Jornal O Estado do Triângulo - Sacramento
Edição nº 1771 - 26 de Março de 2021

Fim da greve

Edição nº 1120 - 28 Setembro 2008

Fim da Greve

Creio no mundo... no mundo criado por Deus. Um mundo deveras, diferente do que vejo agora.

Sei, que cada um de nós, temos um certo grau de evolução, fato que deve ser respeitado.

Cada um tem uma percepção deste mundo e até da própria evolução.

Quando se fala em profissionalismo, muitos o vêem, como galgar cargos praticamente inatingíveis.

A mim, o percebo como companheirismo e responsabilidade.

Há a evolução dos bens materiais, mas há também outra bem mais complexa a ser atingida, a evolução interior.

Evolução de ideal e comprometimento.

Analisando a conjuntura educacional do nosso Estado e até mesmo do nosso país, também podemos vê-la através de várias dimensões.

Nossos líderes em seus índices evolutivos, comandam, dirigem e não distantes fazem da grotesca aprendizagem dos nossos indefesos e respeitados alunos o patamar de sua ascensão.

Sim compreendo... preciso compreender. Cada um tem seu tempo...tempo para crescer...evoluir.

Que pena!

Muitos se esquecem que o tempo não pára e que a evolução é necessária a cada um.

Neste jogo, creio, que nossos alunos possuem alto grau de evolução. Eles nos aprovam, mesmo com ar de reprovação. Percebem a razão de muitos e a evolução interior de cada um de seus mestres.

Só uma coisa lhes falta, voz ativa, que se faça ouvida, além dos muros escolares e que atinja os planaltos mineiros revestidos de poltronas, regados a vinho, luxo e champanhe.

Terra das alterosas, traçada divinamente com o objetivo real, não de separar povos e sim encantar e ligar o que parece distante.

Os pais, também nos entendem, porque sabem da realidade e compreendem a plenitude da palavra educação.

Colegas envolvidos na educação, cada um em seu tempo, conhecem nossa razão, pelo óbvio, vivem a mesma situação.

Nesses dias que pareciam serenos, aos olhos de muitos, precisávamos aguçar a percepção, pois muita angústia, suor e lágrimas rolaram.

Gritos eclodiram do peito, se misturaram a uma situação nada cômoda e sufocou parte do sonho que a princípio não parecia tão distante.

Pode parecer demagogia, mas isto pouco importa, porque na minha pequenez fui agraciada por Deus.

Pude conviver de perto e à distância, nesses últimos dias, com heróis que se preocupam em efetivar a plena evolução.

Percebi através de pesquisas, irmãos nossos do vale do Jequitinhonha, que até hoje convivem coma falta de giz, água e de um pedaço de pão.

Ouvi relatos de companheiros da Grande BH que saem cedo de casa e que ao retornarem encontram seus filhos já adormecidos e só lhes restam o beijo na testa e o pedido de proteção.

Sim, tudo isto é Minas, terra que se diz ter largado à frente.

Lamentos foram muitos, de servidores que ganham de 300 a 400 reais, por seis horas trabalhadas e que ampliam sua jornada em busca de sustentação.

Vi medo. Medo de faltar salário, dos compromissos adiados e da perda de estabilidade. Medo do julgamento da sociedade e principalmente dos alunos que muitas vezes nos têm como guia. Medo do fracasso e medo do próprio medo que nem a noite acalentava, aliviava.

Vi esperanças e desalentos.

Mas tudo passa e de tudo fica um pouco.

Só sei que cresci e evolui, mesmo que apenas um pouquinho.

Evoluí por não ter me omitido. Evoluí por ter lutado, ter sofrido e ter acreditado que se podia.

Sinto imensa dor e não nego a frustração.

Mas cada um sabe de si, usa seu tempo e promove sua própria evolução.

Creio que muitos subiram, nem que seja um degrau, da fraternidade, do companheirismo e da doação. Como aprendemos.

Que todos possamos ser abençoados, dirigentes, líderes, alunos, pais, trabalhadores da educação e todos que acreditam que aí está o alicerce da nossa Nação.

Só um pedido lhe faço, Deus, de infinito amor e bondade: Não nos negue a intuição, a todo instante da vida, para nós não negligenciarmos, nunca, o valor da evolução.


Um grande abraço


 

SindUTE/Sacramento