Jornal O Estado do Triângulo - Sacramento
Edição nº 1777 - 07 de Maio de 2021

Editorial II

A Vitória de Lula

Ricardo Alexandre de Moura Costa (*)

A maioria dos brasileiros ficou apática frente ao desrespeito mostrado pelo governo Lula para com o dinheiro do povo. É perigoso quando o homem perde a capacidade de indignar-se perante a imoralidade política que fere os alicerces democráticos e compromete a organização da sociedade. Lula usou de métodos pequenos para manter a sua boa imagem, abusou do assistencialismo barato que muito caracterizou o coronelismo de anos atrás e tudo isso cravado em um imediatismo irresponsável, onde se buscou apenas a permanência no poder.

O governo explorou o problema da fome manipulando a grande massa de brasileiros amparado em uma política de curral eleitoral. Não que os necessitados não devam receber assistência material, mas a ajuda deve vir acompanhada de um projeto de inclusão social. Já é por demais sabido que a qualidade de vida só aumenta se houver crescimento decorrente de uma política econômica sólida onde se valorize os setores produtivos com menos impostos e juros baixos. A incompetência do atual governo se refletiu claramente nas estatísticas econômicas, com o segundo pior crescimento da América sendo detentor de uma carga tributária inacreditável de 39,39% do PIB. Nunca se viu tanta descompostura como nesse governo e Lula tenta se vangloriar como sendo ele o responsável pelo desmantelamento das quadrilhas, sendo que quase todos os envolvidos ou são do seu partido ou da base de sustentação de seu governo.

Não se pode mais protelar, é necessário estancar o vazamento de gastos públicos e utilizar com seriedade o dinheiro dos impostos, sem um severo controle do déficit estatal se torna impossível obter um bom crescimento. Qualquer empresa que praticasse o paradigma econômico governamental, gastar mais do que ganha e gastar mal, já estaria quebrada há tempos. Lula deveria seguir o exemplo de Calvin Coolidge, presidente americano que possuía uma cabeça econômica refinada e que apregoava: “Os homens e as mulheres sustentam o governo com seu trabalho. Todo dólar que gastamos descuidadamente implica piora na vida dessas pessoas. Todo dólar que prudentemente economizamos significa maior abundância para todos. A economia é o idealismo em sua forma mais prática.”

Sempre tive o entendimento de que a falta de preparo, de educação formal, de títulos doutorais não devem jamais ser empecilho para que a pessoa se habilite a concorrer aos cargos públicos, mas sim a idoneidade, o caráter e o passado límpido, ou seja, a educação não deve ser um pré-requisito para o exercício da democracia, mas o objetivo desta.

É duro quando temos um governo que além de despreparado é moralmente desqualificado.
Não se deve caracterizar a moral como um utensílio descartável usado segundo critérios de conveniência partidária. Denis Lerrer Rosenfield, Doutor pela universidade de Paris e professor titular de filosofia da UFRGS, nos ensina que: “Quem defende a imoralidade, quem a justifica, a trai. Defende, na verdade, a asfixia da cena pública, a asfixia lenta e gradual das liberdades democráticas. O comportamento do pensamento é com a faculdade de julgar, de emitir juízos sobre fatos e comportamentos que atentam contra princípios morais, contra a verdade e contra tudo aquilo que baliza as instituições republicanas. Se a causa toma o lugar da verdade e da liberdade, muito pouco se pode esperar da reflexão, da critica. Lula ganhou, a ética perdeu.”

(*) Ricardo Alexandre de Moura Costa é advogado