A caminho do julgamento

O discurso de Jesus sobre o juizo final enumera uma série de situações que nos interpelam, de modo radical, sobre o quanto deve ser forte nosso amor: fome, sede, migração, prisão, doença, falta de roupa etc. São situações concretas que pedem que nossos olhos estejam abertos pela fé, para que, pelo amor temperado, tenham a solução. Vejamos como nós, nas diversas Igrejas e religiões, estamos voltados para nós mesmos! A virtude da temperança vai nos orientar sobre o melhor modo de viver com os demais, dando a vida, como Jesus deu a sua. Sem temperança, não poderemos levar adiante o amor, a fé e a esperança. Sempre brilha para nós o modelo completo: Jesus. Se olhássemos para a temperança de Jesus, aprenderíamos a viver mais intensamente o amor.