Jornal O Estado do Triângulo - Sacramento
Edição nº 1771 - 26 de Março de 2021

A trágica morte de Sebastião Caiana

Edição nº 1419 - 20 Junho 2014

Sebastião da Silva, mais conhecido como Sebastião Caiana, 69, morreu na manhã dessa quinta-feira, 19, por volta das 7h da manhã, após atropelamento na rua Zeca de Almeida, esquina com o Aramis Ribeiro, às 4h55, ocorrido com um caminhão tipo ‘bitrem’, da Transportadora Rodomeu, dirigido por HGR, 33,  que saiu do Laticínio Scala, unidade 2, no bairro Santo Antônio, em direção ao centro. Sebastião seguia de bicicleta pela rua Zeca de Almeida, quando ocorreu o acidente. Após ser velado por familiares  e um grande número de amigos, a partir das 16h,  Sebastião foi sepultado no cemitério São Francisco de Assis, às 20h30. 

 

A dor da família

Sebastião era casado há 51 anos  com Florípedes Batista da  Silva (Nena) e juntos criaram oito filhos Paulino (Lindamar), Sônia (Valdeci), Sandra (Vanderley), Samuel, Sirlene (Iracy), Solange (Amarildo), Daniel e Ismael (Lilian), que lhes deram 16 netos e uma bisneta. Todos eram a mais pura expressão de dor no velório. 

A esposa Nena foi a primeira pessoa a receber a notícia do acidente. Falando ao ET, conta que  Sebastião saiu de casa de bicicleta, pouco antes das 5h da manhã e, poucos minutos depois ligou dizendo que estava embaixo de um caminhão.  “Fui a primeira pessoa que ele chamou, na hora que ele caiu, me ligou. Quando ele saiu, eu lhe disse “vá com Deus e Nossa Senhora. Bom trabalho!” e ele respondeu “Amém”, abriu a porta, mas  voltou dizendo, “já tô indo”, e eu disse a mesma coisa. 

Ele saiu e comecei a rezar o Pai Nosso – porque toda vez que ele saía eu fazia a oração. Antes de eu acabar de rezar o Pai Nosso,  o telefone tocou , era ele dizendo:  “Nena, vem cá que aconteceu acidente comigo”. Na hora perguntei se era trote e nisso ouvi muitas vozes. Larguei o telefone, gritei o Daniel e fui saindo...  Minha neta Aymê me chamava pra voltar e eu respondia, seu avô me chamou, ele precisa de mim’’. 

Conta Nena que, a princípio achou que ele estivesse bem, já assentado. ‘‘Quando cheguei perto, vi que não podia fazer nada. Eles já o tinham tirado debaixo do caminhão. Eu chamei pelo seu nome e disse: ‘Força, segura nas mãos de Deus, que ele está com você’. Aí eles me tiraram de lá e a ambulância levou ‘ele’.

Nena diz que na Santa Casa percebeu, ao ver o marido mais uma vez, percebeu a gravidade de seus ferimentos. ‘‘Ele me dizia que estava com sede. Eu molhava a mão na torneira e passava em seus lábios...”, relata entre lágrimas e completa: “Se eu pudesse, eu teria salvo ‘ele’, mas não pude fazer nada...”

Para Nena, a dor é imensa. “Uma perda muito grande, superamos muitas coisas juntos, trabalhando para criar os nossos filhos e também os netos, porque nos últimos anos, ele, afastado do trabalho, cuidava dos netos. Lutamos muito e, graças a Deus, nunca ninguém viu nossos filhos pedindo na rua, muito menos roubando. São todos muito direito, todos colocados nas mãos de Nossa Senhora Aparecida, desde o nascimento. E todos tiveram  exemplos em casa, apesar das dificuldades”.

De acordo com a filha Sandra, assim que viu o pai, percebeu a gravidade dos ferimentos. “A gente percebia, que ele estava lutando pela vida, mas estava se esvaindo. O médico chegou a falar na possibilidade de o mandar para Uberaba, mas eu sentia que ele não chegaria lá. Papai era um homem muito forte e eu estava na sala com o médico e via  que era grave, ele lutava para viver, mas as forças não eram suficientes”, disse, destacando que Tião tinha também problemas de diabetes e  coração. 

 

O genro Wanderley Camargos, que junto com o cunhado Samuel, acompanhou o corpo ao IML de Araxá, conta que Sebastião ficou muito ferido. “Houve traumatismo no peito, intestinos, na bacia em três lugares e perna. Não podemos provar, porque não ficaram marcas no corpo, mas Dr. Fernando, que fez a necropsia, disse que pelo tipo de traumatismo, o caminhão deve ter passado por cima de parte de seu corpo”, afirma, acrescentando que, agora, tem que  esperar o laudo.

 

Para a família fica o legado e a gratidão a todos

A dor da  família é indescritível, mas fica a certeza das lições deixadas por Sebastião, as amizades e a alegria. “São nesses momentos que a gente reconhece o valor da amizade, essa é  a força que nossa família recebe para vencer esses momentos de dor, servindo também para demonstrar a grandeza de nosso pai.  Um exemplo de pai, de persistência, de trabalho’’. 

Lembra mais Sandra que seu pai era uma pessoa muito alegre, festeira, engajada. ‘‘Papai adorava festas, tocava na banda, gostava de andar de bicicleta, fazer caminhada,  de estar muito bem vestido, cheiroso. Papai tinha um espírito muito jovem. Um exemplo para nós,  os filhos e os netos, muitos dos quais o chamam de pai, pelo cuidado que ele tinha com eles. Ele não podia trabalhar nem fazer  muita coisa por causado do problema da coluna,   mas continuou cuidando da prole, filhos e netos, sempre procurando ser útil, enquanto mamãe e os filhos trabalhavam...”.

E, a família tem a certeza de que Sebastião cumpriu sua misão. “Ele estava com a expressão serena, com a certeza do dever cumprido. A força que ele teve pra ligar pra mamãe é a prova de amor que ele tinha  pra dar a ela, que ela estivesse ao lado dele no momento final.. Papai está descansando em paz”, finaliza a filha Sandra, não entendendo porque a perícia técnica não esteve no local. 

 

Por telefone o ET procurou a Transportadora Rodomeu que, em nota. informou  o seguinte: “Por volta das 4h55 da manhã, o veículo da empresa estava em uma conversão à esquerda, quando o ciclista veio a colidir com o mesmo. O motorista e seu ajudante prestaram os devidos socorros, chamando a ambulância e aguardando a PM chegar ao local”. 

 

O que diz o Boletim de Ocorrência

De acordo com o BO, no local do acidente,  a vítima Sebastião  Caiana apresentava lesões leves e a família confirma que não houve sangramento no local. 

No histórico da ocorrência, registrou-se o relato do condutor do veículo,  HGR, narrando que trafegava com o veículo Ford Cargo, destinado ao transporte de leite, pela rua Coronel Memeco, quando realizou uma manobra pra convergir sentido Aramis Ribeiro, escutou um forte barulho próximo ao diferencial do veículo. Parando imediatamente para verificar tal barulho, notou que havia um senhor e uma bicicleta embaixo do caminhão. HG prestou os primeiro socorros e, em seguida, acionou a ambulância.  

 

Ainda de acordo com o BO, não houve danos  no caminhão, já a bicicleta ficou toda danificada.