Jornal O Estado do Triângulo - Sacramento
Edição nº 1777 - 07 de Maio de 2021

Negros realizam I Encontro Tambores, Arte e Liberdade

Edição nº 1466 - 22 Maio 2015

A Associação de Sacramento de Artistas e Artesãos (ASAA) e entidades do Movimento Identidade Negra realizaram na Quadra de Esporte Joélcio Rogério de Oliveira,

 no último final de semana 16 e 17, o I Encontro Tambores, Arte e Liberdade, em comemoração ao dia 13 de Maio, conforme justificou o presidente da entidade, Rhaavi Dionísio.  

“- Reunimo-nos com  todas as entidades afins, Congado, Moçambique, Capoeira, Dança Afro e a ASAA cumprindo o que foi decidido em uma reunião preliminar, realizar uma programação conjunta, para lembrar o mês da abolição da escravatura no Brasil, com um único objetivo, a conscientização sobre esse tema”, explica.

Para Rhaavi, o público pode não ser tão grande, mas é um começo. “É o primeiro evento que realizamos juntos, mas outros virão, sempre com o objetivo de conscientizar. E quando todos se conscientizarem do objetivo, da importância e o valor do negro para a sociedade, principalmente em Sacramento, onde a comunidade negra é grande, teremos alcançado o objetivo”, explica mais.

A programação começou às 18h do sábado, com apresentação do jogo da Capoeira, apresentações de Moçambique, Congado e show com a sacramentana Carol PI. No domingo 17, dança afro, desfiles de penteados e vestimentas afros e show de blues com Mr. Dark Blue Eyes. Destaque-se também o show de artesanato e delícias gastronômicas feitas pelas prendadas artesãs da ASAA.  Quem perdeu, aguarde o próximo evento previsto para o mês de novembro.

 

ASAA realiza grupos de estudo para valorização da cultura afro

Falando sobre a  africanização de alguns costumes e da cultura trazida da África para o Brasil, que está se disseminando, de várias formas, o presidente da ASAA, Rhaavi Dionísio, destaca  as metas futuras: “Com esse objetivo teremos ao longo do ano vários eventos, como desfile e oficinas de penteados e trajes afros”, afirma, revelando que em agosto acontece a primeira oficina. 

“A partir de agosto, a ASAA junto com o Congado e Moçambique vamos iniciar  um estudo sobre vestimentas africanas e trabalhar dentro das comunidades esse tipo de vestuário, dentro da realidade brasileira, mas no estilo africano”. Outra informação de Rhaavi é a criação de um grupo de estudos, de pesquisa e de metas para serem, alcançadas em relação a cultura afro-sacramentana”. 

Rhaavi concorda com uma impressão feita pelo repórter a respeito do vestuário dos integrantes dos ternos: 'o que se percebe, inclusive nos encontros de Congado, Moçambique, catupés e afins, que acontecem anualmente na cidade, ao contrário dos  visitantes que exibem roupas vistosas, bem típicas do africanos, os ternos sacrramentanos usam vestimentas como se fossem uniformes'. 

“- É verdade, mais parece uma fanfarra, todos com roupas iguais, quando na verdade deveriam estar vestindo indumentárias próprias de sua origem africana, que representem a África. Mas isso também será trabalhado, e percebo que não será um trabalho tão fácil, porque isso já está enraizado. Mas nesse processo de grupo de estudos, a nossa meta é fazê-los entender isso, que a Congada, o Moçambique, são representações da cultura afro e isso tem que ser levado em conta”, defende Rhaavi.

Para o presidente da ASAA, o 13 de Maio e o 20 de novembro são duas datas importantes. “O 13 de Maio é um marco mais político, mais ligado à realeza, precisava acontecer, era uma conveniência, enquanto o 20 de Novembro é mais simbólico, mas as duas datas têm grande importância. Particularmente, para mim, o simbologismo do 20 de Novembro, com Zumbi dos Palmares, é mais representativo da luta do negro pela liberdade, afinal foram 350 anos de escravidão”, ressalta.

Finalizando, adianta que em novembro próximo, haverá uma semana de eventos não só culturais, mas com palestras, momentos de conscientização, com pessoas que possam acrescentar além da cultura, questões mais amplas da negritude, que não é só apresentar uma Congada, Moçambique, Capoeira... Precisamos olhar para essas datas com outro olhar, não é só chegar e dançar isso ou aquilo, precisa ser algo mais significativo para comemorar alguma coisa”, conclui. 

Para Cláudio Inácio dos Santos, presidente do Terno de Moçambique Guarda de Nossa Senhora do Rosário, o evento  veio enriquecer a comemoração do 13 de Maio. E explica que o terno conta com cerca de 50 integrantes, que periodicamente ensaiam e diz que faz questão de incluir nos ternos crianças e jovens para que a tradição continue através das gerações. 

“- É uma tradição cultural, mas antes de tudo é uma devoção religiosa em louvor a Nossa Senhora do Rosário, padroeira da raça negra, que nasceu em Sacramento a partir de meus avós, Valdivino Inácio dos Santos e Antônia Maria dos Santos, que foram rei e rainha do Moçambique. Depois passou para meu pai, José Inácio dos Santos, que me passou a cargo. Agora, estamos nos preparando para coroar o rei e a rainha do Moçambique de Sacramento”, afirma.

Para Maria Aparecida de Fátima Moreira, presidente do Terno de Congada da Guarda de São Benedito, o evento foi muito bom, porque “trouxe união, o que vinha faltando entre as entidades. Entendo que com união, humildade, confiança uns com os outros as coisas caminham bem. Vejo com um momento muito bom, é claro, nem todos componentes podem vir por questões de trabalho, mas foi dado um primeiro passo: trabalharmos juntos, em prol da nossa cultura e da nossa religiosidade. Fiquei super feliz com o evento que uniu todos os grupos”, ressalta.