Jornal O Estado do Triângulo - Sacramento
Edição nº 1771 - 26 de Março de 2021

Sílvio Magnabosco morre vítima de aneurisma

Edição nº 1451 - 06 Fevereiro 2015

O caminhoneiro aposentado, Sílvio Magnabosco, morreu dia 30 de janeiro na Santa Casa de Sacramento, vítima de rompimento do aneurisma, acompanhado de parada cardíaca. Filho de Domingos Magnabosco e Angela Berlato, imigrantes italianos chegados a Sacramento no início do século passado, Sílvio morreu aos 80 anos, deixando esposa, filhas, netos e bisnetos com uma enorme tristeza, mas também com um grande aprendizado de como é necessária a fé, a coragem e a ousadia para atravessarmos os caminhos da vida. Velado por familiares e um grande número de amigos, após as exéquias, foi sepultado no Cemitério São Francisco de Assis.

Em 1957 casou-se com a Profa. Maria José Alves Magnabosco e dessa união nasceram os filhos: Silvinho, Madalena, Viviane e Renata. O casal conviveu por 57 anos e o que mais os uniu foi a parceria, a cumplicidade e o valor dado à família.

Como profissional, Sílvio trabalhou grande parte de sua vida como caminhoneiro. Percorreu o Brasil transportando diversos tipos de carga.  “Como todo profissional das estradas, tinha muitas histórias vividas, e não havia nada melhor do que escutá-lo em narrativas de aventuras, desventuras, companheirismo, atrasos, lutas, etc, por essas estradas”, lembrou a filha Madalena, contando outras passagens, como esta:

“- Lembro-me que quando papai chegava em casa íamos todos sentar ao redor da mesa da cozinha para ouvi-lo. Ele nos trazia o mundo e em suas narrativas aprendíamos a coragem e a ousadia para vivermos”.

Sílvio trabalhou até os 73 anos como caminhoneiro e somente abandonou suas atividades pelo início de um processo de adoecimento, próprio do envelhecimento humano.

Sofrendo com desmaios e variações de pressões cada vez mais constantes, buscou ajuda médica e em 16 de dezembro de 2011 descobriu um quadro de insuficiência renal crônica. Iniciou a hemodiálise em dezembro de 2011 na cidade de Barretos até ser transferido para o Hospital São José , em Uberaba. Realizou o tratamento durante dois anos, no primeiro, três vezes na semana, neste último ano, apenas duas. No Hospital São José, era uma pessoa querida e exemplo de sabedoria pelo modo cheio de humor com que tratava a todos e a si mesmo.

Recorda mais Madalena que o pai tinha também seus momentos de dissabores. “Quando não o tiravam do sério com injustiças, lentidões e absurdos ele era puro humor. Sua maior dor, que fazia com que perdesse o humor, era lembrar a morte de seu filho, Silvinho”. 

A morte de Sílvio Magnabosco aconteceu de modo abrupto com o rompimento de um aneurisma na aorta abdominal, que o acompanhava desde o início do tratamento de diálise. Diz Madalena que o pai brincava com seu estado de saúde. “Ele próprio brincava dizendo ter dois corações: um no peito e um na barriga. Mesmo sabendo dos riscos que corria não abandonou suas atividades diárias na casa e suas caminhadas. Ele adorava encontrar pessoas e trocar alguns dedos de prosa”.

Segundo a filha, durante esses três anos de tratamento, Sílvio apurou sua fé, que tinha como um leme em sua vida. “Diante de sua fé e a confiança no Pai Eterno optou por não realizar a cirurgia para retirada do aneurisma,  pois dizia que se chegasse sua hora seria a justa hora desejada por Deus”.