Jornal O Estado do Triângulo - Sacramento
Edição nº 1737 - 24 de julho de 2020

Empresas revelam consequências da pandemia

Edição nº 1729 - 29 de Maio de 2020

Numa série de matérias, o ET vem abordando as consequências da pandemia causada pelo novo coronavírus, causador da doença Covid-19 que, após infectar a primeira pessoa no final de março, hoje, conforme dados atualizados pelo Ministério da Saúde já matou mais de 27 mil pessoas no País. Foram abordados, inicialmente, dois temas: o primeiro, sobre as medidas tomadas pelos estabelecimentos comerciais em conformidade com os decretos editados e, em segundo, o trabalho das escolas ao adotar durante esse período as aulas à distância através dos canais de TV e internet.  Nesta edição, estamos fazendo um resumo das consequências da pandemia em relação às empresas sobre a queda da receita em comparação ao mesmo período do ano passado; aumento de preços dos fornecedores e demissão de funcionários. Nosso objetivo é deixar um registro desse momento à geração atual, que sente na pele todo esse medo, angústia e por que não, dor; e às gerações futuras para que tomem conhecimento do que aconteceu neste fatídico ano de 2020, que, até lá vai se tornar história, como a Gripe Espanhola de 1917/18, que matou 35 mil pessoas no Brasil


Pacheco’s Buffet

Um dos segmentos comerciais mais afetados pela pandemia do novo coronavírus foi aquele que trabalha com eventos sociais, onde a aglomeração de pessoas é inevitável, por essa razão proibida no primeiro decreto publicado sobre as medidas de combate à covid-19. 

Ouvido pelo ET, o empresário Carlos Antônio Pacheco (foto), proprietário da principal casa de eventos da cidade, o Pacheco’s Buffet, afirmou que a casa ainda está fechada, devido ao decreto que  não havendo flexibilização para o setor. “Importante ressaltar que o segmento de eventos continua impedido de retornar às atividades. No entanto, concomitante a esta atividade principal, a empresa é fornecedora de alimentação para empresas de nossa cidade, que terceirizam esse serviço, estando há mais de dez anos, atuando nesse mercado no formato de delivery (entregas em domicílio), conforme determinam as novas regras para a prevenção contra a propagação do novo coronavírus”.

Sobre a escassez de produtos no segmento e demissão de funcionários, Carlos Pacheco disse que “não houve escassez ainda, no entanto, os produtos alimentícios sofreram aumento significativo no seu preço, sendo os mais relevantes, na ordem de 25%. E como a nossa demanda é estabelecida por contrato, não houve alteração nas vendas e por consequência, não houve também a necessidade de alteração na equipe”.

Com relação aos eventos programados neste ano, reconhece o empresário que não há muito o que fazer, a não ser adiá-los. “Enquanto perdurar a suspensão dos eventos sem uma perspectiva palpável, não há muito o que se fazer, considerando que esse tipo de evento, requer um planejamento bastante antecipado por parte dos contratantes e que essa atividade tem em sua essência a aglomeração de pessoas”, justificou, esperando que os eventos sejam adiados.

Analisando a situação, sem citar números, Pacheco admite prejuízos e perdas insubstituíveis, porém encara com otimismo as mudanças que certamente virão. “Esta pandemia, forçosamente trará novas formas de trabalho, novos mercados e uma dinâmica renovada nas relações comerciais que em muito propiciará a retomada do desenvolvimento econômico, não só em nossa cidade, mas no mundo todo”

 


Supermercado Maísa

Sem citar números, o empresário Dênis Fabiano (Chiquinho) (foto) respondeu que o Supermercado Maísa não “sentiu tanto” a crise da pandemia. “Acredito que o comércio geral foi atingido, mas no ramo de supermercado não afetou tanto o setor de vendas, principalmente no início, pois as pessoas quiseram estocar mercadorias com receio de cortes e que esse setor pudesse vir a fechar”, informou, revelando que admitiu novos funcionários nesse período.

“Como os clientes optaram por fazer pedidos pelo whatsapp, ao invés de vir ao supermercado, tivemos que admitir funcionários para melhor atendê-los. E temos esperanças de que isso possa passar mais rápido possível a fim de voltarmos às nossas atividades com mais tranquilidade e segurança”,finalizou.


Salão de Beleza da Bete 
A cabeleireira  Elisabete Terezinha Pinhal Nunes (Bete) (foto), em entrevista ao ET, disse que tudo aconteceu de forma inesperada. “Infelizmente, não estávamos preparados para a situação, foi tudo inesperado. E por ser fator de saúde nos temos que pensar e repensar em nossos ações e atitudes, pois com saúde não se brinca, ela é o nosso bem  maior”, enfatiza, reconhecendo que sua atividade foi atingida diretamente pela crise pandêmica. 
“Minha atividade econômica, ligada ao setor da beleza, foi atingida diretamente, pois com o isolamento as clientes não tiveram por quê buscar esse tipo de prestação de serviço. São nesses momentos que temos de criar estratégias de atendimento. No início da pandemia e do isolamento social, determinado pela publicação dos decretos, fizemos atendimentos em domicílios, individual. Após a flexibilização, criamos o agendamento individual no salão, fiel ao horário e buscando atender no máximo de cinco pessoas presentes no estabelecimento”, informou, reconhecendo que a receita do salão caiu bruscamente. 
“- Em relação ao movimento e receita econômica do salão, com certeza esse tempo de pandemia está sendo muito agressivo em comparação ao mesmo período do ano anterior. Tivemos uma queda de 70%, a receita foi lá em baixo. Agora é esperar tudo passar e buscar recuperar aos poucos porque será lento e gradativo, mas o mais importante, sem dúvida, está na preservação da vida. Com fé em Deus, vamos todos ficar mais fortes”.
A escassez de produtos atingiu também o segmento de beleza. Confirma Bete que não conseguiu encontrar todos os produtos com os fornecedores, além do que houve um aumento de 30% no preço em alguns produtos. “Mesmo assim, até o momento, não estamos repassando esse aumento aos clientes, porém não sabemos até quando. Estamos fazendo o possível para poder atender melhor a todos, até que tudo passe. Tudo voltará ao normal, se Deus quiser”.


 Supermercado Renata
Para  Supermercado Renata a queda nas vendas em comparação ao mesmo período do ano passado foi de 12%. “O que percebemos é que o cliente mudou completamente seu perfil de compra, causando essa queda na receita”, apontou, fazendo uma análise dos últimos dois meses.
“As consequências da pandemia são muitas, afetando toda a rotina da empresa, desde o início, quando houve uma corrida às gondolas por medo de falta de mercadorias, até hoje, onde muitos clientes ainda evitam vir ao supermercado”, diz Bessa, ressaltando que, apesar das adversidades, a empresa não despediu nenhum funcionário.  “A empresa antecipou muitas férias, distribuiu máscaras, entregou panfletos com orientações de prevenção e, por enquanto, parou de trabalhar aos domingos, além de relocar funcionários para o atendimento de compras via telefone e whatsapp, devido à grande demanda.
De acordo com o gerente, nesse período a empresa tem também enfrentado problemas de logística com muitos fornecedores, desde falta de produtos até aumentos de preços sem aviso prévio. “Esse aumento inesperado por parte dos fornecedores consideramos o pior, pois muitas vezes o cliente acredita que o aumento tenha partido do supermercado, o que gera muitas reclamações”.
Academia Atlântica
As academias de ginástica também estão entre as empresas que mais sofreram as consequências da pandemia gerada pelo novo coronavírus, como foi o caso da mais tradicional casa da cidade, a Academia Atlântica, que gentilmente atendeu o ET para falar sobre o assunto. 
“Como empresa prestadora de serviço da área da saúde, tivemos uma drástica redução no número de atendimentos, principalmente esta semana que esfriou bastante, levando os alunos a ficarem com medo de estarem mais sujeitos a qualquer tipo de infecção devido a esse tempo”, respondeu o jovem Fausto Junqueiro de Castro Bezerra, que dirige a Academia Atlântica com sua mãe, Ihana Junqueira de Castro Bezerra (foto).
No início da pandemia, informou mais Fausto, a academia encontrou dificuldades para a compra de alguns produtos de limpeza, como álcool, álcool gel, desinfetantes, etc. “Mas logo normalizou e recebemos os produtos que necessitávamos a tempo”, disse mais Fausto, reconhecendo, entretanto, que houve um aumento exorbitante em alguns dos produtos utilizados. “Alguns produtos tiveram um aumento na ordem de 70%”, revelou, lamentando uma consequência que acaba sendo inevitável para qualquer empresa, a demissão de funcionários. 
Essência Moda Íntima
No segmento de roupas e vestuário, a empresária Sônia Maria Borges de Oliveira (foto), proprietária da Essência Moda Íntima, comparou a crise a uma bomba. “A pandemia caiu como uma bomba sobre nós, você dorme, acorda e tem que fechar as portas do seu comércio que é a sua fonte de renda. No primeiro momento ficamos meio que não era verdade, como assim? E meus funcionários? Os fornecedores, fábricas a quem eu devo? Mas é lei e você tem que cumprir, assim como as fábricas, com muito mais famílias que dependem de você”, reflete, informando que a loja teve uma queda de 70% nas vendas e promoveu acordos com jornada de trabalho menor. 
“Numa ligeira análise, posso dizer que as vendas em março despencaram. E como saber o que seria em abril, com cada pedido suspenso ou cancelado. Nas fábricas onde compro não houve acréscimo nos preços. 
E fica uma reflexão: e agora, como vai ser? Já com uma queda, como eu disse, de 70% nas vendas, demissões acontecendo... Aí você pensa, tudo tem um jeito só pra morte que não. E vamos reaprendendo e, às vezes, ensinando. Mudamos o jeito de pensar e descobrimos que vamos ter que viver um dia de cada vez... com muita empatia e solidariedade.