Jornal O Estado do Triângulo - Sacramento
Edição nº 1748 - 09 de Outubro de 2020

Pe Victor Coelho ganha estátua em sua terra natal

Edição nº 1746 - 25 de Setembro de 2020

O missionário redentorista e servo de Deus, Pe Victor Coelho de Almeida, recebeu uma justa homenagem da cidade, que completa este ano seu bicentenário de fundação. O sacerdote, que nasceu em Sacramento no dia 22 de setembro de 1899, cujo processo de reconhecimento de sua santidade já está sendo analisado em Roma, ganhou uma estátua em tamanho natural afixada em um monumento construído no adro esquerdo da Basílica do Santíssimo Sacramento Apresentado pelo Patrocínio de Maria, onde foi batizado há 121 anos.

 

As solenidades coordenadas pelo reitor da basílica, Pe. Ricardo Alexandre Fidelis, iniciaram com a inauguração do monumento às 18h30 seguida de missa presidida pelo arcebispo Dom Paulo Mendes Peixoto, que reconheceu o ato como de “grande significado e de alegria para a arquidiocese de Uberaba, por ter gerado para a Igreja o grande missionário que foi Pe Victor”. 

Participaram da celebração os padres diocesanos, o sacramentano Pe Otair Cardoso e Monsenhor Valmir Ribeiro, ex-pároco da cidade, responsável pelo resgate histórico da hoje Basílica do Santíssimo Sacramento. 

 

A Congregação Redentorista da vice-província de São Paulo esteve representada pelos missionários, o sacramentano Pe Luiz Cardos de Oliveira; Pe Anísio Tavares, vice-postulador da causa de beatificação de padre Vitor; Pe Dionísio Zammuner; Pe Flávio e  irmãos Alan que, no ano 2000 fez sua experiência religiosa no então Seminário do Santíssimo Redentor, em Sacramento, e irmão Mário, além de uma equipe de comunicadores da Rádio e TV Aparecida, a repórter Camila Morais, o diretor de programação Paulo Marques e o cinegrafista João Éder.

 

Áudio com sua  voz ecoa na praça pública...

 

No início da celebração eucarística, foram introduzidos e apresentados à comunidade presente quatro pertences de Pe Victor Coelho de Almeida: o microfone que usava na Rádio Aparecida ao apresentar seus programas, 'Os ponteiros apontam para o infinito', às 12h, e a 'Consagração a Nossa Senhora Aparecida', às 15h, levando sua voz pelo Brasil e que lhe deram o título de 'arauto da Rádio Aparecida; as sandálias que usava; o cálice usado em suas celebrações e uma surrada batina de cor cinza. 

Um momento de emoção que levou lágrimas a várias pessoas presentes que o conheceram, quando um áudio reproduziu sua inconfundível voz, em mensagem ao povo sacramentano. Pe Victor falava naquela época de missionário sobre a primavera, momento muito oportuno, visto que a data 22 de setembro marca o seu nascimento e o início da primavera.   

O presbitério da basílica, ornamentado com orquídeas, fazia uma feliz e delicada referência ao gosto e zelo de Pe Victor com as plantas, em especial essa espécie, que entendia como uma necessidade terapêutica. 

O gosto pela flor começou nos oito anos em que esteve internado em Campos do Jordão, para curar uma tuberculose, um cultivo que se transformou em hobby até o fim da vida. 

“Sua vocação foi um dom de Deus... 


Coube a  Pe Anísio Tavares, vice-postulador da causa de beatificação de Pe Victor, a homilia da missa, oportunidade em que saudou a comunidade diocesana e todos os presentes, de modo especial a todos os sacramentanos, agradecendo pela acolhida.
“Não tive a graça de morar aqui, mas ouço daqueles que por aqui passaram que foi um tempo fecundo. Muitos lembram daqui com lágrimas nos olhos de saudade. Que bom poder visitar esta terra, a terra de Pe Victor...”, disse, destacando alguns aspectos da vida o missionário: seu nascimento em Sacramento;  sua ida para o seminário após a morte da mãe; seus estudos e ordenação na Alemanha; o seu tempo como missionário itinerante, passando pelas adversidades, uma delas a tuberculose, que o levou a permanecer internado no Sanatório da Divina Providência, em Campos de Jordão, durante oito anos; seu amor à vocação e a promoção vocacional que sempre fez, destacando ainda seus dons na poesia e na comunicabilidade do padre. 
“Sua vocação foi um dom de Deus. A vontade de Deus tocou o coração daquele moleque e o fez um missionário da Copiosa Redenção. O vocacionado Victor Coelho, sempre que passava por dificuldades no seminário, recorria a Nossa Senhora Aparecida. E Pe Victor tinha um grande amor a sua vocação. Foi feliz por ser Missionário Redentorista! Se considerava e se dizia filho da misericórdia, pois percebeu Deus agindo nos desígnios de sua história. Essa fidelidade vocacional fez com que o Pe. Victor se interessasse pelas vocações. E, ao longo de sua vida, foi incentivador de muitos jovens no despertar vocacional redentorista. Muitos dos padres e irmãos redentoristas de hoje devem a ele a sua vocação”, salientou Pe Anísio, destacando um de seus trabalhos nas missões populares. 
“Pe. Vítor fazia a famosa missãozinha com as crianças, ali lançava suas redes para a messe. Por isso, Pe Victor fez diversos missionários redentoristas, religiosos de congregações e padres diocesanos. Também animou muitos outros à vocação matrimonial e à vida em comunidade. Recrutou centenas de vocações para o Seminário Santo Afonso. Seu jeito alegre, seu entusiasmo missionário, voz marcante, de hábito redentorista, cruz missionária no peito e o rosário no cinto encantavam os jovens que vinham a Aparecida. Esses jovens trazidos ao seminário pelo Pe. Victor ficaram conhecidos como “coelhinhos do Pe Victor”. Muitos abandonaram a formação, mas muitos também perseveravam. Pe Victor foi, verdadeiramente, um grande promotor vocacional” afirmou o pregador, destacando ainda seu trabalho na Rádio Aparecida. 
“Padre Victor foi também um grande comunicador. Incentivou a fundação da Rádio Aparecida e, através dela, desde sua fundação em 1951, e por 36 anos foi o maior propagador da devoção a Nossa Senhora Aparecida, do amor e do Redentor”, lembrou destacando o programa 'Consagração a Nossa Senhora Aparecida', no ar desde 30 maio de 1955.  
A professora Maria Amélia Alcântara e Oliveira, presidente da Comissão dos 200 Anos, falou em nome do povo de Sacramento, oportunidade em que citou diversos aspectos da vida de Pe Victor, dentre eles, as missões em Sacramento. “Ao celebramos o bicentenário da fundação de nossa cidade, motivos vários temos para rendermos graças a Deus. Dentre esses, destacamos hoje, o aniversário natalício de Pe Victor Coelho de Almeida, nascido nestas terras e batizado neste local sagrado, hoje basílica”, disse, enaltecendo a honra dos sacramentanos por terem em comum com Pe Victor a sua cidade natal e a devoção a Nossa Senhora.
rendermos graças a Deus. Dentre esses, destacamos hoje, o aniversário natalício de Pe Victor Coelho de Almeida, nascido nestas terras e batizado neste local sagrado, hoje basílica”, disse, enaltecendo a honra dos sacramentanos por terem em comum com Pe Victor a sua cidade natal e a devoção a Nossa Senhora.
Depois de ressaltar o trabalho da Congregação do Santíssimo Redentor, Maria Amélia, destacou o carinho do missionário com as orquídeas como terapia, e concluiu: “Honrados e agradecidos, nós, sacramentanos, temos a certeza de que, assim como a flor da orquídea a alma de Pe Victor brotou na eternidade serena e transparente, nas mais bonitas cores do amor e da gratidão, louvando e bendizendo a misericórdia de Deus. Salve o sacramentano Pe Victor Coelho de Almeida, sacerdote para sempre e que, com a graça de Deus, será beatificado e canonizado” exortou. 
Na manhã de seu aniversário, Pe Victor recebeu outras duas homenagens quando foi lembrada sua vida como comunicador da Rádio Aparecida, através de uma visita à Rádio Sacramento, feita pelo também comunicador daquela emissora, Irmão Alan, que brindou os ouvintes com belos trechos da vida do missionário sacramentano. Ao finalizar o programa com o pároco, Pe Ricardo, às 12h, ambos recordaram o missionário sacramentno com a expressão: “Os ponteiros apontam para o infinito”, programa que consagrou o missionário na Rádio Aparecida.

“Coisas grandiosas o esperavam...
“Para coisas maiores. O mineirinho sacramentano com seus 10 anos, deixa sua cidade pequena e vai para a capital do Brasil, não Brasília, mas o Rio de Janeiro na época e daí, um senhor, aliás, o Senhor dos Senhores, o chama para outra capital, Aparecida do Norte, capital mariana deste país. Coisas grandiosas o esperavam e alegrias e dores. O Vitinho que assim era chamado na família, vai se tornando o Vitão. Por mais de 30 anos sua voz ribombou pelos mais escondidos rincões dessa pátria, através da Rádio Aparecida. Levou a imagem peregrina por tantas cidades e longínquas comunidades. Era sempre a voz evangélica do Redentor, da sua e nossa Mãe, a senhora Aparecida. Procurava ele ser a voz da Igreja, traduzindo em linguagem simples os documento do Papa. Educando o povo em questões de higiene, de saúde, de relacionamento social, de cuidado com a criação. Era e é um ídolo popular. 
No entanto, sua vida e sua fama não findaram em 1987, quando partiu para a casa do Divino Pai Eterno. Para coisas maiores ele nasceu, continuar a trilhar os caminhos da santidade e da justiça. E como povo de Deus, rezamos e esperamos para que ele suba os caminhos dos altares. Seja aclamado e invocado como santo, como exemplo para toda humanidade.
A estátua do venerável Padre Vitor Coelho de Almeida, junto da Basílica do Ssmo. Sacramento Apresentado pelo Patrocínio de Maria, fala a quem ali passa, fala à praça, fala ao mundo apresentando Maria. 'O Senhor fez em mim grandes coisas'. É o nosso santo que está em saída, não só nas igrejas, mas fala a todos os passantes, a toda humanidade. 
Nessa emocionante noite de 22 de setembro de 2020, com o povo presente, e a imagem do missionário redentorista, Pe Victor Coelho de Almeida aclamamos: para coisas maiores Jesus chamou Pe Victor e todos nós juntos queremos segui-lo nos seus passos e levá-lo a todos os corações com Nossa Senhora, como irmão e irmã  de uma só família”. 
   Pe Dionísio Foltran Zamuner
“Nada é coincidência, tudo é providência...

O pároco da Basílica do Santíssimo Sacramento, Pe Ricardo Alexandre Fidelis, no seu pronunciamento sobre o monumento, disse:   “Dentro das comemorações do bicentenário de Sacramento, temos a alegria de inaugurar a estátua do Servo de Deus, Pe Victor Coelho de Almeida. Assim, nós homenageamos esta grande personalidade da história de Sacramento, no dia em que comemoramos os 121 anos do seu nascimento, na sua cidade natal, onde ele também foi batizado. Esta estátua servirá para recordar a todos os sacramentanos e visitantes a vida e as virtudes do grande missionário, grande comunicador católico e propagador da devoção a Nossa Senhora da Conceição Aparecida. 
Assim, portanto, nós entregamos à comunidade sacramentana esta obra, que ficará ao lado da Basílica do Santíssimo Sacramento Apresentado por Maria, como marco, também, da forte raiz redentorista, que vem a partir de Pe Victor e permanece até os nossos dias, pela passagem dos missionários nas Santas Missões que aqui ocorreram, pelos anos que estiveram à frente da paróquia (1970/1996) e, também, no Seminário do Santíssimo Redentor. Louvamos e bendizemos a Deus por todos aqueles que colaboraram na execução desta obra, e pedimos que a graça de Deus nos conceda logo celebrar a beatificação do Servo de Deus, Pe Victor Coelho de Almeida”. 
  Pe Ricardo Alexandre Fidelis
Quem é o escultor Zelitto Rocha
O escultor Joselito da Rocha Sousa nasceu em Patos de Minas no dia 20/09/1963. Aos 19 anos mudou-se para Uberaba, onde permanece até os dias de hoje exercendo sua arte. De família humilde, o seu gosto pela escultura nasceu ao observar seu pai no ofício de esculturas de animais em madeira nas horas vagas. Começou sua trajetória artística como ceramista, fazendo entalhes e peças de decoração. Com o passar do tempo, esculpiu bustos de personalidades, peças sacras e esculturas sob encomenda.  Hoje tem esculturas espalhadas por toda Uberaba e região e essa, é sua mais nova obra, a estátua em tamanho natural de Pe Victor Coelho de Almeida.