Jornal O Estado do Triângulo - Sacramento
Edição nº 1595 - 03 de Novembro de 2017

28º Encontro de Folias de Reis

Edição nº 1518 - 20 de Maio de 2016

Sacramento sediou no domingo 15 o 28º Encontro Regional de Folias de Reis, realizado no Parque de exposição Hugo Rodrigues da Cunha. O tradicional encontro iniciou às 8h com a celebração de uma missa sertaneja, presidida pelo vigário paroquial, Pe. Gil Araújo, seguida da saudação ao presépio onde estavam o Menino Jesus e as imagens dos Santos Reis, cujos devotos lotaram o parque durante todo o dia, para a ver a cantoria de 22 folias, de Sacramento e região.
 Ao iniciar a celebração, Pe. Gil ressaltou o valor da tradição das folias que, nos seus versos contam, cantando, toda a história terrena de Jesus Cristo, do nascimento à sua crucifixão. “É importante trazer essa memória, fazer com que essa tradição continue viva nos corações dos fieis, cuja devoção aos Santos Reis é antiquíssima. Cantar uma folia de Reis é relembrar a espiritualidade do presépio, lembrarmo-nos de como Jesus nasceu. Os cânticos, as rimas feitas mostram justamente essa realidade que é tão bonita e que deve ser conservada”, ressaltou.
Falando da missa sertaneja e seu ritmo musical parodiando canções clássicas sertanejo de raiz, o sacerdote esclareceu o seu sentido. “O objetivo dessas paródias sertanejas não é zombar, mas mostrar que o povo que mora no campo, o povo mais simples tem uma fé, tem uma espiritualidade muito rica e que precisa ser conservada e ensinada de geração a geração para que não se perca. É uma cultura muito bonita, que deve ser reverenciada, primeiro pelo conteúdo religioso; segundo, porque é cultural, mostra uma cultura específica que mostra o jeito de ser,  de rezar, de falar com Deus, de maneira simples e tão profunda”, elogiou acolhendo os presentes.

 

Cai o número de apresentações de folias

Ao longo do dia, 22 folias de Reis de Sacramento e região fizeram suas apresentações, acompanhadas pelo público sempre presente no parque, porém em menor número do que nos anos anteriores, assim como as folias visitantes, que já chegaram a 40. Os organizadores atribuem o fato na crise econômica e política que atravessa o país.
Embora com a saúde debilitada, Antonio Claret Scalon, o Polaco, que continua na presidência da Associação de Folias de Reis,  fez questão de marcar presença no evento, do qual durante muitos anos foi o responsável pela locução e apresentação das folias, hoje a cargo de Luciano Gobbo.
Um único momento, Polaco usou o microfone para homenagear foliões e voluntários dos últimos encontros e agradecer o público presente. As homenagens póstumas foram dirigidas a Celso Almeida/Barão, Dutrão, Joalquim e Dorcelina, Luciano Gomide, Luiz Oliveira,  Orlando, Santo Bizinoto e Tânia Pereirinha.
“- São 28 anos de encontros que começaram na Casa da Cultura, no Governo de Luiz Magnabosco.  Depois, passamos para a Escola Maria Crema, o Ginásio Poliesportivo e, nos últimos anos, aqui no parque. Até três anos atrás ainda eu fazia a apresentação das folias, hoje, não dou conta mais, mas ajudo na organização, Deus e os Três Reis me dão força”, afirma.
 De acordo com Polaco, para a realização do evento, ajudas não faltaram, principalmente dos moradores da zona rural e uma subvenção da Prefeitura, no valor de R$ 17.500,00, além do apoio do comércio local. “Temos muitas ajudas, graças a Deus”. Finalizando,  faz um pedido aos Três Reis Magos, a quem sempre teve muita devoção. “Eu peço saúde. Queria minha saúde de volta, o maior bem da nossa vida e, enquanto eu tiver vida, estarei aqui”.
 O ex-prefeito Wesley De Santi de Melo, que sempre apoiou, incentivou e marcou presença no encontro, esteve mais uma vez presente, participando inclusive da missa. “Essa é uma história de tradição na nossa cidade, um momento de encontro, louvação, fé, uma fé simples, mas muito profunda e que não pode acabar”, recomendou, afirmando que sempre que pode está presente.
“- Nos encontros regionais aqui em Sacramento sempre fiz o possível para estar presente, entendendo que nós como cristãos, como políticos e pessoas públicas devemos apoiar, prestigiar, estar sempre presente em eventos religiosos e culturais como este. Saio feliz dessa celebração. Pe. Gil fez uma missa tão bonita, essas canções sertanejas. Tudo nos aproxima de Deus. E eu aproveito - na pessoa de nosso grande Polaco, presidente da Associação das Folias de Reis, mesmo doente, aí à frente - para parabenizar todos os diretores da Associação e as pessoas que estiveram envolvidas na realização desse 28º Encontro Regional”.
José Borges dos Reis, o Zezinho do Lavajato, que há muitos anos acompanha o encontro de folias de Santos Reis, emocionado, recorda promessa que o pai fez para ele sarar de uma doença.
 “- Estar aqui faz muito bem para as pessoas, principalmente para mim que sou do tempo antigo. E não podem deixar acabar, mesmo com a morte de uns, os outros devem continuar, os mais novos vão assumindo. Nunca fui cantador, só alfer (aquele que leva a bandeira). Quando criança tinha problema de saúde, meu pai fez uma promessa e recebi essa graça dos Santos Reis. Meu pai cumpriu o voto e eu nunca mais parei de acompanhar, sempre agradecendo pela graça alcançada”, reconhece.
Os cozinheiros, Luizmar Fernandes da Silva e José Eurípedes, com uma equipe de mais de 30  pessoas,  foram os responsáveis pela cozinha. “Essa é a nossa contribuição. Cheguei às 5h30 da manhã do sábado e varamos a noite para deixar tudo prontinho até as 11 horas da manhã de domingo. Contamos com a ajuda de 32 pessoas para preparar o cardápio composto de  galinhada,  tutu, vinagrete, polenta e macarronada. É comida para cerca de seis mil pessoas e,  Deus é tão grande que a gente não sente cansaço, nem parece que estamos sem dormir.”
Ana Izabel, de 16 anos, filha do cozinheiro Adilson Lúcio Moreira, da fazenda Rifaina foi a responsável pelo queijo ralado. Com muito cuidado e alegria segurava o queijo no ralador elétrico e deixava tudo prontinho.
Um único momento, Polaco assumiu