Jornal O Estado do Triângulo - Sacramento
Edição nº 1783- 18 de junho de 2021

Pequenos produtores vão comprar tourinhos para melhorar rebanho

Edição n° 1221 - 03 Setembro 2010

Produtores rurais do município tiveram a oportunidade de aprimorar seus conhecimentos sobre melhoramento genético, nessa terça-feira, 31 de agosto, numa palestra proferida pelos médicos veterinários, Lauro Fraga e Ricardo Ruas,  da Associação Brasileira de Criadores de Zebu – ABCZ, no salão de eventos do Sindicato dos Produtores Rurais. A palestra faz de um trabalho de melhoramento genético inicializado há quatro anos pelo Ministério da Agricultura e Pecuária, chamado Pró-genéstica. No município, conta com a parceria da ABCZ, EMATER, Prefeitura Municípal e Sindicato dos Produtores Rurais, com apoio do IMA, Banco do Brasil e Credicoasa.

Um dos responsáveis pela implantação do programa no município, o extensionista agropecuário da Emater, Alison Rodrigues, falando ao ET, disse que o programa objetiva a melhoria do rebanho na produção de carne e leite imprimindo rusticidade aos futuros planteis, consequentemente melhorando a renda dos produtores, e agregando valor aos futuros animais. “É um programa voltado principalmente a pequenos e médios produtores com o apoio de todos os órgãos municipais e algumas instituições financeiras, que financiam os touros, que poderão ser adquiridos pelos produtores a preços bem acessíveis”, resumiu. 

Com o objetivo de orientar e esclarecer o produtor sobre os ganhos que ele pode ter com o melhoramento genético e sobretudo, desmistificar a ideia de que melhoramento genético é muito caro, que não é coisa para pequeno produtor, várias reuniões já foram feitas por Alison, nas comunidades rurais. 

“- O PRÓ-GENÉTICA é destinado principalmente ao pequeno produtor e vai facilitar a aquisição de animais comprovadamente melhorados, com registro e tudo mais”, explicou, informando que essas reuniões têm também o objetivo de preparar os pequenos e médios produtores rurais para a 'I Feira de touros do pró-genética', que será realizada no dia 15 de Outubro, paralela à 'II Exposição de gado nelore'. 

Os animais que estiverem na Feira de Touros, serão todos puros de origem – PO, com Registro Genealógico Definitivo – RGD, Exame Andrológico Positivo, teste negativo para brucelose e tuberculose, idade entre 20 e 42 meses e preço limitado ao valor correspondente entre 40 a 60 arrobas. Os animais são reprodutores com aptidão para leite  ou corte com os respectivos certificados de produção de leite ou de carne,  das raças zebuínas, dentro do programa de melhoramento, são animais superiores.

Para facilitar a compra através de financiamento, disse Alison , que foi fechado uma parceria com o Banco do Brasil e Credicoasa. “Os produtores que tiverem interesse devem procurar a Emater para informações, ou o próprio banco, para a renovação de cadastro caso seja necessário”, disse mais, com boas expectativas para a I Feira de touros do Pró-genéstica, em Sacramento. “Espero que cada comunidade tenha pelo menos uma produtor que adquira um touro, esse vai ser um passo importante que estaremos dando com pecuária no município, com certeza” concluiu.  

 

“Pioramento” Genético

 

Para Lauro Fraga, gerente do 'Programa de melhoramento genético em zebuínos de corte', da ABCZ, o Pró-Genética é um programa muito simples na sua essência e muito importante, pelo fato de 85% dos pecuaristas possuírem propriedades até 100 hectares. “Grande parte desses produtores rurais possui um touro na fazenda, mas na grande maioria esse touro não tem uma genética conhecida, muito menos qualidade. Ele prenha vacas, faz as vacas darem leite, mas a qualidade dos filhos que vão nascendo é cada vez mais baixa, ou seja, com isso ele está fazendo o 'pioramento' genético. 

Segundo Fraga, um percentual grande desses touros são sub-férteis, porque emprenham menos as matrizes, as filhas vão emprenhar menos ainda, chegam à maturidade tardiamente, com intervalos cada vez maiores. “A proposta do programa é substituir esses touros por outros de genética de qualidade, com exame andrológico, ou seja todos são  férteis, puros, registrados o que facilita a comercialização”.

De acordo com Lauro, o programa visa facilitar a aquisição. “Um tourinho desses com 50 arrobas, tomando por base o preço de hoje, sai na faixa de R$ 4 mil. O produtor faz o investimento, começa a usar o touro, em média um para cada 25 vacas, e, se ele tiver dois bezerros a mais por ano, já é lucro, em quatro anos, os bezerros pagam o financiamento. São filhos melhorados que alcançam bom preço no mercado, sem contar que  há carência de dois anos para começar a pagar o financiamento, cujas taxas são em torno de  2% ao ano para o produtor pronafiano.   Além disso, o touro adquirido vale como moeda de garantia”, ressaltou. 

Como obter mais crias por ano
Falando aos produtores sobre a otimização dos animais, Ricardo Ruas explicou de que maneira o produtor pode explorar esse touro de qualidade, para obter mais crias por ano desse investimento. “Vale a pena usar um touro de qualidade, porque o retorno vem com as crias, que agregam valor na desmama, essas crias já são moedas de troca na desmama. O produtor pode reter algumas para a reposição do plantel e vender o excedente e por aí já começa ter retorno. Mais do que isso, muitas vezes, o produtor tem um touro na propriedade que não está produzindo efetivamente o número de crias que deveria estar produzindo. É hora de colocar um touro de qualidade. Aí  o produtor vai ver que em dois meses toda a propriedade vai renascer, isso porque o touro que ocupava a área não estava fecundado as vacas. Um  touro  de qualidade, em dois meses, emprenha de 60 a 70 vacas. Ele faz a fazenda girar, ou seja, o produtor só tem lucro se a vaca parir”, explica. 
E uma boa dica de Ricardo Ruas é o uso comunitário do touro. “O uso comunitário é bastante usado na inseminação artificial, ou seja, um botijão que serve a diversas pequenas propriedades. Com o touro é possível o uso comunitário quando se tem determinadas situações: vizinhos dentro do mesmo ambiente climático, locais em que o rebanho esteja em contato um com o outro, ou seja, animais do mesmo micro ambiente, assim se tem o controle sanitário dos animais”, salientou.
Ruas afirmou que o programa dá muitas alternativas para os pequenos produtores que há muitos anos estão estagnados. “Tem gente que investe alto numa vaca boa que dá muito leite. Uma vaca boa vai dar-lhe um bezerro por ano, com um touro ele vai encher o curral de animais de qualidade”, concluiu.