Jornal O Estado do Triângulo - Sacramento
Edição nº 1591 - 06 de Outubro de 2017

Cachorro americano é show

Edição nº 1358 - 19 Abril 2013

O músico Ivan Luiz Gomes é um apaixonado por cães, sobretudo, pelo  quase desaparecido, 'cão americano' que, na verdade, é brasileiríssimo, com certificado internacional. O belo cão foi apresentado no Festival de Cultura e Arte, realizado na praça do Rosário, dia 7, e encantou os presentes. 

“Este cão branco, com manchas pretas e marrons lindamente espalhadas pelo corpo, de andar altivo, elegante, jeito desconfiado com estranhos, mas muito amoroso com os de casa, que vive nas fazendas ou meio que perdido pelas ruas da cidade é um descendente ilustre do primeiro cão brasileiro a ser reconhecido internacionalmente, o Rastreador Brasileiro”.

A informação é do músico Ivan Gomes, amante da raça que desapareceu há alguns anos e vem sendo encontrada nas fazendas da região. “Os primeiros cruzamentos para o aparecimento da raça começaram nos anos 50, com o gaúcho Oswaldo Aranha Filho , que morava no Rio de Janeiro. Ele começou a cruzar cães de caça, a fim de desenvolver uma raça brasileira de caça à onça e ao porco selvagem. Ele usou as raças Foxhound Americano, Black and Tan Coonhound, Petit Bleu de Gascone, Black and Tan Hound Inglês, Bluetickhound Americano e o Veadeiro Pampeano, chegando a importar alguns cães para este fim”, explica. 

“Muitas pessoas – informa - chamam o Rastreador Brasileiro de Americano, justamente pela sua similaridade com a raça Foxhound Americano. Ele também é conhecido por Urrador, graças ao seu lindo latido, diferenciado, que indica que está na trilha ou já encontrou a presa. Em 1967, após 13 anos de aprimoramento, o Rastreador Brasileiro foi reconhecido internacionalmente pela FCI, órgão máximo da cinofilia (criação de cães) mundial”. 

Segundo Ivan, em 1973, o Rastreador Brasileiro foi dado como extinto. “Os 39 exemplares de Oswaldo, único criador da raça, morreram em virtude de uma epidemia de piroplasmose, causada pelos carrapatos, e intoxicados pelo excesso de inseticida aplicado por um funcionário”, informa, destacando que alguns exemplares foram doados a fazendeiros. 

“- Durante o aprimoramento da raça, Oswaldo doou alguns cães a fazendeiros vizinhos e amigos em troca de informações sobre como era o desempenho dos cães na caçada e foram justamente esses cães que não deixaram a raça morrer. 

Após matérias publicadas na revista Cães & Cia, a publicação mais conceituada e antiga no país, foram relatadas a existência desses descendentes em vários estados do Brasil. Bahia, Alagoas, Pernambuco, São Paulo, Minas Gerais, Mato Grosso do Sul, Rio de Janeiro e Santa Catarina”.

Diz mais Ivan que, a partir dos anos 90, cresceu o movimento para trazer esta raça à tona novamente. 

“- E agora, com a liberação pelo Ibama da caça aos javalis, javaporcos e porcos selvagens , brilhando o futuro para nossa raça de cão de caça. Se você tem um desses cães, acredite, tem uma pérola nas mãos”, alerta.

Contacte o Grupo de apoio ao resgate do Rastreador Brasileiro e registre seu cão. www.rastreadorbrasileiro.com.br . Contatos com Ivan (34) 92045365 ou 99515328.