Jornal O Estado do Triângulo - Sacramento
Edição nº 1595 - 03 de Novembro de 2017

Colégio XX de Outubro estaria completando maioridade

Edição nº 1593 - 20 de Outubro de 2017

Nos seus quase 200 anos de fundação, Sacramento sempre soube oferecer aos seus filhos brilhantes escolas que, mesmo sobrevivendo por alguns anos ou décadas, deixaram um rastro de qualidade e de exemplos indeléveis. Citam-se o Liceu Sacramentano, Marlene Ferreira de Olivera e entre elas, mais próxima de nós o Colégio 

XX de Outubro.

 

 

Exatamente nesta data, 20 de outubro, o Colégio XX de Outubro foi fundado pela diretora Kátia Silene Franzói Puertas, em 2009. Nos anos que se sucederam foram muitas comemorações nessa data e, especialmente nesta de hoje, estaria em festa comemorando sua maioridade, 18 anos de relevantes serviços prestados à educação do município. 

Mas, infelizmente, por conta de uma matrícula insuficiente, o colégio foi fechado no dia 31 de maio último, deixando uma lacuna, um vazio na educação sacramentana, pela excelência de instituição de ensino que representava aliada a um competente e honrado corpo docente.

O Colégio XX de Outubro sabia que educação é mais que instruir, assumiu a   função de ensinar às crianças como o mundo é, com foco na formação de cidadãos críticos e reflexivos, com o objetivo de tornar seus alunos pessoas livres para fazerem suas escolhas com consciência e capacitando-as para participar ativamente da sociedade na qual estão inseridas.

A professora e secretária da Escola, Marlene Ferreira bem define a pedagogia daquela escola nascente. 

“Desde o início de sua fundação a escola foi pautada numa educação de qualidade, que buscava a inserção da criança de forma crítica e construtiva na sociedade, em que a aprendizagem se fazia através de forma lúdica e concreta. Era uma forma inovadora de levar uma educação diferente a Sacramento”, define.

 A matrícula inicial aconteceria no início do ano seguinte, atendendo às turmas de Educação Infantil (Maternal ao Pré de 6 anos) e, em 2001, Ensino Fundamental (1ª a 4ª série). A partir de 2004, gradativamente, amplia seu atendimento de 5ª a 8ª série, tudo em conformidade com pareceres da Secretaria de Estado de Educação.

O entusiasmo da diretora Kátia, sua força de vontade e o carinho imenso que tinha para com as crianças faziam com que a escola começasse a se despontar. E assim foram os primeiros anos, dando fundamental destaque a uma pedagogia inovadora, passando pelo livro didático, depois pelo Sistema Positivo de Ensino e, nos últimos anos, pela inovadora formação pedagógica do Colégio Cenecista Dr. José Ferreira, revelando-se como uma das mais importantes e competentes instituição de ensino da cidade e escola referência em educação.

O Colégio XX de Outubro foi sempre exemplo de uma escola além de seus muros. Foram grandes apresentações, noites artísticas maravilhosas, teatro, música, Olimpíadas, emocionantes coroações a Nossa Senhora do Patrocínio e Nossa Senhora do Rosário, além de projetos sociais e solidários realizados em entidades filantrópicas. Belas formaturas, sempre muito emocionantes e preparadas com um carinho especial pelo seu corpo docente e discente, culminavam o ano.

Arrastada pela crise econômica que abateu o país a partir de 2011, fazendo cair sua matrícula, a escola iniciou um pequeno calvário que a levou a fechar as portas em 31 de maio deste ano, depois de muito tentar permanecer em atividade.

As primeiras dificuldades financeiras chegaram atrasando o salário dos professores. E aqueles abnegados 'colegas e mestres', como Kátia os via, confiantes no ideal e bom coração da diretora, suportaram com altruísmo aqueles tempos difíceis. Kátia, por sua vez, assim como a equipe de trabalho reduziram ao máximo seus salários, para que ali permanecessem, naquele ideal inovador e esperançoso. 

Otimista e incentivadora, a diretora, cheia de esperança e com o apoio dos professores, continuava a manter o colégio de pé, valendo-se também do trabalho imprescindível do esposo e família, sempre presentes nas atividades. 

“- Nem tem como não agradecer imensamente a seus pais, tios e à querida D. Rose, sua sogra, por tudo que faziam e investiam”, reconhece hoje a funcionária Marlene.

 Para sobreviver à crise e fazer aumentar os recursos para a manutenção do colégio, Kátia, professores e família iniciaram um projeto através de promoções como bailes, feijoadas, churrascos, rifas... além de incremento à publicidade e campanhas de Matrícula. Infelizmente, não foram suficientes.

 O último grito de socorro foi uma iniciativa dos próprios pais, no sentido de formar uma associação, uma espécie de cooperativa para manter aberto o colégio. Porém, aquele período de transição deixou muitos pais inseguros e, diante da instabilidade da causa, o sonho terminou em lágrimas, culminando no encerramento das atividades em 31 de maio de 2017.

A secretária Marlene define bem o que o escritor francês, Victor Hugo, sentenciou no século XIX: “Quem abre uma escola fecha uma prisão”. Traduzindo-se o pensamento do escritor romântico, abrir uma escola constitui uma vitória contra a ignorância, essa mãe de todos os males. Mas vamos ao que disse a secretária do Colégio XX de Outubro:

“- Os obstáculos foram maiores que as oportunidades. Nunca sabíamos o resultado das ações propostas, mas tínhamos em mente que os resultados seriam satisfatórios. O otimismo era constante. Mas... infelizmente foi tudo diferente... Mesmo assim, fica a consciência do dever cumprido”. 

 

Quem é Kátia Puertas

A paulistana Kátia é a primogênita do casal Alzira e Francisco Franzói, que chegou a Sacramento com seus pais empreendedores do ramo madeireiro, ainda adolescente. Na época, Kátia frequentou a EE Cel. José Afonso de Almeida, porém a família retornou a São Paulo para dar continuidade aos negócios da família. Em São Paulo, Kátia concluiu os estudos até o secundário, no Colégio Emilie de Villeneuve, onde conheceu e namorou seu professor de Matemática, Maurício Castro Puertas.  Em 17 de dezembro de 1993 Kátia e Maurício se casaram e tiveram os filhos, Maurício, Leonardo e Pedro.

Em 1997, a família Franzói retorna a Sacramento e com eles, Kátia, o marido e os dois primeiros filhos, Maurício e Leonardo. A ideia de abrir o Colégio XX de Outurbo veio da necessidade da família, o pequeno Maurício já estava na Educação Infantil e a família vendo a diferença do ensino em relação a São Paulo, Kátia Franzói e sua cunhada Cátia Puertas resolvem em 20 de outubro de 1999 abrir um colégio na cidade, mantendo uma parceria com o Sistema Positivo de Ensino.