Jornal O Estado do Triângulo - Sacramento
Edição nº 1771 - 26 de Março de 2021

A agropecuária nos 200 anos de Sacramento

Edição nº 1741 - 24 de agosto de 2020

Produtores Rurais fazem história em Sacramento

André Eugênio Barra Bisinotto

 

A produção agropecuária do município de Sacramento acompanhou o lento processo de desenvolvimento tecnológico desse segmento em todo o mundo. Dos instrumentos manuais como a pedra, madeira e ferro utilizados até o século XIII, quando surge o primeiro arado de lâmina de madeira, foram precisos mais 400 anos para substituir o manejo manual do homem pelo animal e outros 250 para o advento da agricultura moderna. 

Quando Sacramento entra na história, em 1820, a agricultura moderna não era ainda conhecida, o que aconteceu em 1850. A partir daí foi um vertiginoso salto que não parou mais até chegar à agricultura de precisão com gerenciamento de dados através de computadores, GPSs, drones... O mesmo pode-se dizer da produção pecuária. Para atender a toda essa fantástica demanda agropecuária, um grupo de produtores rurais funda em Sacramento, no dia 25/02/1958, a Associação Rural de Sacramento, logo transformada em Sindicato dos Produtores Rurais de Sacramento, com o objetivo de lutar pelos interesses do produtor rural. De José Afonso Borges (Zé do Pandó) a minha atual gestão, vários presidentes, Antônio Rodrigues da Cunha Jr (Moreno), Antônio Afonso de Almeida, João Oswaldo Manzan, e Hermógenes Vicente Ribeiro deram sua preciosa contribuição na promoção humana e tecnológica ao homem do campo, do pequeno ao grande produtor, através de um sindicato forte e atuante.

Na década de 50 existia muita dificuldade para produção e para escoar os produtos, a produção agrícola era basicamente, arroz, feijão, milho, mandioca e café, plantados em pequenas áreas, cuja produção era muitas vezes para subsistência da família e até comercializadas a base de troca. Na pecuária não era diferente, o rebanho de raças bastante rudimentares, tinha baixa produção de leite e carne. Era conhecido como gado mestiço, quando vendido era tangido, levando vários dias para chegar ao seu destino. Nessa época, o leite era beneficiado na própria propriedade, fazendo manteiga e queijo e também era entregue em laticínios da região que começavam a se desenvolver.

O município de Sacramento não era diferente do Brasil. A agricultura e a pecuária sofriam com a escassez de tecnologia, incentivos políticos e informações para o produtor rural, fazendo com que se plantasse apenas em terras de boa qualidade.

Com o aumento da população e a escassez de alimentos, foram desenvolvidas tecnologias e instituídas políticas para aumento da produção agrícola e pecuária. Era o início do processo de modernização do agronegócio, não só no Brasil, utilizando novas tecnologias agrícolas e melhoramento genético do rebanho. Podemos citar a pecuária leiteira, até então, totalmente manual, aos poucos foi substituída pelas modernas ordenhas mecânicas e o rebanho de corte cada vez mais elitizado, através do melhoramento da raça e pastagens. Várias ações foram feitas pelo Sindicato através de assistência técnica com veterinários e cursos de inseminação artificial. Juntamente com o SENAR foram desenvolvidos vários cursos de melhoria da gestão da propriedade rural e qualificação da mão de obra. 

E em terras onde “se plantando tudo dá” os produtores rurais começam a diversificar sua produção para melhor rentabilidade durante todo ano. A produção do café chega com força no município, colocando Sacramento em destaque no Estado como grande produtor. Seguido pela soja, milho, sorgo, batata, madeira e, recentemente, alho, cenoura, cebola. O plantio e a colheita que até então eram 100% manuais, hoje foram substituídos por modernas máquinas. Sacramento tornou-se um dos grandes produtores de alimentos, ocupando o 70º lugar no Brasil no ano de 2019 conforme dados do IBGE.

Tudo isso, agregado a uma tecnologia de ponta, com modernas máquinas, agricultura de precisão, produzindo não apenas nas terras de cultura, como também nos campos e chapadões, mediante a instalação de pivô central. Antigamente, uma área produzia apenas uma safra por ano, hoje com o SENAR promovendo diversos cursos como, qualificação da mão de obra do trabalhador, orientação para o uso correto de defensivos agrícolas, curso para preservação de nascentes nas propriedades rurais entre outros, chega a produzir até três colheitas.

Porém, não basta somente produzir. O produtor rural precisa também de assessorias técnicas, contábeis e trabalhistas de qualidade, contando com várias parcerias como o IMA, UNIMED e FAZU. Na área de segurança, mantém convênio com a Polícia Militar, com a patrulha rural, levando ainda informações ao produtor através da rádio Sacramento FM, com programas semanais.

Em todo esse processo de desenvolvimento da agropecuária, o Sindicato dos Produtores Rurais se fez presente direto ou indiretamente no município de Sacramento, patrocinando produtores de sucesso. Hoje com 62 anos de existência, o Sindicato dos Produtores Rurais, representado pelos seus quase 1.000 associados, sente-se honrado em comemorar os 200 anos de Sacramento, contribuindo para o crescimento do agronegócio e gerando riquezas no município.


André Eugênio Barra Bisinotto, agrônomo e produtor rural é o atual presidente do Sindicato Rural de Sacramento