Jornal O Estado do Triângulo - Sacramento
Edição nº 1771 - 26 de Março de 2021

O que os vereadores pensam sobre o Carnaval

Edição nº 1452 - 13 Fevereiro 2015

Na primeira reunião ordinária da Câmara Municipal, o carnaval esteve em pauta na fala de alguns vereadores, alguns cobrando a festa, outros apoiando a decisão do prefeito Bruno Scalon Cordeiro que acabou com a festa, por conta da situação financeira da Prefeitura. Veja algumas opiniões.

 

José Maria parabeniza prefeito pelo fim do carnaval de rua

O vereador José Maria Sobrinho, da base do governo, rasgou o verbo e bateu pesado em relação ao carnaval de rua de Sacramento. Elogiou o prefeito pela decisão e criticou o carnaval de rua realizado em Sacramento nos últimos anos. 

“- Faz anos que este carnaval deixou de ser aquilo que interessava às pessoas sensatas e as famílias de Sacramento para se transformar numa balbúrdia. Então, nesse momento em que o Sr. Prefeito cancela  o carnaval, me veio de imediato o ditado antigo de que “a necessidade é a mãe da invenção”, afirmou, parabenizando o prefeito pela decisão. 

“- Sr. Prefeito, eu o parabenizo por isso, em nome da parte sensata  da população e das famílias que resguardam pela moral e bom andamento da sociedade. Eu o parabenizo, porque já passou, há muitos anos, da hora de a gente aniquilar com esse carnaval de rua. Isso é um  tormento. Se botar o diabo em pessoa, durante quatro dias aqui ele não dá conta de fazer o estrago que esse carnaval de rua faz em Sacramento”, criticou, enaltecendo os carnavais antigos dos salões. 

Para José Maria, “o carnaval de rua de Sacramento, ultimamente, o que ele faz é trazer tudo quanto é tranqueira das cidades próximas. O que ele faz é trazer pra cá um belíssimo comércio de tráfico de drogas, de prostituição, de arruaceiros, de bandidos e assaltantes”, disse, citando crimes ocorridos na cidade que tiveram relação com o carnaval,   como as mortes de Irânia Souza, Maicon Donizete dos Reis e Tamara da Silva.

“- Só por estes fatos já valeria acabar com este carnaval” (...) “Chamar isso aí de tradição? Isso é cultura? É tradição? Eu não sei em que país estou vivendo..” E dá sugestão para aplicar o dinheiro gasto com o carnaval: “Esse um milhão de reais que enfiam aí para patrocinar essa pouca vergonha, esse absurdo chamado carnaval de rua, por que não investem na festa do Divino Pai Eterno? No 1º de Maio, que é a festa de Eurípedes Barsanulfo? Folia de Reis? Congada? E vamos ver quantos assaltantes e traficantes vêm atrás disso...”. 

O vereador criticou também as escolas de samba da cidade que “ficam o ano inteiro paradas e, às vésperas do carnaval, querem o dinheiro da Prefeitura...”. E finaliza, criticando também a classe política.

 

“- E nós, políticos, na época de carnaval, ali na avenida: 'Que beleza! Sete mil pessoas em Sacramento! Superlativo... Quem gosta desse tipo de  superlativo  é político de corruptela de quinta categoria. Queremos é cultura, é tradição. Esse carnaval de rua do jeito que está aí, que vá para o diabo que o carregue...”. 

 

Marzola: “O melhor carnaval do interior... 

Sem se manifestar a favor ou contra, pediu informações sobre o valor da edição da  revista intitulada  “Sacramento, Minas Gerais, Brasil”, distribuída gratuitamente no final do mês de dezembro e início de 2015, onde o prefeito enaltece o carnaval da cidade em página dupla colorida, como “o melhor carnaval do interior mineiro”, afirmando: 

 

“- Um dos mais aguardados carnavais da região, conhecido pela beleza e diversidade das escolas de samba. É nessa cidade do interior que toda comunidade e visitantes caem na folia ao som do trio elétrico, que percorre todo o circuito do samba.  As lojas viram bares, as sacadas, camarotes e a praça principal, a Getúlio Vargas, vira praça de alimentação, tudo isso para que aconteça o melhor carnaval do interior de Minas”. E não tem carnaval...”, concluiu. 

 

Luiz Alberto: “Só se fala em carnaval em dezembro ou início de janeiro...

 

Também apoiando a decisão do prefeito, o vereador e carnavalesco da XIII de Maio, Luiz Alberto da Silva (foto) defendeu a criação de uma liga carnavalesca.  “Sou carnavalesco e vou continuar sendo. Não é por ficar um ano sem desfile, que vou deixar a minha paixão morrer. Que isso sirva para que nós, que trabalhamos com escolas de samba, não deixemos para falar de carnaval três meses antes. Estou nisso há 19 anos e só se fala em carnaval em dezembro ou início de janeiro, criticou. 

Dr. Pedro:  “Cortaram tudo que o povo podia ter...
O vereador Pedro Teodoro Rodrigues de Rezende, ao ler o manifesto, “O Grito dos Munícipes”, afirmou: “Cortaram tudo que o pobre podia ter, agora cortam também o carnaval, que era o único motivo que a população tinha para sorrir; que, por coerência, respeito às tradições e cultura de nosso povo, deveriam ter economizado e nunca ter deixado acabar. No mínimo, deveria ser mantido o desfile das escolas de samba. E nós, sacramentanos, não podemos nos esquecer que, nos dois primeiros carnavais,  2013 e 2014, quem sorriu em cima do trio elétrico foi o prefeito, que distribuía sorrisos e acenos para a população...”
Pedro Teodoro argumentou com José Maria que o carnaval na cidade é tão bom que nos dois primeiros anos, a Prefeitura trouxe até trio-elétrico. “Faltou planejamento, porque se nos dois primeiros anos achava que era uma maravilha, divulgou em revista para o Brasil inteiro que o carnaval é uma das riquezas de Sacramento, nós vamos falar que não é? Se ele achava que não era uma coisa boa, não demonstrou isso, ele incrementou o carnaval. Carnaval tem o lado bom e o lado ruim e se soubermos aplicar os recursos com segurança, ele não é uma coisa ruim. E acho que  isso é tem que ser discutido abertamente com a população. Carnaval é de interesse coletivo...”. 
Rafael Scalon: “Sou a favor de uma remodelação...
O vereador Rafael Scalon Cordeiro, líder do prefeito na casa, disse que o carnaval de rua está ultrapassado. “Eu não sou contra a realização do carnaval, mas nestes moldes, a céu aberto, no centro de Sacramento, eu acho que está ultrapassado, porque não é só o povo bom - que quer se divertir - que vem para Sacramento. A cidade fica imunda, suja, urina e fezes para todo lado, bagunça e, como disse o vereador José Maria, até morte já teve.
O vereador esclareceu que o prefeito não acabou com o carnaval na cidade, conforme nota à população.  “Ele justificou a queda de arrecadação e a crise hídrica no país e não foi uma posição isolada, pois ouviu secretário por secretário, os pontos positivos e negativos e todos foram unânimes em acatar a sua decisão”.
Afirmando que “os comerciantes de Sacramento também estão totalmente a favor da decisão do prefeito Bruno”, termina citando exemplo da cidade de Campina Verde que também não realiza carnaval de rua a pedido do Ministério Público, que moveu ação exigindo que o prefeito pagasse primeiro os funcionários públicos que estão sem receber desde junho de 2013”.
Mateus Bizinoto: “Gastos excessivos nos carnavais anteriores...
O vereador Matheus Fonseca Bizinoto criticou a forma de cortar gastos do prefeito Bruno Scalon Cordeiro.  “Quando se fala em crise, tem-se que cortar gastos, mas não entendo as formas de gastos que são cortados no município, porque corta-se de um lado e gasta-se de outro, como a revista citada nesta casa, que não é uma revista barata (...) o gasto excessivo com o carnaval nos dois primeiros anos, o corte das palmeiras, que não ficou barato... E tudo isso assusta e agora esta aí a realidade...” 
Os vereadores Cleber Rosa da Cunha, Leandro Roberto Araújo e o presidente Mateus Pereira  não se manifestaram.