Jornal O Estado do Triângulo - Sacramento
Edição nº 1771 - 26 de Março de 2021

Jornal ET em pauta: 45 anos de vida

Edição nº 1364 - 31 Maio 2013

Uma Mesa redonda enfocando os 45 anos do jornal  O Estado do Triângulo, no sábado, 25, a partir das 10h, abriu a rodada de debates do V Festival de Inverno do Parque Náutico de Jaguara com a presença de um seleto público.

Dentre eles ex-colaboradores nos primeiros anos de circulação do jornal: o Presidente de Honra,  Ariston Timóteo de Almeida, fundador também do Tribuna de Conquista, já extinto; Márcio Cunha e Jaime Eduardo de Araujo, um trio que fez parte da gênese do ET no dia 1º de novembro de 1968. 

Dos colaboradores que participaram da diretoria nos anos seguintes, lá estavam enriquecendo a mesa, o Prof. João Bosco Martins; o advogado e ex-articulista do ET, Saulo Wilson, para falar sobre o jornal A Semana, editado pelo seu pai, Homilton Wilson; o escritor Amir Salomão Jacob, que historiou sobre os veículos de comunicação, antecessores do ET. 

Participaram também da mesa, o editor do Jornal do Prata, Miguel Alcanjo Soares, para falar sobre sua experiência junto ao ET e a jornalista Gê Alves,  que entregou aos pioneiros, em nome do prefeito Bruno Scalon Cordeiro, um cartão de prata alusivo á data. 

Prestigiaram também o evento, a secretária de Turismo e Cultura, Eliana Ribeiro Pereira, acompanhada do marido, o promotor Marcos de Oliveira Pereira; a assessora da OAB/MG, Ivone Regina Silva, cronista colaboradora do ET; a  diretora de Cultura, Alba Araújo, além do curador do V Festival de Inverno, Prof. Ivan Sebastião Barbosa Afonso.

 

Um agradecimento especial, o jornalista fez a dois grandes colegas que foram seu braço direito durante vários anos, Alberto de Souza Vieira e Sônia Borges. 

 

O vazio de informação e o ideário emancipacionista

 

O professor e jornalista Walmor Júlio Silva abriu a mesa, falando dos objetivos precípuos de um jornal, o papel da opinião  pública, que é a expressão da participação popular na criação, controle, execução e crítica das diretrizes da sociedade e a importância da liberdade de imprensa, nos regimes democráticos.

Destacou o jornalista que o jornal deve existir em função do leitor. “O jornal não pode existir em função de políticas, de ideologias ou dos avatares da avenida paulista, que hoje, por exemplo, controlam a grande mídia nativa”, frisou. Citando a peça teatral, 'Alienados', que escreveu no início dos anos 70, mostrando o papel da mídia na sociedade, lembrou a interpretação dos alunos do curso de Magistério, ao representarem o texto. “Ao interpretarem a imprensa escrita, os atores gritavam junto ao público: 'Quem compra um jornal compra uma idéia'”, lembrou. 

Referindo-se a Alfredo Sauvy, que compara o jornal ao 4º poder da República, Walmor afirmou que o jornal O Estado do Triângulo nasceu de uma perspectiva histórico-dialética.

“Vivíamos uma síntese histórica que precisava ser preenchida: preencher um vazio informativo, com o fim de O Passa Perto/Correio de Sacramento, editado pela ODUS, a Organização dos Universitários Sacramentanos; preencher um vazio de Homem, com a formação do homem integral, um dos objetivos do Grupo de Estudos Sociais (GES), criado por nós na época; e, finalmente, preencher um vazio político, encampando a ideia emancipacionista da UDET – União para o desenvolvimento e emancipação do Triângulo, cujo projeto de autoria do deputado federal Cel. Floriano Rubin, tramitava no Congresso Nacional.

Assim, o ET circulou pela primeira vez tendo no expediente os seguintes nomes: Walmor Júlio Silva, Osmar Gonçalves dos Reis (Vanuso), Ariston Timóteo de Almeida, Saul de Souza vieira, Jaime Eduardo Araujo, Yoshihiro Karashima (Shiro) e Márcio Cunha.

Depois vieram outros colaboradores: Astolfo Araujo, João Bosco Martins, Efrém de Souza vieira, Sandra Francesca, José Luiz Pucci, José Luiz Martins (Catão), Ivone Regina Silva (colaboradora até os dias atuais),  Eny Manzan, Leomar César Brigagão, Maria Ângela Silva, Jayne Portella, Júlio Gaspar Jerônimo, Maria Luisa Silva Melo, Maria Andreia Brigagão, J.B. Cury, Alberto de Souza Veira, Sonia dos Reis Borges, padre Gil Barreto e tantos outros, trabalhando cada um no seu tempo,  nas reportagens, fotografias,  redação, edição e distribuição até chegar à atual equipe Ruth Gobbo, Maria Elena, Patrícia, Manja, Mandin, Rogério, Marcela e Paulinho. “E reconheço, se o ET existe hoje, devo muito a estes colegas”, agradeceu. 

O historiador Amir Salomão Jacob, um dos colaboradores do ET e detentor de um excelente arquivo de jornais antigos da cidade, enriqueceu os debates da Mesa, falando dos antecessores do ET, 21 jornais, que começaram a surgir em 1873, portanto, há 140 anos (Veja artigo na página 13). 

 

Colaboradores deixam sua mensagem

 

O Presidente de honra, Ariston Timóteo de Almeida, que assinava como Beduino Nuporanga, autor do atualíssimo texto, “O rei dos órgãos” e que deu maior auê com a classe política da época. O texto circula hoje pela internet como autor desconhecido. Mas Ariston, com o seu sempre sutil e refinado humor, falou da alegria por ver o reconhecimento pelo trabalho e recordou passagens vividas pelos pioneiros do ET, uma delas a prisão de Walmor pela ditadura militar, destacando sua soltura graças ao trabalho de amigos que se solidarizaram na cidade, entre eles, o fazendeiro, de saudosa memória, Alberto Marquez Borges. 

Jaime Eduardo Araujo, conta que ajudou a dar o pontapé inicial. Mas, honrosamente, Jaime está no expediente da primeira edição. “Esses 45 anos, a meu ver, são uma graça de Deus. E acho que temos que começar a pensar como vai ser daqui a 20, 30 anos”, diz entre risos de todos. 

Para Márcio Cunha foi um privilégio a participação no ET. “Tivemos aqui uma retrospectiva  de coisas boas. Lembro-me dos primeiros anos como se fossem hoje. Hoje, morando em Uberaba, toda segunda-feira fico na expectativa da hora da chegada do ET pelos correios. Leio-o inteiro, até as propagandas. Infelizmente, vemos políticos, até no Congresso querendo mudar, querendo tirar a liberdade dos meios de comunicação, voltar com a censura. Mas sem a notícia, sem a informação, poderemos perder o quarto poder, que muitas vezes, nos  representa muito mais  que os três poderes constituídos. Emocionante ver através da  história mencionada pelo Amir, o poder da imprensa. É um privilégio comemorar com todos vocês estes 45 anos do ET”, reconheceu.

 O Prof. João Bosco Martins, Peroba, agradeceu a Deus e aos amigos pela oportunidade. “Para nós, dessa geração de 1968, o Prof. Walmor sempre foi exemplo a ser seguido. A nossa participação era mais de companheiro que de ideal. Inclusive, a escolha da nossa profissão teve um pouco do Walmor. Todo trabalho que ele iniciou e que pudemos participar, lá estávamos. Ajudando, por exemplo, com a coleta de propaganda. Lembro-me de que seu Langerton Feliciano de Deus era um incentivador constante. O Walmor nos deu e a essa geração, a oportunidade  de iniciar e participar dessa grande história da imprensa local”.

Miguel Alcanjo Soares, representando os que se utilizaram do jornal nas suas atividades ressaltou sua importância.  “O jornal O Estado do Triângulo faz parte da minha vida, quer seja, como estudante junto a União Estudantil Sacramentana, quer seja como cidadão engajado em obras sociais na cidade. Há mais de 15 anos sou um colaborador do Jornal Pratense, Jornal de Negócios, influenciado pelo jornal O Estado do Triângulo e espelhado na pessoa do jornalista Walmor Júlio Silva, com quem sempre tive laços de amizade, admiração e apreço, como líder estudantil da minha época”, disse.

Lembrou Miguel sua gestão como provedor da Santa Casa e o papel do jornal para tornar os atos da provedoria transparentes e democráticos. “Graças ao apoio recebido, conseguimos devolver a dignidade aos carentes, quando abrimos  as portas da entidade para as pessoas pobres, as boas ações e também denunciando as arbitrariedades”, reconheceu, expressando cumprimentos.

“- Tenho várias passagens e grandes lembranças dos bons tempos e também das dificuldades que O Estado de Triângulo enfrentou e enfrenta até hoje. No ensejo desta data, parabenizamos a toda equipe do Jornal pelos 45 anos de vida, bem como pela luta, trabalho e perseverança, durante todos esses anos”.  

 

Festival de Inverno agradece ao ET

 

 Ivan Sebastião Barbosa Afonso, agradecendo a participação dos convidados, reconheceu o momento como uma aula de história. “A direção do V Festival de Inverno do PNJ foi feliz  em trazê-los aqui e vivenciar uma aula tão frutífera, importante e gratificante como foi.  Essa é uma homenagem à imprensa de Sacramento, tão bem descrita pelo professor Amir e uma homenagem ao jornal O Estado do Triângulo e ao Walmor’’, afirmou. 

A secretária de Governo, Gê Alves, em nome  Poder Executivo entregou ao jornalista Walmor juntamente com os primeiros colaboradores um cartão de prata, assinado pelo prefeito Bruno Scalon Cordeiro, cumprimentando o jornal pelos 45 anos. Como jornalista enalteceu o papel do jornal impresso. “A existência d'O Estado do Triângulo  ao longo desses 45 anos, me faz cada dia acreditar mais que o jornal impresso não vai passar, como não passou o rádio com  a chegada da TV e mais recentemente com a chegada da internet. 

Da equipe atual, falaram  Ruth Gobbo, sete anos mais nova que o ET, que relatou a vivência com o tio Walmor  desde sua infância e a inspiração para o jornalismo fotográfico. E, Maria Elena, que após tecer considerações do ET atual leu a mensagem publicada na edição anterior.