Jornal O Estado do Triângulo - Sacramento
Edição nº 1777 - 07 de Maio de 2021

Procissão Fluvial leva centenas de devotos ao Cipó

Edição nº 1696 - 18 de Outubro de 2019

As festividades de Nossa Senhora Aparecida, na cidade, depois da Procissão das Velas e do  Tríduo na Paróquia Basílica,  nos dias 9, 10 e 11, encerraram-se no dia 12, com a Procissão Fluvial, que reuniu cerca de 80 barcos. Em seguida, a missa presidida pelo vigário paroquial, Pe. Carlos Alexandre e concelebrada pelo missionário redentorista, Pe. Dionísio Foltran Zamuner. No final da missa, a imagem foi levada pelos fieis até a capelinha, onde foi proferida a bênção final.

À noite, na Basílica, também foi celebrada uma missa em louvor à Padroeira do Brasil, seguida de procissão pelas ruas centrais, uma oportunidade para a participação daqueles que não puderam participar das celebrações na Estação do Cipó, que está em reforma, passando por uma completa revitalização.  

Na homilia, o vigário destacou o papel da Virgem Mãe na vida do Cristão, ao refletir as leitura do Livro de Ester, do Apocalipse de São João e do Evangelho de João, com a passagem das 'Bodas de Caná da Galileia. “O exemplo de Maria a seu filho nas Bodas de Caná é um exemplo de mãe zelosa e intercessora. A Teologia nos aponta, através da Cristologia e da Mariologia, que Nossa Senhora sempre aponta para Jesus. Sempre mostra a figura de seu Filho para nos indicar o caminho da Salvação. Ele, seu Filho, não deixa desamparado aqueles que a ela recorrem. Como ela esteve sempre firme na fé, assim devemos viver, firmes na nossa fé, pela intercessão da Mãe e é por isso que pedimos a Nossa Senhora, padroeira do Brasil, que cubra o nosso País de bênçãos, cubra com o seu manto os brasileiros, que precisam tanto deste aconchego de Mãe...”

Finalizou, destacando o trabalho de Santa Dulce dos Pobres, o 'Anjo bom da Bahia', título carinhoso que lhe deram os baianos, ainda em vida, e que foi canonizada no último domingo 13 pelo Papa Francisco.  “Merece o nosso louvor, porque aquele que doa a sua vida em favor do Reino de Deus, do nada pode fazer tudo”.  

O vigário agradeceu ao prefeito Wesley De Santi de Melo pela estrutura montada no Cipó para a celebração e pelas melhorias feitas no patrimônio. Agradecimento também a dona Glória Barbosa Afonso, através de seus familiares, pela doação do terreno para a capela de Nossa Senhora Aparecida. Finalizou pedindo ajuda dos fieis para o término das obras da Capela, construída a partir de uma casarão existente na antiga estação, no lugar que ele denominou de “Porto de Nossa Senhora Aparecida”. 

 

Padre Dionísio: 

“Agradeço este testemunho de fé que vivemos juntos neste dia...

 

Reitor do Seminário do Santíssimo Redentor, de 1977 a 1981, o missionário redentorista, Pe. Dionísio Zamuner,  em visita à cidade participou da Romaria Fluvial e da celebração eucarística. Na sua mensagem, agradeceu pela oportunidade de participar daquele “testemunho de fé” vivido pela comunidade.

“Que bom unirmos nossos corações, nossa voz e nos encontrarmos nessa peregrinação fluvial. Maria é a Mãe que reúne todos os filhos e cada um que aqui está vem pedir por seus familiares, amigos... Agradeço esse testemunho de fé que vivemos juntos neste dia”, disse, ao ser anunciado por Pe. Carlos. Ao despedir-se, no final da celebração, informou que estará nas Missões Redentoristas que serão pregadas em junho do próximo ano na cidade. E desafiou os presentes a lembrarem quando foi realizada a última missão na cidade. Ninguém soube. “Nem eu”, disse sorrindo, garantindo que estará aqui em 2020, ano em que a cidade celebra seu bicentenário.

“Em junho do ano que vem estaremos num tempo de Missões, um tempo especial de graças. Mas enquanto não chegam as Missões, a gente vive a nossa missão do dia a dia, na família, no trabalho, na escola, vivendo juntos em comunidade, tentando fazer o bem, ajudando-nos”, ressaltou, manifestando sua alegria em visitar a cidade e informando que estará esta semana participando do tríduo comemorativo dos 125 anos da presença redentorista em Aparecida do Norte.

“É uma alegria muito grande estar aqui, ver tanta gente conhecida e conhecer novas pessoas. E vou levar todos os pedidos, orações e a lembrança de todos para o tríduo que estaremos celebrando no Santuário Nacional, pedindo que Nossa Senhora continue a olhar por nós e pelo nosso Brasil e que possamos caminhar sempre unidos”. 


Participação dos devotos cresce a cada ano

Às margens do rio Grande, apesar do sol forte e muito calor, uma multidão se manteve firme até a chegada da imagem ao 'Porto de Nossa Senhora Aparecida', como bem definiu Pe. Carlos. E entre cânticos e vivas a Padroeira do Brasil, foi conduzida até o altar central para a concelebração da missa. 

O ET que esteve presente á celebração pela 11ª vez, conversou com alguns devotos, que expressaram a sua fé e esperança na proteção da Mãe dos Brasileiros. Maria Aparecida de Jesus Bigi participou da celebração pela primeira vez. 

“Venho para pedir bênçãos e agradecer. Aliás tenho mais é que agradecer pelas graças de todos os dias. E estou muito feliz por estar aqui. É uma bênção”, disse, destacando que já foi a Aparecida três vezes.

Dona Vilma Auxiliadora Batista veio de Conquista, com  a irmã, Maria Aparecida Batista, levada  pela filha Cleide dos Reis Mendes Claudino.  “Uma alegria muito grande   poder estar aqui, porque nossa Senhora é tudo na minha vida e de minha família. Ela é nossa Mãe, tudo o que precisamos recorremos a ela”.

Ana Lúcia Rezende Santana, participando da celebração pela quarta vez, garante que a devoção é grande. “A devoção e o amor que temos pela Mãe nos traz aqui. É uma festa muito bonita e uma oportunidade de oração, de agradecimento, de alegria. Já fui a Aparecida várias vezes, mas se ela está também aqui e tão perto, temos que  participar”. 

Wilson Guarato (Massim), devoto de Nossa Senhora, residente em Conquista, veio pela 11ª vez à celebração. “Todo ano eu venho pela devoção que tenho por Nossa Senhora Aparecida, uma herança de família. E é uma festa muito bonita. A gente fica emocionado,  quando ela vem chegando no barco. Participo da missa e volto para casa feliz”, afirma, ao lado do amigo, José Vieira Palhares, sacramentano que morou em Conquista, nos anos 1970, como funcionário da Cemig e lá se tornaram amigos. 

“Estou aqui todos os anos. Nos dez primeiros anos vim a pé esperar a chegada de Nossa Senhora e renovar a minha fé. Vir aqui é um compromisso pessoal e com ela também. Venho agradecer. É uma devoção antiga. Na década de 1960, morrei em São José dos Campos e todos os domingos ia  a Aparecida. Mas sou devoto também de Nossa Senhora do Perpétuo Socorro, desde criança, na época da campanha dos Tijolinhos  com Padre Antônio. Toda quarta-feira ia à novena na Igreja do Rosário. E continuo firme nessa devoção”.

 O professor aposentado Luiz Armando Vieira (Mandi), filho de José Palhares,  emocionado, ao lado do tio, José Maria Vicente,    aguardava mais uma vez a chegada da Santa para agradecer por sua recuperação. 

“Antes eu não  podia vir, mas graças a Deus, agora posso estar aqui no Cipó para ver a chegada da Procissão Fluvial e poder agradecer. E tenho muito, muito que agradecer. Mas ainda falta uma viagem para eu fazer, ir a Aparecida, aos pés de Nossa Senhora para agradecer Estou apenas esperando me recuperar um pouco mais para ir ao seu Santuário. E se Deus quiser vou lá agradecer”.  

O tio José Maria Vicente, residente em Campinas, revela que todo ano vem para a festa de Nossa Senhora Aparecida. “A gente vem todo ano para agradecer e fico feliz por ver o Mandi cada vez mais recuperado, agora é só agradecer”. 


Momento de devoção e fé

O prefeito Wesley De Santi de Melo manifestou sua alegria pelo 11º no da festa. “É com muita alegria que participamos a cada ano desta festa tão bonita, que é a Procissão Fluvial, é um momento de muita devoção e fé. E a participação aumenta a cada ano. Tivemos mais de 80 barcos na saída do poção, e vai crescer ainda mais”, destacou, completando que aos poucos o lugar vai ganhando melhorias. Além dos prédios históricos que estão sendo todos recuperados, respeitando sua arquitetura, estamos revitalizando todo o seu entorno, o que, sem dúvida vai contribuir ainda mais para a beleza e sentimento de fé e devoção que esta festa demonstra” 

Prosseguindo, o prefeito prometeu concluir as obras antes da próxima festa. “A capela de Nossa Senhora Aparecida está aqui e deve também ser concluída, um lugar que, como disse Pe. Carlos, é o 'Porto de Nossa Senhora Aparecida'. E se Deus quiser, essas obras estarão inauguradas dentro das comemorações dos 200 anos, representando apenas o começo das melhorias para este lugar. Tudo está caminhando dentro do previsto e essa é mais uma homenagem a Nossa Senhora Aparecida na nossa cidade, que tem muito a crescer”.

 

  Destaque-se o testemunho do casal Maria Salete e José Maria, de Uberlândia, que anualmente vem a Sacramento, participar da Festa da Padroeira do Brasil. 

 

12 de outubro,  Dia de Nossa Senhora Aparecida foi oficializado em 1953

Nossa Senhora da Conceição Aparecida foi proclamada Rainha do Brasil e sua Padroeira Principal em 16 de julho de 1930, por decreto do Papa Pio XI, mas a imagem já havia sido coroada anteriormente, em nome do Papa Pio X, por decreto da Santa Sé, em 1904.

A festa em louvor a Nossa Senhora Aparecida, que já era tradicional desde outubro de 1717, quando a imagem foi 'pescada' no rio Paraíba do Sul, já era celebrada em todo o país, porém sem data fixa. A partir da proclamação do seu padroado à nação, a festa da Padroeira do Brasil foi celebrada em diversas datas: no dia da Imaculada Conceição (08/12), no 5º domingo após a Páscoa, no 1º domingo de maio (mês de Maria) e no 7 de setembro (Dia da Pátria).

Mas foi em 1953 que a CNBB (Conferência Nacional dos Bispos do Brasil), em Assembleia, determinou que a Festa dedicada a Nossa Senhora Aparecida fosse celebrada no dia 12 de outubro. Por um decreto de 5 de setembro de 1953, a festa litúrgica de Nossa Senhora foi estabelecida pela Santa Sé. Uma das razões para a escolha da data foi a proximidade  da época do encontro da Imagem, na segunda quinzena de outubro de 1717. Em 12 de outubro de 1954 foi celebrada pela  primeira vez a festa.  

 

Já o feriado nacional de 12 de outubro, foi oficializado  através da  Lei nº 6 802, de 30 de junho de 1980, por ocasião da visita do Papa João Paulo II ao Brasil, o então Presidente da República, General João Batista Figueiredo, promulgou a Lei n. 6.802, de 30 de junho de 1980, “declarando feriado federal o dia 12 de outubro para o culto público e oficial a Nossa Senhora Aparecida”, conforme consta no Diário Oficial da União de 1º de julho de 1980. Também nesta lei, a República Federativa do Brasil reconhece oficialmente Nossa Senhora Aparecida como padroeira do Brasil.