Jornal O Estado do Triângulo - Sacramento
Edição nº 1777 - 07 de Maio de 2021

Editorial

A Vitória do Brasil

Por Carlos Alberto Cerchi

O título desse artigo nada tem a ver com a seleção canarinho, também não se refere à vitória do presidente Luiz Inácio Lula da Silva nos dois turnos das eleições presidenciais ocorridas em outubro p.p. Trata-se da realidade vivida pelo exercício da cidadania e da liberdade, sobretudo a de expressão, que assegurou a legitimidade da vontade popular no processo democrático instituído. Evidentemente, existem os inconformados que torcem para o terceiro, de uma eleição finda.

O acúmulo de injustiças no Brasil ao longo de sua história leva a discussão política para a questão social. A má distribuição de renda gerada pela exploração do capital sobre o trabalho colocou na marginalidade milhões de brasileiros, injustiçados social e economicamente. É improcedente a crítica à manifestação do direito de escolha dos desafortunados. Absurdo atribuir manipulação da vontade das camadas populares que votaram no candidato da esquerda. Pobre não é bobo e há muito deixou de ser massa de manobra.

A humanidade acumulou muita riqueza cultural, científica e tecnológica – A fome é uma temeridade. Não existem subnutridos por falta de alimento ou de meios de produção, os famintos existem pelos mecanismos de apartação social. A desinformação também é uma temeridade. Repito, ler é fundamental para quem se propõe a escrever.

Classificar o Bolsa Família e os programas de combate a fome é no mínimo ser insensível às causas humanitárias. O resultado do investimento social está nos dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística, 19,1% da população brasileira saiu da pobreza absoluta para a classe média. Isso significa que 7 milhões de brasileiros passaram a ter três refeições por dia.

O Bolsa Família é um dos fatores, somado ao baixo custo dos alimentos e a sensível melhora do poder aquisitivo do salário mínimo, bem, como a estabilidade econômica, dentre outros fatores elencados pelo IBGE no processo da erradicação da miséria. O presidente Lula e as pessoas de bom senso reconhecem a necessidade de fazer mais diante da enorme dívida social contraída em relação aos oprimidos e as vÍtimas da desigualdade. A carga tributária existente é uma herança. Nos últimos anos, para minimizá-la foram reduzidos ou zerados os impostos sobre a cesta básica, os materiais de construção, (o cimento teve uma redução de 50% do custo), os computadores e os livros, entre outros itens. Neste momento é irrelevante retroceder à ladainha comparativa verificada nos debates ocorridos no processo eleitoral.

O anacronismo político da Social Democracia e do PFL subestimou a inteligência dos eleitores. A liderança autêntica de Lula destacou diante da arrogância das elites, sobretudo do falso moralismo e da hipocrisia dos financiadores dos bancos privados (leia-se Proer) e do grupo político, remanescente da compra da famigerada reeleição e da venda da Cia. Vale do Rio Doce criminosamente privatizada. De onde surgiu a idéia da manipulação eleitoral dos pobres? A identificação com Lula e a mesma existente nos artistas, intelectuais, empresários, agricultores (principalmente dos que vivem na terra) e outros segmentos de trabalhadores que tem o olhar no futuro e a sensatez do discernimento da escolha livre e desimpedida.

Gosto de escrever para jornal, instrumento popular de comunicação social. Tenho um carinho especial pelos jornais locais, abnegados da notícia e incompreendidos pelos dirigentes municipais que prefeririam não tê-los, avessos que são à crítica imparcial e apartidária. Aproveito para estender esta avaliação pós-eleitoral para duas notícias veiculadas nos nossos periódicos:
Primeiro: sobre a manchete “Lula é reeleito mas perda na cidade”. Redundante afirmar; porém a eleição não foi municipal. Irrelevante a notícia; discrimina o sufrágio. O mérito da democracia está na universalidade do voto. Fica o questionamento para a linguagem jornalística.

Segundo: a vinculação do prefeito aos programas do Governo Federal revela a carência da assistência social do município às entidades mantedoras de creches, APAE e movimentos culturais e educacionais. O “Luz para Todos” e o “Bolsa Família” protagonizados pelo prefeito de Sacramento e seus secretários revelam a falência e o anacronismo do poder local ávido de promoção. O programa “Luz para Todos” já tirou 3,7 milhões de brasileiros da escuridão, inclusive as famílias de Sacramento.

A auto-promoção da administração municipal é o sintoma mais imediato da sua falência política. 3,2 milhões de pessoas ultrapassaram a linha de pobreza só em 2004, graças aos programas sociais do governo Federal, pelo mesmo motivo a desigualdade social no Brasil é a menor nos últimos 30 anos. Situações práticas da impessoalidade do governo Lula com seus programas sociais. Ainda Bem! Fonte: IBGE, IBGE/Pnad (Pesquisa Nacional de Amostragem Domiciliar desde 1994).

(*) Carlos Alberto Cerchi é professor e escritor