Jornal O Estado do Triângulo - Sacramento
Edição nº 1771 - 26 de Março de 2021

Cidade tem cinco mortes pela covid-19

Edição nº 1741 - 24 de agosto de 2020

Essas três últimas semanas foram de grande tristeza para a cidade, que perdeu cinco de seus filhos vítimas da covid-19.  Maria Regina Peixoto, de 56 anos; Luís Antônio Borges 70; Ailton Peres de Freitas 48; Rosa Maria de Sousa Tavares 63 e José Severino da Silva Filho 70. Até o fechamento desta edição, era este o boletim da Secretaria de Saúde: 8 internados, sendo 3 em UTI’s e 5 em enfermaria.

 

Luís 'Moicana' 

Luís Antônio Borges (foto), mais conhecido como Luís Moicana, morreu na tarde do dia 12 último, no hospital em Uberaba, vítima de covid-19, aos 73 anos. Seu corpo foi trasladado para Sacramento e sepultado no cemitério São Francisco de Assis, na manhã do dia seguinte. 

Casado, Luís deixa a esposa com Lucia Helena Cintra, quatro filhos:  Maria de Lourdes, João Américo (Maria Gerlândia), Marta Helena e Maria Luiza (Renato Santana) e seis netos: Luís Felipe, Ana Luiza, Ana Lívia, Helena, Elisa e Gabriel. E deixa ainda um grande legado de exemplos como pai, como trabalhador e como amigo.

Sacramentano, Luís Antônio Borges, nasceu em 9/08/1949 na região da Rifaininha, no lar de Mercedes Joe Borges e Américo Raimundo Borges e foi criado com outros 14 irmãos. Aos 17 anos conheceu Lúcia Helena Cintra, filha de João Justino Cintra, (Moicana) e Adelminda Rosa Cintra (Mindinha), seis danos depois se casaram e constituíram uma bela família, de cinco filhos, dos quais quatro vivos.

Luís foi um grande empreendedor sacramentano, proprietário da Oficina Mecânica Santa Lúcia, não media esforços para atender os pedidos de ajuda para automóveis e caminhões estragados nas estradas e fazendas até mesmo com a saúde debilitada. Foi um trabalhador incansável, amigo, caridoso e religioso.  Luis foi Ministro da Eucaristia e junto com a esposa Lúcia Helena participaram dos movimentos da Igreja Católica: Encontro de Casais, Cursos de Noivos, Cursilho, Irmãos do Santíssimo e Pastoral Familiar. 

De acordo com a filha Maria Luiza, uma de suas recordações do pai, era ouvi-lo contar que, além de casar com a filha, ele herdou o nome do sogro, o finado João Moicana.  

“Falar do meu pai não é difícil, ele foi um homem trabalhador, viveu sua vida para a família e para o próximo, buscando sempre o melhor da sua família, do seus amigos, do seus clientes, do seus colaboradores, o que ele podia ajudar ele ajudava. Não me lembro de ouvir meu pai falar não para ninguém. Hoje estamos tristes, por sua partida inesperada, mas com a certeza de que ele fez e deixou o melhor para nós, um exemplo de um homem honesto e trabalhador. Sabemos que onde ele estiver ele está olhando por nós”.

Seu irmão Cleomar Alves Borges, em sua página social lembrou da ajuda do irmão Luís, no seu início de carreira e demonstrou sua admiração: “Obrigado por tudo, meu irmão Luís.  Sempre te admirei muito pelo profissional que era, pelo caráter, pela dedicação à família e a comunidade, pela fé e perseverança, como pai e principalmente como irmão. Devo-lhe muito meu irmão, por ter me incentivado e ensinado a profissão e principalmente pela ajuda no início de minha vida. Vamos sentir muito sua falta, Luiz!”.

 

Ailton Faísca 

Ailton Peres de Freitas, o Faísca, 48 morreu por volta das 14h45, do domingo 16, no Hospital Regional, de Uberaba, onde se  encontrava internado na UTI, desde a segunda-feira 10,  para tratamento da Covid-19, mas foi vítima de um infarto e não resistiu. 

De acordo com a esposa Celiamar, o marido apresentou os primeiros sintomas na semana anterior, mas permanecia em casa. “Ele estava em casa com muita tosse, no final da semana seu estado se agravou e foi levado para a Santa Casa na manhã de segunda-feira 10. Por volta das 20 horas foi transferido para Uberaba, permanecendo no oxigênio até o dia seguinte, quando quadro piorou com uma pneumonia, problema nos rins e precisou ser intubado. Seu quadro foi se agravando até que teve um infarto e não resistiu”, conta emocionada Celiamar, destacando a dor e a tristeza que se abate sobre a família. “Foi muito rápido, é muita tristeza pela perda, por não ter velório, resta-nos segurar nas mãos de Deus”. 

Conforme a esposa, o corpo de Faísca chegou a Sacramento por volta das 8h da manhã da segunda-feira 17 e foi sepultado no cemitério São Francisco de Assis, depois de ser velado por dez minutos por cerca de 15 pessoas, à distância, no próprio cemitério. 

 

Ficam a saudade e o legado

 

Faísca, filho de Jerônimo Peres de Freitas (in memorian) e de Divina Maria da Silva, era casado há 26 anos com Celiamar Borges de Freitas, pais de duas filhas Gabriela e Carolina e um neto, Miguel.  Deixa além da família, muitos amigos e um legado de exemplos de trabalho e engajamento social.  

O empresário Faísca, Técnico em Contabilidade, formado pela extinta EE Crema, há 20 anos era proprietário do Açougue Fama era membro da diretoria da Associação Comercial e Empresarial (ACE) e há vários anos, confrade da Loja Maçônica Acácia do Borá, onde exerceu vários cargos, atualmente era Past Venerável Mestre  e encontrava-se no grau 33.

 

Com autorização da família, o ET informa que seu irmão, Adilson (Maguila), que encontrava-se internado desde o domingo 9, recebeu alta nessa quarta-feira 19 e   a filha de Faísca que testou positivo,  ficou de quarentena em casa, ambos estão de alta médica. 

 

Nota da redação - Nesses últimos dias, além das mortes por causas naturais, algumas famílias vivem também a perda de entes queridos vítimas da Covid-19.  Dada a impossibilidade, imposta pela pandemia, de contatar todas as famílias, a equipe do ET deixa registrada suas condolências a todos que estão sofrendo a solidão do luto pela perda de seus entes queridos e pela impossibilidade de receberem uma visita, um abraço e um ombro amigo... Que todos busquemos a força em Deus. 

Às vezes, somos questionados por que publicamos obituários de algumas pessoas e outras não. O critério adotado é padrão na maioria dos jornais, o que por si já demonstra para muitos uma  certa discriminação. Não, jamais. A notoriedade das pessoas, desde o presidente da República ao benfeitor analfabeto que pela sua caridade exercida recebeu uma medalha são pessoas notáveis que, naturalmente, os jornais registram sua morte; assim como outras vítimas de acidentes, catástrofes; igualmente pessoas simples porém muito conhecidas. O ET atende também as manifestações e pedidos das famílias.