Jornal O Estado do Triângulo - Sacramento
Edição nº 1595 - 03 de Novembro de 2017

Sacramento teve eleição tranquila

Edição n° 1226 - 08 Outubro 2010

A Justiça Eleitoral em Sacramento contou com o trabalho de 212 voluntários que exerceram os cargos de presidente e mesário. De modo geral, as eleições foram tranqüilas em Sacramento, uma ou outra ocorrência foi registrada, além de uma prisão por boca de urna e outra por desobediência à Lei Seca, estabelecida das 6h00 às 20h00. Outro aspecto que chamou a atenção é que, a limpeza que imperou na cidade durante a campanha desapareceu no dia da eleição. Apesar da campanha, Eleições Limpas, a cidade amanheceu com muitas ruas bastante sujas, mostrando a falta de civilidade e a desobediência dos responsáveis pelas campanhas. A juíza eleitoral, Letícia Rezende Castelo Branco, definiu o fato como “uma vergonha”.  

Há sete meses na cidade, em entrevista ao ET, a juíza avaliou de forma positiva o pleito. “As eleições transcorreram de forma muito tranquila na cidade. As pessoas de um modo geral souberam respeitar as vedações legais. Tivemos alguns flagrantes, pessoas que insistiram no 'boca de urna', mas contamos  com a Polícia Militar que nos auxiliou demais nesse aspecto. Apesar desse flagrantes, podemos  dizer que  o processo correu bem”, avaliou, reconhecendo  que a demora nas filas, especialmente na parte da manhã, se deveu à quantidade de cargos. 

“- Houve o problema das filas, mas isso já era esperado, porque eram seis candidatos a serem votados, 19 números digitados, além da dificuldade normal do eleitor. Apesar de a Justiça Eleitoral ter informado para levar a cola, muitos não levaram, tiveram que procurar o número e isso atrasou e gerou filas”, justificou Letícia. 

Júlio Cesar Fonseca, chefe do Cartório eleitoral, há cinco anos na cidade, coordenou a terceira eleição na cidade e também elogiou o processo na cidade. “Foi tudo muito tranqüilo, a votação transcorreu sem maiores problemas, houve pouquíssimos incidentes com urnas, nem uma foi substituída, isso mostra que a cada ano que passa o sistema eleitoral só tem avançado”, declarou. 

O promotor José do Egito de Castro Souza, há quase seis anos à frente do Ministério Público em Sacramento, fazendo sua terceira eleição, também confirmou a avaliaação positiva. “Tudo muito calmo cidade. O processo está cada vez mais aprimorado e nas eleições gerais não costuma haver tantos problemas como nas eleições municipais”, disse.

Capitão Júlio Cesar de Oliveira Paiva, comandante da PM local e do destacamento de Conquista, realizou sua primeira eleição na cidade, afirmando que tudo foi muito tranquilo.  “Até mesmo pela característica das eleições gerais não há tantos problemas. Houve alguns problemas que foram contornados a contento. Houve uma prisão por prática do 'boca de urna' e duas pessoas que contrariaram o período da Lei Seca, das 6h00 às 20h00”, informou, acrescentando que todo o contingente da cidade foi envolvido no processo, além de reforços vindos de Araxá. Também na cidade de Conquista o clima das eleições foi tranqüilo.

 

Filas e demora na votação

 

Para a presidenta da 16ª seção, Rosane Maria Alcântara, essa foi uma das eleições mais tumultuadas em relação à votação em si. “Essa foi a mais tumultuada de todas, em 22 anos de trabalho como presidenta de sessão. Muito voto errado, pessoas que não tinham candidatos e por isso escolhiam na lista afixada na parede, ali na hora, o seu candidato”, disse. 

Com relação à demora nas filas, reclamada em quase todas as sessões pelos eleitores, Rosane justificou a demora do eleitor no momento da votação. “Quem não trouxe a 'colinha' fica mais difícil, erra mais e demora mais”, disse mais, destacando o trabalho dos mesários para solucionar as questões relativas à eleição. “Quando o eleitor tem a 'cola', nós ajudamos, mas se não tem, não há nada a fazer. Não podemos interferir. Nesse caso, a gente cancela, pede pra pessoa conseguir os números e retornar prá votar”, esclareceu. 

Para Rosane, outro aspecto que faltou informação ou orientação, da própria Justiça Eleitoral, foi a respeito do voto de legenda, que só poderia ser feito para deputado, o voto para senador não era vinculado à legenda.  “Os eleitores não sabiam disso, nem eu. A pessoa chegava e queria votar na legenda, para senador, e a urna eletrônica não aceitava. Só que essa orientação, de que só podia votar na legenda para deputado, não foi passada ao eleitor”, explicou. 

Ainda de acordo com Rosane, na sua sessão houve uma denúncia de  cola deixada no local de votação.  Outro destaque na 16ª seção foi o número de justificativas. “Essa foi a eleição com o maior número de justificativas em relação aos anos anteriores”, ressaltou.  

Um problema de energia ocorrido na EE Afonso Pena Jr, onde funcionavam as 11 primeiras sessões, atrasou um pouco o início da votação em algumas dessas sessões. Mas logo a Cemig foi acionada e o problema foi contornado na EE Afonso Pena.

 

Autoridades criticam sujeira na cidade 

 

Sobre a campanha Eleições Limpas, com a realização de audiência pública e a  sujeira registrada na cidade no domingo, a juíza Letícia Rezende Castelo Branco considerou o fato “uma vergonha”.  “Foi muita sujeira, essa quantidade de panfletos espalhados pelas ruas  é uma vergonha, falta de conscientização, porque o eleitor não vai mudar de opinião, não é um panfleto na rua que vai modificar o voto do eleitor. E, quem sai prejudicada com essa sujeira é a população. Chove, esses papeis entopem bueiros. Infelizmente falta conscientização”, criticou.

De acordo com a Juíza, a panfletagem estava proibida a partir das 22h00 do sábado. “Não foi registrado nenhum  flagrante de panfletagem, mas ficamos surpresos com a quantidade de papeis espalhados”, disse, elogiando os moradores do povoado de de Jaguarinha. “Gostei muito do que vi naquela comunidade, tudo limpinho, não havia papeis espalhados, tudo muito organizado, limpo, muito diferente daqui da cidade. Só encontramos um ou outro papel na estrada, mas o povoado estava limpo”, elogiou. 

Também o promotor José do Egito criticou a sujeira da cidade. “É vergonhoso isso, tivemos reunião com a Policia Militar e atentamos para esse detalhe, porque até por volta da meia noite não tem nada, depois o dia amanhece com a cidade nessa sujeira. Tiveram que fazer um  serviço de limpeza em frente às seções na madrugada. Isso é falta de civilização, infelizmente”. 

Para o capitão Júlio é difícil controlar a panfletagem. “É difícil conter aqui em Sacramento, em Conquista que havia bastante também. Trabalhamos  fardados, com viaturas, aí quando a PM chega ao local, o pessoal desaparece. Passa numa rua está limpo, daí a pouco está cheia de papeis, não há como  controlar. Isso é uma questão de consciência e de educação das pessoas...”.