Jornal O Estado do Triângulo - Sacramento
Edição nº 1599 - 01 de Dezembro de 2017

Cine Sesi Cultural leva sacramentanos à praça

Edição nº 1589 - 22 de Setembro de 2017

Foram três dias de cinema na praça. No conforto de aconchegantes cadeiras, aproximadamente 1.800 pessoas tiveram a oportunidade de assistir a seis filmes no Cine Sesi Cultural, no último final de semana, 16, 17 e 18, através de uma parceria firmada entre a Prefeitura da cidade e Serviço Social da Indústria – Sesi, que há 15 anos anda Brasil a fora com seu cinema itinerante.  

“- O projeto começou em 2002, depois de uma pesquisa da publicitária Lina Rosa Vieira, autora do projeto, ter constatado que as cidades do interior tinham pelo menos uma sala de cinema, mas que, com a expansão da televisão, as pessoas foram perdendo seu interesse, até que fecharam, principalmente por estarem nas mãos da iniciativa privada. Se não tem lucro, não tem sala. E assim nasceu o Cine Sesi Cultural, para suprir essa lacuna, especialmente, nas cidades de menor porte. Para muitas pessoas é uma experiência inédita. Nunca tinham visto a arte do cinema em tela grande”, justifica Edevaldo Freitas, coordenador do Cine Sesi, informando que há toda uma curadoria de suporte por trás do projeto. 

“- Nosso intuito não é só exibir o filme e pronto, mas proporcionar, nesses três dias que passamos na cidade, uma experiência realmente cinematográfica, com conforto, como se estivessem de fato numa sala de cinema. E, para isso, nada melhor do que uma praça, um lugar que é do povo e com toda uma preocupação com a qualidade dos filmes e da estrutura”, explica. 

 

O cunho social do projeto

Aponta Ed uma preocupação da curadoria com o Cine Sesi Cultural que é o seu viés social, de atingir a comunidade em geral, todo tipo de público, de todas as idades, sobretudo aqueles que não têm acesso à arte.  “Acesso à arte já é uma coisa difícil, mesmo pra quem mora nos grandes centros, seja pelo alto custo ou a impossibilidade de frequentar mesmo. E, o Cine Sesi Cultural, não apenas os leva ao cinema, mas o traz onde o público está, gratuitamente, numa grande sala”, salienta. 

A seleção dos filmes, segunda Ed é feito pela curadoria, que prioriza o cinema brasileiro, na maioria da programação, sobretudo do cinema novo.  São escolhidos filmes, cuja classificação seja a mais livre possível, para que todos tenham acesso. E o principal quesito é a qualidade do conteúdo e do filme em si. Não passamos o filme por passar, há todo um trabalho em cima disso, para levar a melhor qualidade possível”, explica, informando que foram exibidos os filmes, 'Guida' (drama); 'Até o sol raiar' (animação), 'Os filmes que não fiz', uma ficção (comédia). E os longa-metragem: 'Que horas ela volta' (drama/comédia), 'Zootopia, essa cidade é o bicho', (animação/policial) e A família Dionti (fantasia/drama).

De acordo com Salvador Costa (Sal), técnico de som do Cine Sesi Cultural, na praça foram disponibilizadas cerca de 600 cadeiras. Detalha a parte técnica, que em nada se parece com os antigos rolos de celulóide em lata, exceto a telona. “Usamos um projetor full HD 20.000 ba, um dos mais novos no mercado, embora já existam os de 30 mil. Em cima deles temos um de 10.000 ba como reserva, para eventual problema. Temos uma tela onde acompanhamos a imagem que vai para fora, uma mesa digital e um sistema de som todinho JBL, que garante o som em 360 graus... Mesmo sendo cinema ao ar livre, a qualidade é a mesma como se o público estivesse dentro de uma sala, não faltando nem a pipoca', explica.

 De acordo com Salvador, o Cine Sesi Cultural roda todo o Brasil de norte a sul, leste a oeste. “Onde não tem cinema, nós vamos. Viemos de Recife e viajamos durante dois, três meses. Aqui em Minas estamos atendendo 24 cidades”, informou. 

Questionado sobre a avaliação do público, o coordenador Ed finaliza: “A melhor resposta que temos nos três dias na cidade é essa que vemos aqui, a presença do povo no cinema. E, muitas pessoas vêm no final nos agradecer, o que nos deixa muito felizes”.